sexta-feira, 24 de maio de 2013

O PAI, O FILHO E A FAMÍLIA NÃO SE ENTENDEM, OU QUEREM ENGANAR-NOS?




A política portuguesa é uma farsa. Os políticos parecem ser comediantes. O espectáculo é degradante e  a assistência só aparece quando é paga. Perante esta realidade, os políticos desempregados da maioria e os da oposição, inesperadamente invadiram as televisões com toda a forma de debates. Para discutirem perante os portugueses a razão da crise? Denunciar quem roubou e ganhou com os escândalos financeiros? Para explicar, porque depois do 25 de Abril, já caímos três vezes em banca rota? Para oferecerem uma alternativa política? Vejamos, em primeiro lugar, o que se passa no PS.

Nos últimos dias, assistimos às mais variadas afirmações de Mário Soares, para tentar juntar as esquerdas, procurar uma alternativa e derrotar o governo de Passos Coelho, que tanto tinha elogiado no início. Ao mesmo tempo, João Soares, no Parlamento e nas televisões, lança um apelo de charme ao CDS, para abandonar o governo, provocar novas eleições e formar maioria com o PS. Francisco Assis, defende alianças à direita. Os jovens deputados do PS, até há pouco tempo capitaneados por António Costa, lutam por unir as esquerdas. Entretanto, Manuel Alegre afirma, que a esquerda portuguesa, não serve para nada. E o Secretário Geral do PS, que era pressuposto dirigir o partido, o que é que defende? A união com os portugueses!!! O Pai defende uma coisa, o Filho outra e, o resto da família, vai dizendo o que lhe apetece!

Quanto ao PSD, passamos do tempo em que todos os Barões estavam contra Sócrates, para a situação actual, em que ninguém defende o governo, todos recusam eleições para que  o pote de mel continue a ser administrado pelo partido e o possam repartir. Ao mesmo tempo, muitos distanciam-se das políticas governamentais, com o único objectivo de poderem ser uma alternativa interna. Diferente de todos e com um radicalismo crítico, só comparável ao último período do governo de Sócrates, temos o Pacheco Pereira que, ao que parece, esqueceu  já o período da "esquerda liberal", criticando hoje o liberalismo do governo, para defender o neo-corporativismo, objectivamente, os interesses instalados no Estado.

No reino do "Príncipe" tudo é possível acontecer. Participam no governo, criticam a austeridade em nome da sua "raiz cristã"  e justificam as medidas para se manterem no poder. Afirmam incompatibilidades com algumas medidas do Gaspar, para aumentar o preço, que os socialistas terão de pagar para os terem a seu lado. Um dos aspectos mais interessantes da degradação da política portuguesa, é o facto de Paulo Portas ser elogiado por quase todos os adversários, respeitado pela Elite, quando é certamente o maior demagogo, já mudou de ideologia três vezes, alterações políticas são incontáveis e, de promessas eleitorais, quase todas foram feitas para enganar os desprotegidos!

Perante este espectáculo degradante dos três partidos, será natural, que os poucos portugueses que ainda se interessam pela política e pelos reflexos que tem na vida de cada um, perguntem: Qual é a alternativa política para o país, que estes partidos defendem? Manter, por todas as formas possíveis, os seus interesses e de todos que eles representam e defendem, direi eu. Cada um dos partidos, tudo faz para liderar o poder, instalar a sua máquina partidária e arranjar lugares para os amigos. Depois, distribuem pelos outros, os lugares ainda disponíveis no aparelho do Estado. Será por mero acaso, que actualmente, os três líderes parlamentares são membros da Maçonaria? 

Nesta comédia, qual é o papel do PCP, BE e Verdes? Ser contra! Contra qualquer reforma que diminua as benesses dos políticos, dos autarcas, dos sindicalistas e de todos os funcionários públicos. Contra qualquer reforma que modernize e organize o Estado. Contra as directivas da União Europeia, ainda que exijam sempre mais fundos, para alimentar todos os instalados no sistema, de que fazem parte. Contra o FMI, Troika ou outro organismo internacional, que nos exija o pagamento das dívidas, que eles também ajudaram a criar. Contra todos os governos, da esquerda ou da direita. No passado recente uniram-se com a direita para derrotar Sócrates, actualmente querem juntar-se ao PS, para derrubar Passos Coelho. Hoje, como anteriormente, o que pretendem acima de tudo é evitar a mudança, as reformas indispensáveis do Estado.

