terça-feira, 25 de junho de 2013

PERMITIRÁ A NOMENKLATURA, A REFORMA DO ACTUAL SISTEMA POLÍTICO ? DUVIDO!




A palavra, NOMENKLATURA, designava a classe dirigente dos sistemas socialistas soviéticos e afins. Após a queda do "Muro de Berlim", esta palavra desapareceu do léxico político. Em termos simplistas, o sistema social fascista, como então se designava, através da propaganda e da mentira, afirmava que tudo estava bem, o povo vivia no melhor dos mundos e a "sociedade socialista", era invencível pelo capitalismo. Simplesmente, quem tinha tudo, benesses e regalias e a propriedade do Estado ao seu serviço, era apenas a NOMENKLATURA, dirigida pelo KGB, que acabou quando o povo se revoltou!

Que tem a ver aquele sistema político, com a realidade portuguesa, perguntarão alguns leitores? Aparentemente, nada. Temos partidos políticos, sindicatos, organizações patronais, organizações cívicas, liberdade, democracia e um sistema político, formalmente, democrático e progressista. Todavia, a maioria das pessoas não se sentem representadas pelos partidos ou sindicatos, não acreditam nos governos, no Presidente da República e nos vários órgãos do estado e, ainda menos, nos dirigentes autárquicos, porque? Porque o verdadeiro poder está à margem do povo, a generalidade destas organizações são apenas "fachada". O poder que tudo decide e controla, está concentrado no "Quartel General dos interesses instalados"-Maçonarias, Opus Dei, Serviços e Organizações Secretas, Discretas e Afins!

Esta percepção, da realidade política do nosso país, é assumida por alguns analistas e estudiosos do sistema opaco de poder, através da publicação de livros e artigos em jornais e revistas, sobre as maçonarias e o Opus Dei. O desinteresse e hostilidade das pessoas é tão evidente, que cada vez mais políticos, sentem a necessidade de vir a público "defender" reformas, mas quase sempre afirmando, que a reforma é possível dentro do actual contexto político e constitucional. Atente-se no seguinte paradoxo: Para não recuar mais no tempo, afirmo sem margem para erro, que há um quarto de século se fala em reformas, reformas estruturais, por vezes até se nomeiam comissões, mas...nada de substancial se altera. 

Todos os partidos na oposição defendem reformas, raramente com especificação das medidas e, logo que chegam ao governo, mesmo que ensaiem alguma medida substancial, terão a oposição dos que saíram do anterior governo...para tentar captar o descontentamento das pessoas atingidas. Temos porém ainda mais um paradoxo, aqueles que não tem feito formalmente parte do governo, recusam toda e qualquer reforma, desde que não seja apresentadas por eles, estando sempre disponíveis para ajudar a derrubar qualquer governo, como aconteceu ao último de Sócrates

Por estas e outras razões, que o espaço não me permite abordar, desde o 25 de Abril, que o FMI e agora com o BCE e a CE, tiveram que vir três vezes em nosso apoio, para não cair-mos em banca rota, mas perdendo temporariamente a nossa independência, na tomada de decisões. Aqui chegados, temos a Troika ,que fez aprovar o Memorando, pelo PS, PSD e CDS e, para não variar, com a oposição do PCP e BE. Apoiei desde início e continuo a apoiar, o Memorando da Troika, pois este continha um conjunto de medidas contra os interesses instalados que, a ser aplicado, reformaria todo o aparelho de Estado e as autarquias, pela primeira vez desde o 25 de Abril.

A consciência que tinha da grave crise económica e financeira, que existia em 2011. O facto dos partidos do "arco da governação",  terem subscrito o Memorando. O Discurso de despedida de Sócrates e as posições políticas, iniciais, de António José Seguro, alimentaram-me a esperança, que as reformas previstas no Memorando seriam concretizadas. Mas... subavaliei o enorme poder e influência, do "Quartel General" dos interesses instalados, que constitui uma autêntica NOMENKLATURA. Logo que foram atingidos, minimamente, os seus interesses, começou a sabotagem das reformas, a crítica à Troika, a divisão nos partidos e a luta feroz das corporações, pela manutenção dos seus privilégios!

Estes últimos dias, estão repletos de acontecimentos tão graves, que tudo leva a querer que vai levar a novo impasse político, senão vejamos: O CDS, continua com a demagogia do costume, dando a entender, que poderá abandonar o governo. No PSD, já ninguém se entende, todos começaram no tiro ao Gaspar, muitos dos quais tinham apoiado, as suas medidas iniciais. O PS, tentando cavalgar no descontentamento das pessoas, pede eleições antecipadas e recusa todas as reformas do governo, ainda que sabendo que se fosse poder, como já quer, teria que aplicar as mesmas medidas. O Governo, voltou a não tornar público, o guião para as reformas do Estado. O Ministro Nuno Crato, acaba de ceder em toda a linha aos sindicatos dos professores reconhecendo, mais uma vez, que quem manda no seu Ministério é o Nogueira, através da Fenprof. Os sindicatos vão para nova greve geral . As organizações patronais, afirmam que a austeridade falhou, isto é, deixaram de apoiar o Ministro das Finanças Victor Gaspar, e o Governo. Quanto ao eventual papel do Presidente da República...perdeu toda a autoridade e credibilidade. 

Paralelamente aos factos atrás referido, Mário Soares, comportando-se como um Rei sem Trono, continua a escrever artigos e a dar entrevistas, quase diariamente, a pedir a demissão do Governo. Permite que a comunicação social tenha conhecimento, do seu encontro "privado" com José Sócrates, certamente para coordenar melhor as entrevistas que este dá ao fim de semana, onde demonstra, que já esqueceu o seu discurso de despedida, que foi o anterior Primeiro Ministro e que, se tivesse ganho as eleições, teria que ser ele a liderar a aplicação do Memorando.

