sábado, 17 de abril de 2010

O TARRAFAL E OUTAS MEMÓRIAS

Não esquecer o TARRAFAL nem outras prisões, para que o passado ,tenebroso , não seja esquecido e permita aos homens, meditar, como construir o futuro em liberdade. Foi com relativa emoção, que assisti à apresentação da exposição sobre " Memória do Campo de Concentração do TARRAFAL " . Ainda que tenha sido realizada pelo Museu de Neorealismo em colaboração com a Fundação Mário Soares, é justo elogiar a iniciativa da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, em particular, de Maria da Luz Rosinha, como presidente.
A documentação e as imagens são elucidativas de um tempo que não deve voltar. As várias intervenções, contribuíram para despertar as emoções, de muitos dos presentes que tinham dedicado parte das suas vidas à actividade política. Das várias personalidades presentes, é obrigatório destacar Mário Soares, pois também foi deportado para São Tomé e, muito particularmente, Edmundo Pedro,um dos poucos Homens vivos que passou pelo desumano campo do TARRAFAL.
Apesar da emoção, provocada pela descrição das condições desumanas do campo de concentração, a intervenção do Edmundo Pedro, provocou-me uma grande alegria, ao constatar que apesar de já estar fisicamente frágil, continua lúcido, sereno e com uma dignidade e humanidade inexcedível. Na Mesma situação se encontra Mário Soares, o Homem Político que mais me influenciou nos últimos vinte anos e que continua, através dos seus escritos, a obrigar-me a reflectir.
Mas... a memória, o meu " baú das recordações " ,quase " traio " o momento de exaltação do passado de tantos homens corajosos e abnegados na luta contra o fascismo, para me lembrar de outro Homem, também preso e torturado de forma brutal e desumana - Francisco Martins Rodrigues.
A presença no local dos ex MRPP Victor Ramalho, Fernando Rosas e, especialmente, Arnaldo Matos, fez o meu pensamento regressar ao passado, quarenta anos! Recordei então, que foi a leitura de uma carta da prisão, de Francisco Martins Rodrigues, que me foi lida por outro camarada de Vila Franca De Xira, com o qual a discutimos a adesão ao movimento, que levou à constituição do MRPP. Foi essa carta, que me fez sair da " órbita" do PCP, ao qual nunca aderi, apesar de continuar muito activo na CDE e de trabalhar com vários militantes do PCP.
A Vida ensina-nos que, normalmente, a memória guarda melhor os acontecimentos que cada um de nós vive. Ao ouvir Edmundo Pedro fazer referência à "frigideira" que torturava até à morte os deportados, a minha memória " despoletou " e,recordei então, a tortura a que Francisco Martins Rodrigues foi submetido, que o levou a confessar, " trair ", o que nos obrigava a lutar pela sua libertação para dirigir o movimento. Recordei a seguir a prisão de Fernando Rosas, já dirigente do MRPP, que confessou tudo sobre a organização e, teve como consequência, a minha fuga para França e a prisão de outros camaradas, que ele tinha denunciado.
Ao ver todos eles, não pude deixar de recordar a capacidade de mobilizar as " massas" que o Arnaldo Matos tinha, quando enchia o Campo Pequeno. As divergências que então tínhamos sobre a " reorganização do Partido Comunista "e que chegamos a discutir em minha casa. As alterações que fiz à minha vida, como resultado da minha militância política. O meu pensamento voou sobre inúmeras memórias...que aguardam publicação.
Todavia, perante as mesmas situações objectivas de Portugal e do Mundo de então, reafirmo que voltaria a fazer tudo o que fiz. Continuo a pensar, que a actividade Política ao serviço da liberdade, da democracia e do progresso da Humanidade, é a actividade mais digna do Homem! Na pessoa do revolucionário e democrata Edmundo Pedro, presto a minha singela homenagem a todos os Homens e Mulheres que deram o seu contributo, alguns a própria vida, para hoje vivermos em liberdade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

PENSAR É PERIGOSO...