Conscientes de que o espectáculo que estão a realizar há muito tempo, estava a deixar de interessar, mobilizar ou enganar o POVO, o "Quartel General" dos interesses instalados, decidiu ocupar as televisões diariamente. Assim, assistimos diariamente à discussão de pretensas divergências. Ficamos perplexos com as convergências na defesa das reformas douradas. Facilmente se colocam de acordo, sobre as reformas que não aceitam e nunca nas que devem ser feitas. Responsabilizam tudo o que é organização internacional, pelos nossos problemas, sem nunca assumiram que a culpa é nossa. Finalmente, para descarregar a consciência da merda que tem feito, encontram agora nos Alemães e na Chanceler Merkel, as razões da nossa crise, porque deixaram de nos emprestar mais dinheiro, para continuar em festa a fazer a vida de ricos, quando não produzimos o suficiente para nos alimentar e não aproveitamos o que nos deram, para  desenvolver e modernizar o país!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

COMEMORO O 25 DE ABRIL, COM MAIS SENTIMENTOS DE REVOLTA, DO QUE ALEGRIA!



Aparentemente, teria todas as razões para sentir alegria, pela comemoração de mais um aniversário do 25 de Abril. Deveria, até, sentir felicidade pelas referências ao Dia da Libertação, feitas pelos órgãos de comunicação social tradicional e, particularmente, pelas redes sociais. Contudo, invade-me um sentimento de revolta por constatar, ao longo dos anos, que passado a Festa da Liberdade, a generalidade do povo esquece a necessidade de continuar a lutar pela Liberdade, Democracia e Progresso Social.

Nestes últimos dias, em que a primavera nos presenteou com um Sol radiante, fomos como que inundados, por uma chuva de palavras e imagens, algumas novas e belas outras tiradas do "baú" das recordações, levando muitas pessoas a pensar, que assim lavarão as encostas dos montes cheias de corruptos, alimentados nos interesses instalados. É essa ilusão que nos continua a condicionar, para fazer o que é preciso e que me impede de sentir alegria.

Enquanto uma parte,cada vez menor, do Povo festeja na rua o 25 de Abril, os interesses instalados representados na Assembleia da República e nas Autarquias, continuam com discursos rituais e auto-elogiosos, onde as pessoas não participam por não se sentirem representadas. Passado o dia das comemorações, as pessoas regressam à sua "vidinha".

 Ao mesmo tempo que a crise social se acentua. deixamos à solta o actual poder político corrupto, que continua impune à crise, e continuará a fazer-nos pagar os roubos escandalosos ao erário público e as gestões ruinosas das empresas públicas. 

Paralelamente, tudo fazem para nos tentar convencer, que os nossos inimigos são os representantes dos credores (Troika) e não os políticos e banqueiros que nos tem governado ao longo dos anos, em nome do "Quartel General" dos interesses instalados, muitos dos quais, num país civilizado, estariam a pagar na prisão os crimes que tem cometido!

É por estas razões e muitas outras que tenho abordado em artigos anteriores, que comemoro o 25 de Abril e o meu regresso a Portugal, com mais sentimentos de revolta, do que alegria!

domingo, 7 de abril de 2013

Nota informativa.


Aos meus leitores regulares, tenho a informar, que por razões de oportunidade e também, por maior e mais rápida divulgação, tenho escrito vários comentários na minha página do Facebook. 

Espero, em breve, voltar aos artigos de fundo a publicar nesta página.

Obrigado

Bexiga Lopes

quarta-feira, 27 de março de 2013

O FUTURO DA POLÍTICA PORTUGUESA, PASSARÁ PELO REGRESSO AO PASSADO, POR SÓCRATES?




O futuro da política portuguesa, passará pelo regresso ao passado, por Sócrates? Tenho dúvidas! Contudo, há um facto indiscutível: o regresso de Sócrates à cena política, alterou as regras do jogo partidário. A polémica desencadeada pelo anúncio da entrevista à RTP, com centenas de comentários em todos os órgãos de informação, nas redes sociais com várias e antagónicas petições, tinha já dado uma imagem de desespero de uns e pânico de outros, em especial no espectro político da direita.

Na entrevista, Sócrates foi demolidor, apesar das tentativas dos entrevistadores para dificultar o seu raciocínio e exposição de ideias. Preparado como sempre, rebateu e contrariou com factos e números, as perguntas/afirmações e insinuações dos dois jornalistas. Não fiquei surpreendido, com a firmeza como se defendeu dos ataques, há muitos anos que o conheço pessoalmente e, por essa razão, não vou analisar o conteúdo da entrevista, mas antes as reacções e eventuais consequências.