Pensar em Portugal e sobre Portugal é muito perigoso, afirmou o Prof. José Gil, no jornal da 21h da SIC . Esta afirmação, merece profunda reflexão, tendo em consideração que há quem afirme:


Para os preguiçosos, pensar...cansa. Os que querem estar sempre com os vencedores, nunca é oportuno pensar. Muitos que sabem pensar...pensam apenas em si. Outros, que pensam...admitem que ninguém os quer ouvir ou ler o que escrevem e, por isso, não expressam publicamente as suas opiniões. Depois, há os que pensam em todas as formas e métodos, para que a generalidade das pessoas não pensem. Finalmente, há as organizações religiosas (cada vez em maior número ), que afirmam, ensinam, que " Deus " decide tudo, que a vida de cada um está definida, havendo que aceita-la ,resignadamente, sem pensar.


Entretanto, Portugal, continua a distanciar-se dos países mais avançados da Europa, o desenvolvimento económico e social, continua emperrado e, apesar de termos recebido tantos fundos da U.E. , as desigualdades sociais, entre os portugueses, aumentaram nas ultimas décadas.
Neste contexto, a afirmação do Prof. Gil, não deixa de ser paradoxal pois, o perigo, acompanha-nos desde que nascemos. Aliás, há estudos recentes, que permitem concluir que quanto mais protegemos as pessoas dos perigos, em particular as crianças, menos estão preparadas para enfrentar as dificuldades naturais da vida.
Por outro lado, quem estuda o desenvolvimento das sociedades, desde os primórdios da humanidade, sabe que o perigo do desconhecido, foi e certamente será, um factor determinante para o avanço contínuo das descobertas, em todas as áreas do conhecimento: na ciência, na economia, no processo tecnológico e no desenvolvimento social.
Todas as mudanças de estado do conhecimento, ou transformações sociais, estão associadas ao perigo. Pensar o mundo material e as leis do universo, contrariando os dogmas religiosos, levou milhares de homem para a fogueira. Pensar e defender novas formas de organização social, inclusive, o nosso regime democrático, custou a vida a muitos homens.
O conhecimento e o domínio das energias, particularmente a energia atómica,teve sempre o perigo associado, causando inúmeras mortes, muitas destruições e prejuisos iniciais. Todas as maravilhas da técnica que hoje permitem uma vida mais agradável, saudável e mais longa, são o resultado do pensamento dos homens para dominar o perigo do desconhecido.
Também as mudanças económicas e sociais , despertam um perigo enorme para os homens que têm o domínio do poder político e da riqueza económica, contudo, apesar do perigo de vida, muitos homens e mulheres, não deixaram de lutar pela mudança, mesmo pela violência, quando indispensável.
Invocar, que hoje ,é perigoso pensar em Portugal,pode significar uma desistência dos deveres da cidadania, ser condescendente para os muitos portugueses, que já se desinteressaram de pensar e agir pelas transformações que a nossa sociedade exige há muito tempo.
Todavia, sempre houve e haverá, quem ouse pensar, apesar de ser perigoso. Quero acreditar, que também em Portugal será assim. O grave problema, é que no nosso país, a maioria dos poucos que pensam e concluem pela necessidade de mudanças económicas, sociais e culturais, pensam....pensam...e sabem que tais mudanças os prejudicariam inicialmente, que os tirariam do pedestal, que perderiam as benesses dos títulos e, por isso, não querem expressar publicamente os seus pensamentos, argumentando ...ser perigoso pensar.
Mas...o perigo é a minha ( vossa ? ) vida e, como gosto de viver, vou continuando a pensar apesar de " ser perigoso ".
P.S. Já depois de ter escrito as reflexões sobre " pensar é perigoso " , vi o programa " prós e contras " onde participavam os Professores José Gil e Eduardo Lourenço. Fiquei surpreendido, por vezes estupefacto, pela falta de capacidade de resposta de ambos aos seus interlocutores de direita, na análise da situação política e económica concreta. Afinal, a escrever, parecem ser inquestionáveis, no entanto, perante o contraditório...foram confrangedores. Não admira, que a esquerda tenha falta de ideias. Felizmente, Mário soares continua vivo!


sábado, 6 de março de 2010

MUNDO NOVO, VÉRSUS HOMEM VELHO OU O CONTRÁRIO?



Antes, ainda, da queda do Muro de Berlim, através de artigos publicados e de debates muito polémicos, tinha concluído que o "socialismo real" , nas suas quatro versões ( Soviético, Chinês, Albanês e Terceiro mundista ) tinha perdido a batalha contra o capitalismo. Tal conclusão, foi fruto de muitos anos ligados a prática politica e sindical e, em particular, ao conhecimento que tinha desses países, apesar de nunca os ter visitado.


Posteriormente,após estudo profundo e variado, sobre as causas do declínio do socialismo e, muita reflexão sobre eventuais alternativas, tirei as minhas ilações e assumi, conscientemente, as respectivas consequências: passei a defender a social democracia (socialismo democrático ) e filiei-me no Partido Socialista.


Esta atitude, muito criticada, significou a minha vontade de continuar a lutar pelo desenvolvimento do nosso país, pela igualdade de oportunidades, pela diminuição das desigualdades sociais e, particularmente, pelo progresso social do mundo do trabalho, embora, por outros métodos políticos e princípios ideológicos diferentes.



Como operário consciente e esclarecido que era, não poderia ter ficado indiferente ás revelações, nos anos 70/80, sobre a verdadeira história da União Soviética, às mudanças na China com Teng Siao Ping, à decadência de Henver Hodja, em paralelo com as conquistas que o mundo do trabalho tinha conseguido na Europa Ocidental e na América,isto é, no mundo capitalista.



Tinha no entanto a percepção, como então escrevi, que a queda da União Soviética iria prejudicar os trabalhadores na Europa, por paradoxal que pudesse parecer. A "guerra fria" , ou, por palavras mais compreensiveis, a luta entre o capitalismo, puro e duro, e o capitalismo de estado, reinante no " socialismo real", aquele, tinha permitido, se não mesmo fomentado, muitas conquistas económicas e sociais para os trabalhadores, com o objectivo de os afastar do " socialismo " e do "comunismo". Com a derrota da União Soviética e a transformação da China " um regime, dois sistemas " o " gato, preto ou branco ", assim como os " tigres da sibéria " deixariam de assustar e, como consequência, o capital poderia voltar ao passado através de neoliberalismo.



Todos os factos, por mais objectivos que sejam, permitem sempre várias interpretações. A idade, e o estudo contínuo da sociedade, em particular, o estudo do Direito que fiz nos últimos anos, obriga-me, hoje, a respeitar mais as convicções diferentes das minhas. Também, porque as origens dos acontecimentos, e a percepção dos mesmos, podem ser variadas e, consequentemente, permitir opiniões diferentes , procuro ser mais objectivo nas analises, antes de criticar outras orientações políticas ou opções ideológicas, mas não desisto de defender o que em cada momento considero ser relevante na política portuguesa.


É minha convicção, que o mundo global actual, é totalmente dirigido, dominado, pelo capitalismo financeiro. É minha opinião, que a ideologia da globalização é o neo-liberalismo. Parece não haver muita dúvida, que ainda existem alguns países, que procuram resistir ao neoliberalismo, contrapondo o capitalismo de estado, ainda que diferente, do que existia na antiga União soviética. Todavia, o que parece inquestionável, é que não há ilhas de " socialismo " em parte alguma do mundo, apenas um ou outro regime político mais progressista no plano social.


Todos estes considerandos, têm o propósito de justificar a seguinte conclusão: vivemos num mundo global capitalista, o neoliberalismo é predominante e tende a alargar e consolidar o seu domínio. Este é o mundo novo desde os fins dos anos noventa, que transforma em velhos, os pensadores que não reconhecem tal facto.
O " homem novo " do socialismo e o "mundo velho" capitalista, já passou à história,
levando consigo os seus respectivos protagonistas.

Estes factos, ou a convicção que tenho deles, implicam duas opções:


Uma, não é possível discutir, o aperfeiçoamento do sistema democrático com objectivos progressistas, com os partidos e organizações que ainda vivem com a ideia ( apesar da ruína das convicções ) que o velho mundo subsiste e, por demagogia e sobre vivência, querem continuar a lutar contra e à margem do actual sistema.