Não me recordo de alguma vez ter acontecido, que uma entrevista dada por um político a um canal de televisão generalista, tenha provocado emissões especiais na SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24. Só este facto, confirma a relevância política de Sócrates e a necessidade dos seus opositores reagirem de imediato. Procurei acompanhar na medida do possível, a forma como os vários comentadores analisavam o conteúdo da entrevista e o comportamento de Sócrates. Parecia que tinha acontecido um terramoto. Só o Miguel Sousa Tavares estava com o semblante normal, até mesmo um pouco sorridente, todos os outros, ou tinham "sorriso amarelo" ou apresentavam  um semblante de pesadelo, inclusive o João Galamba, que é conhecido como seu apoiante.

A generalidade dos comentadores, incapazes de contrariar os números e factos apresentados por Sócrates. preferiam falar em desejo de vingança, especular sobre os seus objectivos políticos, realçar a sua combatividade e preparação mas...sempre desvalorizando as suas opiniões políticas. A direita, representada por políticos ou comentadores, revelava pânico e começou logo no ataque com todo o manancial de deturpações,  responsabilizando Sócrates pela situação em que vivemos.

 A esquerda, estava toda incomodada, apesar do aparente apoio de um ou outro político ou comentador afecto ao PS. Em suma, o reaparecimento  de Sócrates, num momento em que a crise política e social se agrava, constituiu o maior facto político dos últimos tempos e vai, necessariamente, provocar grande agitação nos partidos, governo e presidência da república.

Significa que tudo o que referi, implica que o o futuro político, económico e social passa pelo regresso ao passado, por José Sócrates? Como referi no início, tenho dúvidas. É verdade que há falta de liderança política em Portugal e Sócrates é um líder nato. É indiscutível que ele é odiado por muitos portugueses, mas continua a ser respeitado e desejado por outros. Porem, o problema principal do nosso regime político, é que foi e está capturado pelas corporações,pelos interesses instalados que controlam os partidos.

  Este governo, como o anterior, revelam-se incapazes de fazer as reformas que decorriam dos PEC e das que eram exigidas, inicialmente, pela Troika, porque a maioria dos dirigentes políticos e o Governo, estão condicionados pelo capital financeiro, pelos grandes grupos económicos e pelas elites que capturaram o estado. Sem democratização do regime, através da participação e manifestação das pessoas, nada de fundamental vai mudar. Sócrates vai abanar as actuais lideranças políticas e o Governo, mas nada nos garante que ele possa, ou queira, dar algum contributo para a democratização e transformação dos partidos.

domingo, 3 de março de 2013

O CAUDAL HUMANO DAS MANIFESTAÇÕES DESAGUARÁ NO MAR DO POPULISMO, OU NA FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO?




O caudal humano das manifestações, desaguará no mar do populismo, ou na formação de um novo partido? Os grandes protestos ontem realizados, principalmente em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, constitui apenas um aviso para o governo, para os partidos e sindicatos, ou apenas um protesto contra a troika? Assisti , através das reportagens realizadas pelos vários canais das televisões, ao desenrolar de todas as manifestações, de entrevistas de anónimos, de dirigentes políticos  e sindicais e de alguns discursos de encerramento, com todos a cantar Grândola Vila Morena!

Durante horas, foi sendo criticado muitas das medidas de austeridade, através de cartazes e de palavras dos entrevistados, ainda que muitas das pessoas, apenas se referissem à sua situação pessoal ou familiar. Viu-se e ouviu-se também, muitas críticas ao governo e, acima de tudo, a sua condenação com pedidos de demissão. Relevante, ainda, foram as críticas ao Presidente Cavaco Silva, através do maior apupo na concentração do Terreiro do Paço. Porém, o que mais se destacou foi as palavras contra a Troika, exigindo a sua saída.

Entretanto, não consegui ver qualquer cartaz contra os interesses instalados, nem ouvi qualquer declaração contra os privilégios das corporações, com a excepção da condenação dos Bancos. Porque afirmar "que se lixe a troika", quando muitos dos que lá estavam, recusaram as reformas previstas  no PEC IV e, consequentemente, contribuíram para a vinda da Troika e para a formação do actual Governo?