Outra, as reformas necessárias e urgentes do sistema politico, obriga os partidos democráticos a respeitar as normas da democracia e os princípios do Estado de direito, estabelecidas na Constituição e nas Leis emanadas da Assembleia da República. A direita deve abdicar da guerrilha permanente sobre os poderes legítimos das autoridades da República, pois, apenas parece significar não reforma do sistema, mas a aniquilação do mesmo.


Nos últimos tempos, através do que me é possível ouvir, ler e ver nos média, estou a ficar persuadido que algo de muito errado e grave está a acontecer com os partidos democráticos no nosso país. Critica-se quase tudo e todos, sem propostas alternativas.Condenam-se presumíveis arguidos sem provas, questionando a isenção dos tribunais e o valor das leis e da justiça quando não lhe são favoráveis. Os partidos da oposição ao governo e as organizações de direita que os apoiam e/ou subsidiam, parecem querer retomar o poder a qualquer preço e à margem do processo democrático, sem respeitar os resultados eleitorais e as decisões legitimas do Governo.


Paralelamente a tudo isto, o povo interessa-se cada vez menos pela política e condena os políticos em geral, os partidos da dita "esquerda ",anti sistema, vão ganhando alguns apoios e eventuais votos na contestação às medidas anti crise, enquanto, ganha cada vez mais contornos, um ataque de alguma direita contra o actual sistema democrático. afirmando mesmo, que " há indícios do fim do actual regime democrático".


Quero acreditar que, sem ser formado em História, conheço o suficiente da História da I República, para constatar que há actualmente vários factos que configuram uma espécie de situação análoga ou próxima do fim da república. É preciso ser objectivo, não considerando meros indícios como factos.Um facto, é que temos o "seguro de vida " por pertencer-mos à União Europeia. No entanto, tenho a opinião que o tempo urge para fazer face à actual situação política, económica e social dentro do sistema.



Estamos no tempo e ainda muito a tempo de discutir e realizar as reformas necessárias. Os que não têm dúvidas de que o sistema é imperfeito, mas que tem a consciência que a história ainda não criou outro melhor, tem o dever de desenvolver todos os esforços para a realização de um verdadeiro debate de ideias e opções a tomar para sairmos desta situação já um pouco pantanosa.


Parece oportuno lembrar, que se deve tirar as consequências do silêncio da Igreja. Manter a discussão só nos altos dignitários, sem reconhecer os erros, os crimes e a obrigação de indemnizar as vitimas, só agravou o problema e o descrédito. Não será também tempo de discutir " fora de muros", com todos os interessados, e não apenas com os frequentadores das " lojas" e outras organizações afins, antes que o sistema jurídico e judicial fiquem eventualmente submergidos por mais ondas de contestação? Penso que é urgente...


Todos temos o direito e o dever de participar. O conhecimento, está necessariamente disperso por muitas organizações. Todavia, são os partidos políticos que têm a principal responsabilidade de discutir os problemas e apresentar soluções. Como membro do Partido Socialista, defendo esse debate tão alargado quanto possível, ainda que seja necessário fazer a discussão em sessões abertas a todos os militantes interessados.
Data da públicação: 5 de abril

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Discussão prioritária: As questões que dependem apenas de nós..

Mário Soares, em artigos publicados no DN,em 9/2, ao abordar os problemas da Globalização, as novas alianças estratégicas no mundo e a falta de estratégia europeia, para superar a actual crise económica, financeira e social,deixava, implicitamente, a sugestão de que Portugal poderia equacionar a integração noutros espaços, ou, alianças políticas e económicas.



Em 26/2, parece reforçar o mesmo pensamento, ao abordar a falta de um plano europeu para ataque à crise, para todos os países da U.E. Ainda que voltando a equacionar a solução dos nossos problemas dentro do contexto europeu, não deixa de realçar que Portugal não é apenas um país europeu , valorizando o facto de pertencer-mos à CPLP, à comunidade Ibero-Americana e termos uma posição geoestratégica.



No programa da RTP, prós e contras, Almeida Santos, numa espécie de síntese final do debate, que fez a propósito ou a pretexto do seu último livro sobre a globalização, também alertou, para a necessidade de se discutir os problemas económicos e sociais de Portugal. Todavia, defende que as questões só poderão ser discutidos no contexto europeu e mundial, isto é, tendo em consideração a globalização.

O respeito e consideração que tenho, há muito tempo, pelas opiniões políticas de Mário Soares e Almeida Santos, em particular, na defesa da integração de Portugal na U.E., não me impede que faça algumas considerações sobre os artigos e exposição, apesar de os subscrever nos seus aspectos fundamentais. Esta reflexão, justifica-se, na medida em que Mário Soares também clama pela discussão dos verdadeiros problemas nacionais, apesar de afirmar, que temos elites competentes que, certamente, os estarão a estudar.


Primeira, será que Mário Soares ao dar relevância às possíveis alianças económicas e políticas, em particular, com os países de expressão da língua portuguesa, indicia já alguma desilusão em relação à nossa plena integração na União Europeia? Não poderá significar, tal hipótese, uma desistência de integrar a economia portuguesa nas economias desenvolvidas, fugir para mercados menos competitivos e deixar para as " calendas gregas" a modernização das infraestruturas económicas e sociais portuguesa, o que constituiria uma ajuda ,objectiva, aos " Velhos de Restelo"?

Segunda, será que, pelo facto de estarmos num mundo globalizado e, consequentemente, interdependente, não temos problemas específicos que podemos e devemos analisar, discutir e resolver, sem que estejamos condicionados pela globalização, como defende Almeida Santos? Por exemplo, o grave problema do aumento das desigualdades sociais, é apenas consequência da globalização? A média dos vencimentos dos Quadros portugueses, superior à media europeia, foi o resultado da nossa integração na U.E.? O baixo nível de produtividade, na economia e serviços, é apenas fruto do fraco nível de escolaridade dos trabalhadores portugueses, quando estes, são produtivos nos países para onde emigram?


Terceira, sendo ambos, M.S. e A.S., homens com responsabilidade e grande influência no Partido Socialista, não reconhecerão, que também o partido não faz essa discussão? Será apenas problema das outras organizações políticas, empresariais, sociais e sindicais? Ou estamos perante o total domínio da política pelo poder financeiro, que define e decide das políticas a seguir, por intermédio de órgãos secretos, discretos, informais e outros,independente dos governos que vamos tendo?


Como compreender, que com tantos seminários, debates e colóquios , promovidos pelos mais variados organismos públicos e privados, onde por vezes coincidem nos diagnósticos da situação de atraso em que nos encontramos, não conseguimos avançar ,substancialmente, na via do desenvolvimento e progresso social? Há falta de elites para a modernização do país, ou,antes, há convergência das " elites" para manter o fundamental, porque, apesar de algumas mudanças, esses actores são os principais beneficiários do sistema anquilosado, conservador, por vezes, até retrogrado?


Conclusão: ou não se têm discutido o essencial dos problemas, ou é preciso mudar de actores e interpretes, ou é preciso mudar de local das discussões. Tendo em conta os resultados ,até hoje obtidos, parece ser necessário mudar tudo.

É fundamental, que a política volte a governar e a dirigir o país. É indispensável, que os partidos abordem publicamente, as questões políticas e os problemas a resolver.É necessário, que as pessoas e as organizações discutam, abertamente ,as soluções possíveis. Será relevante, que o povo vote com mais consciência dos problemas e das alternativas apresentadas. A solução dos problemas que só dependem de nós, devem ser os portugueses a equacionar e resolver! Não será a U.E. que os virá superar. Ou será?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A OBRA PRIMA...FOI RECUSADA PELO POVO!

Sou um leitor regular do Pacheco Pereira, em particular, do seu blog ABRUPTO. Com a mesma regularidade, vejo a " Quadratura do Circulo" e o seu programa pessoal, na SIC.

Sempre apreciei a sua capacidade de argumentação, por ser densa e profunda. Elogiava a sua " rebeldia" ,quando criticava o seu próprio partido, ou apenas se distanciava dos lideres do momento. Há muitos anos, que o considero um dos intelectuais portugueses, mais bem preparado para abordar situações políticas e questões ideológicas.