Apesar dos organizadores terem defendido sempre, que se tratava de manifestações de cidadania, alguns partidos procuraram aproveitar-se o que, segundo foi afirmado, gerou contestação e algumas escaramuças. Todavia, com a colaboração dos repórteres televisivos, dirigentes do PS, PCP, BE e da CGTP, fizeram vários comentários sobre as manifestações e, naturalmente, para condenar o Governo e a Troika, enquanto os organizadores se remeteram ao silêncio, ou foram esquecidos.

Como nos discursos finais, não foi defendida qualquer alternativa de governo, nem sequer o pedido de novas eleições, apesar da participação e apoio às manifestações por parte dos partidos de esquerda, é relevante questionar, os verdadeiros objectivos dos organizadores e dos participantes destas grandes movimentações de força da população portuguesa, ou mais propriamente, das chamadas classes médias.

É minha opinião, que as manifestações foram contra tudo e contra todos. Foi explícita, na condenação do Governo e da Troika, implícita na crítica aos partidos e sindicatos, na medida em que foi omitida a sua participação ou as suas propostas políticas como alternativa ao actual governo.Para que serviu a saída às ruas de tão grande massa humana? Criar base de apoio para novo partido democrático?

 Espero estar enganado, mas é minha convicção que o populismo está a crescer, como foi mais evidente ontem, do que na manifestação de Setembro. Sem novo enquadramento partidário, o descontentamento evidenciado, pode degenerar e alimentar a constituição de movimentos populistas e antidemocráticos.

Porém, como os actuais partidos não demonstram qualquer vontade de mudança interna, nem interesse em permitir convergências ínter partidárias, para as reformas necessárias do sistema político, certamente como consequência de estarem dominados pelos interesses instalados, não nos parece nada fácil, se é que é possível superar a actual situação, dentro do actual quadro democrático.

Tendo em conta que a austeridade vai continuar em Portugal e outros países europeus, com a consequente diminuição dos níveis de vida das chamadas classes médias. Constatando-se que as corporações e as camadas sociais que tem sido privilegiadas, continuam a resistir e a saber defender-se, ainda é mais urgente clarificar, quais são os "inimigos" internos dos portugueses.

 Simultâneamente, é indispensável saber como aproveitar o capital político, destas manifestações de descontentes, para pressionar as reformas políticas, que o país precisa. Admito, que os organizadores e a maioria dos participantes do movimento 2 de Março, tem responsabilidades no processo. Esperamos que saibam estar à altura dos acontecimentos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Elite Portuguesa, Para Manter Os Seus Privilégios, Admite Sair Da UE E Voltar-mos A Ser Um Protétorado Da Inglaterra!




Tinha pensado recomeçar a escrever, artigos sobre a situação política, económica e social portuguesa, só depois de concluir a leitura de alguns livros. No entanto, apesar de já ter as notas preparadas, sinto-me obrigado a suspender a redacção desses artigos, para voltar novamente às questões relacionadas com a elite  portuguesa, ou o que se considera como tal

A "gota que fez transbordar o copo", foi a entrevista de Manuel Alegre, na SIC Notícias, hoje 28 de Fevereiro. Já à vários anos que constato, que o passado revolucionário de Manuel Alegre e a sua prática política, individualista e elitista, tem dois objectivos precisos: culto da personalidade e defesa dos interesses instalados, dos quais também benificia. Contudo, nunca pensei ouvir da sua parte, a necessidade de Portugal ter um plano B, para a eventual saída da Europa e a defesa de nova Aliança com o Inglaterra. Onde já vai o slogan "A Europa Connosco" e o grande contributo que deu para o fim do isolamento português , imposto por Salazar

Quase à mesma hora, na TVI 24, Santana Lopes PSD, Francisco Assis PS e Fernando Rosa BE, num tom grave, consideravam as afirmações de Durão Barroso, uma afronta ao povo português. Isto porque, o Presidente da Comissão Europeia, tinha afirmado, que as opções políticas aplicadas em Portugal, tinham contribuído para a situação de banca rota que nos encontramos e, ainda, que não fora o apoio de outros países, estaríamos ainda pior, sendo sua opinião,que a UE não é a base do problema mas da solução!

Actualmente são raros os intelectuais, nos vários ramos do saber, que tem a vontade de fazer e a frontalidade de assumir, uma análise objectiva da realidade política, económica e social portuguesa. Tal facto deriva da consciência, não assumida, de que as reformas definidas no Memorando da Troika e, agora,  em parte reassumidas no Relatório do FMI, são contra os privilégios das elites portuguesas, de que fazem parte. 