As suas opiniões e opções , quase sempre bem explicitadas e justificadas, obrigava-me a reflectir pois, apesar da admiração pelo seu trabalho, estamos à muitos anos com posições políticas e partidárias diferentes.


Estas considerações, que acabo de fazer, servem para realçar e compreenderem a minha estupefacção, pelo comportamento político do Pacheco Pereira, nos últimos tempos.


Já tinha lido alguns comentários seus, a " condenar"o Sócrates, feitos apenas na base de meras suposições. Algumas vezes , na "quadratura...", tentou impor-se, autoritáriamente, procurando limitar as argumentações do António Costa. Mas, no seu último programa pessoal, na SIC, que apenas vi no dia 16/2, ultrapassou todos os limites!


O pretenso plano de Sócrates para " limitar a liberdade de imprensa " , revelou uma faceta sectária de Pacheco Pereira, que desconhecia. Está obstinado em atacar o Sócrates de qualquer maneira e por qualquer método. Naquele programa, passado no dia 16/2, ultrapassou os limites de admissível, nas comparações que fez.

Como é possível, ter a ousadia de comparar a acção criminosa, do jornal o Sol, com o comportamento, também ele à margem da lei, de um alto funcionário americano, que desviou documentos secretos para entregar à imprensa, quando, o que então estava em causa, o que era relevante, era tratar-se de crimes de guerra, crimes contra a humanidade praticados pela administração americana no Vietname?
Mesmo admitindo, como possível, que Sócrates procurou condicionar um ou outro programa televisivo, um ou outro jornalista, que, como sabemos, todos os governos fazem, ou tentam fazer, em determinadas circunstâncias, não é admissível, para um homem formado e informado como Pacheco Pereira, fazer analogia dos casos, como ele fez nesse programa!
Porque será que ele tem assumido tais posições sectárias? Será que ainda não digeriu a derrota eleitoral de Manuela Ferreira Leite, no confronto com Sócrates? Ou, como outros afirmam, a sua derrota eleitoral, por ter sido ele o mentor e ideólogo dela, como reconheceu, entre outros Marcelo Rebelo de Sousa, ao afirmar na RTP, que Pacheco Pereira poderia pedir, a MFL, o lugar que quisesse.
Esperamos pelos próximos desenvolvimentos...





domingo, 14 de fevereiro de 2010

A Globalização, a União Europeia , Portugal.

Quando a actual crise financeira se tornou evidente e, particularmente, nos meses que se seguiram, várias personalidades do mundo da política afirmaram: é tempo de a Política e os Políticos, voltarem a dirigir o Mundo!

Passado estes meses, é minha opinião que pouco ou nada mudou. Continuar com ilusões de que a globalização neoliberal não vai continuar, em nada contribui para para pensar com objectividade nos problemas que nos afectam.

Sou um defensor convicto da União Europeia mas não um neoliberal. Todavia, pensar assim, não me impede de reconhecer que também a política da U.E.,como parte do mundo globalizado, é actualmente orientada pelo neoliberalismo.

Portugal é parte integrante da U.E.como consequência, também o nosso país não pode deixar de ser condicionado, senão obrigado, a ter uma orientação neoliberal, qualquer que seja o nome que queiram dar às políticas actuais.

Perante estes factos evidentes, direi quase indiscutiveis, penso que é tempo dos portugueses, uns com conhecimento nos vários ramos do saber, outros com a experiência do mundo empresarial, juntamente com os políticos , se encontrarem para analisar, discutir e procurar resolver a situação económica em que nos encontramos, como resultado da globalização e dos acordos da O.M.C.

É absolutamente necessário e urgente, saber o que os portugueses podem e devem fazer no contexto da U.E. e do mundo. Não se trata de discutir, como melhor concretizar as mudanças que decorrem dos nossos direitos e deveres como membros da U.E. O que se deve reflectir, com o máximo de objectividade e profundidade,é o caminho a seguir, a estratégia a adoptar, sobre o que depende, exclusivamente, de nós.

Não podemos continuar a justificar os nossos problemas, como o resultado da nossa integração na U.E. , da globalização e do neoliberalismo. O mundo não muda continuamente. Temos o dever de nos saber enquadrar no mundo global, de descobrir as nossas potencialidades, definir uma estratégia económica que as valorize e contribua para desenvolver o país.

Já não é mais suportável, aceitar dos vários partidos políticos, posições antagónicas sobre a economia e desenvolvimento do país, conforme estão no governo ou na oposição. De nada serve acusar este governo, ou outro, pelo aumento do desemprego, quando nada de propõe como se pode criar empresas e postos de trabalho, empresas competitivas para exportar.

São este tipo de questões que urge discutir no país e não como parece começar a ser predominante´, voltar ao "passado" através de novas alianças baseadas na língua comum. Mas...este tema, será abordado em próxima reflexão,tendo como suporte o artigo de Mário Soares no DN.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Crítica polítca ou tentativa de assassinato...político?

Não era meu objectivo iniciar este blog ,com reflexões sobre a actualidade política. No entanto, depois de dias de "intoxicação" pelas notícias dos média e, em particular, depois de visitas e leituras da blogosfera, considero necessário e oportuno fazer algumas considerações.
Porque será, que o PS liderado por Sócrates, voltou a ganhar as eleições legislativas, apesar de terem ocorrido durante a maior crise económica da história recente e da campanha que foi desencadeada a propósito de caso Friport? Foi apenas a propaganda que lhe deu a vitória ou, antes, a percepção de muitos portugueses de que o seu governo tinha feito o mais vasto conjunto de reformas que contribuíram para o desenvolvimento da economia e, simultaniamente, para a diminuição das desigualdades sociais?
Quem não se recorda da "Inveja" da direita, incomodada por Sócrates ter feito reformas que eles defendiam, mas nunca executaram? Quantas vezes foi escrito e dito nos média, que o PSD não conseguia subir nas sondagens, porque o PS tinha ocupado o " seu espaço" ?
Porque, apesar de Sócrates não ter podido fazer o que todos os governos fazem, no último ano da legislatura, e tendo que fazer frente à crise económica que quase deita por terra a recuperação antes iniciada, o PSD, liderado(?) por Manuela Ferreira Leite perde as eleições?
A resposta a estas questões e muitas outras que poderia desenvolver, é só uma: Sócrates tinha e tem ideias para o desenvolvimento do país e, em especial, uma vontade de reformar o estado e uma capacidade de liderança, que os portugueses apreciaram e continuam a acreditar!
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É este facto que é relevante! A incapacidade da direita de vencer pelas ideias e as derrotas consecutivas dos seus lideres perante o confronto com Sócrates, deixou-os perante a última alternativa: tentar o assassinato político de Sócrates através de qualquer meio!

Deve referir-se também, que a direita não está só, a dita "esquerda" da esquerda, tem dado o seu contributo de que o caso da madeira constitui exemplo paradigmático!

Quem me conhece, sabe que sou um activista político com profundas convicções políticas e ideológicas. Não sou homem de seguidismos a qualquer líder, como consequêcia, não sou "socratista". Procuro, fundamentalmente, ser objectivo na análise do trabalho realizado por Sócrates, entender a "onda de contestação" e seus objectivos políticos e, como não sou ingénuo, assumir a defesa do que foi realizado pelo Governo, com a convicção de que, se nem sempre foi o que eu desejava ou considerava mais justo, concretizou promessas nunca antes cumpridas, indispensáveis para o país se modernize e desenvolva.
Admito como possível, que Sócrates, nem sempre tenha desenvolvido a sua actividade política e acção governativa, de acordo com as normas e princípios do Direito. Como Jurista, conheço a dificuldade de se cumprir todas as normas e procedimentos de Leis, continuamente alteradas.
Pensar no entanto, que os que vem acusando Sócrates e o seu governo de praticar " crimes contra o estado de direito " ,negado até agora pelas Autoridades Judiciárias competentes, recorrem a acções à margem da lei e praticam actos, tipificados na Lei como crimes, só poderei tirar uma conclusão: Todos os que atacam Sócrates, criticam o PS, condenam o Governo e a sua política, para criar um ambiente político favorável às eleições internas no PSD, para que o futuro líder possa afirmar a sua liderança e reconstruir uma nova AD.