Como consequência, a generalidade dos analistas e comentadores aborda, parcialmente, o problema da dívida pública. Admitem a austeridade e as reformas, desde que não os atinja. Criticam a Troika, mas não conseguem contestar a veracidade dos factos apresentados no Memorando. Responsabilizam a União europeia pela situação em que vivemos, para tentarem fugir às suas responsabilidades.

O "movimento elitista anti Sócrates", afirmava que a situação que nos levou ao pedido de intervenção da Troika, era uma consequência das políticas nacionais. Ao desvalorizar  a componente europeia e internacional, a aliança da direita à extrema "esquerda" e os instalados do PS, que tudo fizeram para impedir várias reformas no primeiro governo de Sócrates,  ainda chumbaram o PEC IV, na convicção que evitariam mais uma vez,  os cortes nos vencimentos, as reformas estruturais e a consequente austeridade.

Todavia,quando algumas medidas começaram da atingir as elites e as chamadas classes médias, a resistência destas aumentou, viraram de agulha, para  criticar a Comunidade Europeia e passar a defender mais Europa. Ou seja, quase todos começaram a afirmar que a solução da crise financeira passava pelo Euro, pela mutualização da dívida e pela transformação da União Europeia em Federação. Entretanto, como os credores representados pela Troika, continuam a exigir as reformas estruturais, para acabar com os privilégios dos políticos, militares, juízes, médicos e professores, entre outros, as elites instaladas voltaram a mudar de estratégia.

Ainda que utilizando terminologias diferenciadas, temos assistido nos últimos meses, a um numeroso grupo de autores, que começaram por criticar  a austeridade imposta pela Comissão Europeia. Responsabilizam a moeda única e admitem a desintegração ou saída da UE, porque não querem ser dirigidos pelos Alemães, já não apenas, pela Merkel. Ainda que a maioria deles, valorizem mais o triângulo -Lisboa, Luanda e Brasília - como forma de nova estratégia geopolítica, para pressionar a Europa a satisfazer "os nossos interesses", para Adriano Moreira e Mário Soares, a CPLP deve ser encarada como alternativa estratégica. Nos últimos dias e com estratégia política idêntica, os Oficiais e Generais das Forças Armadas, através de reuniões e declarações, deixaram avisos claros que não querem ceder, nem nos privilégios, nem aceitar a liderança Alemã!

Outros dos autores, que vão reflectindo sobre a crise, duvidando da nossa capacidade de influenciar o triângulo lusófono, prefere equacionar as nossas tradicionais ligações à América e particularmente à Inglaterra, como o fez Manuela Alegre. Em síntese, as elites portuguesas que esbanjaram os fundos vindos da UE para  construções megalómanas, corrupção e vida faustosa, preparam-se para encontrar uma potência, que lhes permita manter os privilégios, à custa da generalidade do povo e da nossa integração na União Europeia, base indispensável para o nosso desenvolvimento e progresso social! 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O CORTE DAS BENESSES SÃO INCONSTITUCIONAIS! E AS CONDIÇÕES DOS TRABALHADORES, ESTÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO?




Os cortes de benesses nas elites e nas camadas sociais instaladas, é inconstitucional? Admito! E as condições criadas para os trabalhadores, em particular para os jovens que entram no mercado de trabalho, ou os que perdem o emprego, estão conforme a constituição? Porque se condena apenas o corte das benesses? Não havia e há razões objectivas, estudos indesmentíveis, que classificam Portugal, como o país da União Europeia, onde a desigualdade  económica e social é maior? Porque não discutir desigualdades chocantes, como a que hoje foi revelada, de que 5% dos pensionistas e reformados, arrecadam 40% do "bolo", ou seja,do valor total das reformas e pensões?

O Relatório do FMI, tal como já aconteceu com o Memorando da Troika, provocou uma espécie de levantamento nacional, promovido pelo "Quartel General" dos interesses instalados. De tudo que vi e li, criticando o relatório, o que mais ressalta nas justificações, é a eventual inconstitucionalidade das medidas sugeridas. Como seria previsível, os protagonistas são os mesmos do costume: BE, PCP, PS, Cavaquistas, Democratas Cristãos, Sindicatos e alguns representantes das Entidades Patronais. Todavia, desta vez apareceram altas figuras do "Quartel General" dos interesses instalados: António Arnaut, ex Grão Mestre da Maçonaria e Mota Amaral, da Opus Dei.

Quero no entanto realçar, que houve pessoas que assumiram dar a cara, pela defesa das reformas sugeridas. Do que tive conhecimento, destaco: Vital Moreira, Helena Garrido, Luís Pais Antunes, José Ferreira Machado e Silva Lopes. Com palavras diferentes, todos convergem na necessidade de discutir o Relatório e na inevitabilidade da aplicação de várias das medidas sugeridas, porque o actual Estado social é insustentável. Devo ainda assinalar, que afectos ao PS, Maria João Rodrigues e Francisco Assis, assumiram  a necessidade da discussão e abertura para a implementação de algumas medidas, contrastando com as posições de António Costa, que navega em todas as direcções à procura de apoios.

Sou um defensor, convicto,do Estado Democrático e Social e tenho reafirmado a necessidade da sua consolidação, ao longo da minha vida social, sindical, autárquica e política.Porem, não posso aceitar o actual sistema como justo pois, já há muitos anos que deixou de ser um sistema social para os utentes e  beneficiários, para se transformar numa organização ao serviço dos seus funcionários, dirigentes, políticos inactivos e amigos de todos eles.

 Defendo um Estado Social, para permitir a redistribuição da riqueza, não para manter ou aumentar as desigualdades sociais, que nos tem mantido na cauda da União Europeia. Reivindico um Estado Social íntergeracional, e não um sistema que favorece uma minoria de aposentados e reformados, que privilegia as benesses dos instalados, à custa dos impostos de todos nós, particularmente, dos que entram no mercado do trabalho.

Helena Garrido, em convergência com a minha opinião, ousa afirmar, em Editorial no Jornal de Negócios, que as medidas sugeridas no Relatório do FMI, vem dar razão a Sócrates, pelas reformas que quis impor, no seu primeiro governo.Como escrevi, em anteriores artigos, algumas foram muito criticadas,  ou impossibilitada a sua concretização, pelos mesmos que já sabotaram a implementação do Memorando e, agora  ,condenam o Relatório: os beneficiados com reformas douradas, as corporações que capturaram o Estado, isto é, Maçonarias, Opus Dei, Organizações Secretas, discretas e afins!

As condições sociais em que vive a generalidade dos portugueses.A situação dos operários e trabalhadores manuais, que vivem com o salário mínimo ou até inferior. As centenas de milhar de desempregados, muitos dos quais sem esperança de voltar a poder trabalhar. A precariedade laboral trabalhadores, entre os quais os jovens licenciados, que começaram a trabalhar nestes últimos anos, com salários ou vencimentos de metade ou um terço, dos funcionários que foram substituir, nada preocupa as elites e os instalados no sistema. Todas estas pessoas, só podem ficar revoltadas, ao ouvir a actual contestação às reformas do Estado, enquanto as desigualdades de que são vítimas, são omitidas.

 Tem-se visto as mais variadas teses de demagogia, contra os cortes nos vencimentos e nas pensões mais elevadas, vinculadas pelos média, particularmente pelas televisões. Porém, a dar crédito ao que foi publicado pelo Jornal O Sol, os adjectivos de critica e condenação do OGE, contidos no pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento, ultrapassam o que é admissível ser dito ou escrito, por um Presidente da República!

Com que direito, qual a ética republicana, com que crédito de transparência é que Cavaco Silva, e os dois  presidentes que o antecederam, criticam, condenam e sabotam, objectivamente, as reformas necessárias para sairmos da dependência da Troika, quando eles tem altas responsabilidades na situação a que o pais chegou, ainda que fosse apenas por omissão?

 Porque anda grande parte da elite, particularmente os intelectuais, a criticar o FMI e a Troika, acusando-os de "incompetentes e funcionários de segunda ordem", quando foi a elite portuguesa a responsável, por perder-mos a independência financeira e, no espaço de três décadas, terem levado o pais à "banca rota"?
Porque, como já escrevi algumas vezes, a elite nacional NEM SABE GOVERNAR, NEM DEIXAM QUE NOS GOVERNEM...MAS TEM SABIDO GOVERNAR-SE!

Nota: Após a crítica de alguns amigos, à forma como estava escrito alguns parágrafos, entendi corrigir o texto, ontem  publicado, mas sem alterações de conteúdo.