Em síntese: Os interesses instalados, não aceitam reformas que os possam atingir. Os partidos do Governo, já não conseguem governar o país, mas não querem abandonar as benesses do poder. O PS, está disposto a tudo para ser governo, para entregar os "tachos" aos mesmos do costume, porque o sector público já  não dá para instalar todos os "jotas", nem os privados estão em condições de dar lugar a todos os quadros "desempregados. O PCP e o BE, tudo farão para impedir qualquer reforma no sistema, para manter os seus quadros no Parlamento, na função pública e nas autarquias e nos sindicatos. Todos conhecem a crise e a relativa decadência da Europa, mas não aceitam alterar o seu nível de vida de ricos, nem que seja à custa da generalização de pobreza, para a maioria dos portugueses.

As eleições autárquicas, estão já aí, sem qualquer reforma digna desse nome, porque o lobby autárquico, que domina os partidos em termos eleitorais internos, assim obrigou o PS e o PSD, este não resistindo sequer, à imposição de candidaturas completamente contrárias à lei. Hoje, Pedro Adão e Silva, através da apresentação do seu livro "E Agora?", deu pretexto para quase toda "a família" socialista se reunisse, em torno de uma alternativa ao actual Governo. Enquanto isto vem acontecendo, os indícios de corrupção alastram como manchas de óleo, ao mesmo tempo que já quase  ninguém acredita na justiça e nos tribunais.Ninguém parece querer assumir a responsabilidade de cumprir o Memorando, enquanto os juros voltaram a subir para níveis incomportáveis.

 Em conclusão, o descontentamento da juventude desempregada aumenta e, simultâneamente, a desconfiança nos partidos, sindicatos e em todo o sistema político. A NOMENKLATURA, parece ainda continuar a acreditar no sistema, que "o povo é sereno", e não parece disposta a mudar de vida. Neste contexto, futuras eleições para uma nova Assembleia da República e novo Governo, resolverão  os problemas financeiros, económicos, políticos e sociais em que o país está mergulhado? Perante o descalabro iminente, novo governo saído de eleições, assumirá reformar o sistema político e constitucional? Cada dia que passa, acredito menos nessa possibilidade! Como muitas vezes se tem escrito, somos "um povo que não se sabe governar, nem deixa que outros governem"! Talvez ...um movimento, ou levantamento de pessoas, como está a acontecer no Brasil...possa indicar o caminho das reformas!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O PAI, O FILHO E A FAMÍLIA NÃO SE ENTENDEM, OU QUEREM ENGANAR-NOS?




A política portuguesa é uma farsa. Os políticos parecem ser comediantes. O espectáculo é degradante e  a assistência só aparece quando é paga. Perante esta realidade, os políticos desempregados da maioria e os da oposição, inesperadamente invadiram as televisões com toda a forma de debates. Para discutirem perante os portugueses a razão da crise? Denunciar quem roubou e ganhou com os escândalos financeiros? Para explicar, porque depois do 25 de Abril, já caímos três vezes em banca rota? Para oferecerem uma alternativa política? Vejamos, em primeiro lugar, o que se passa no PS.

Nos últimos dias, assistimos às mais variadas afirmações de Mário Soares, para tentar juntar as esquerdas, procurar uma alternativa e derrotar o governo de Passos Coelho, que tanto tinha elogiado no início. Ao mesmo tempo, João Soares, no Parlamento e nas televisões, lança um apelo de charme ao CDS, para abandonar o governo, provocar novas eleições e formar maioria com o PS. Francisco Assis, defende alianças à direita. Os jovens deputados do PS, até há pouco tempo capitaneados por António Costa, lutam por unir as esquerdas. Entretanto, Manuel Alegre afirma, que a esquerda portuguesa, não serve para nada. E o Secretário Geral do PS, que era pressuposto dirigir o partido, o que é que defende? A união com os portugueses!!! O Pai defende uma coisa, o Filho outra e, o resto da família, vai dizendo o que lhe apetece!

Quanto ao PSD, passamos do tempo em que todos os Barões estavam contra Sócrates, para a situação actual, em que ninguém defende o governo, todos recusam eleições para que  o pote de mel continue a ser administrado pelo partido e o possam repartir. Ao mesmo tempo, muitos distanciam-se das políticas governamentais, com o único objectivo de poderem ser uma alternativa interna. Diferente de todos e com um radicalismo crítico, só comparável ao último período do governo de Sócrates, temos o Pacheco Pereira que, ao que parece, esqueceu  já o período da "esquerda liberal", criticando hoje o liberalismo do governo, para defender o neo-corporativismo, objectivamente, os interesses instalados no Estado.

No reino do "Príncipe" tudo é possível acontecer. Participam no governo, criticam a austeridade em nome da sua "raiz cristã"  e justificam as medidas para se manterem no poder. Afirmam incompatibilidades com algumas medidas do Gaspar, para aumentar o preço, que os socialistas terão de pagar para os terem a seu lado. Um dos aspectos mais interessantes da degradação da política portuguesa, é o facto de Paulo Portas ser elogiado por quase todos os adversários, respeitado pela Elite, quando é certamente o maior demagogo, já mudou de ideologia três vezes, alterações políticas são incontáveis e, de promessas eleitorais, quase todas foram feitas para enganar os desprotegidos!

Perante este espectáculo degradante dos três partidos, será natural, que os poucos portugueses que ainda se interessam pela política e pelos reflexos que tem na vida de cada um, perguntem: Qual é a alternativa política para o país, que estes partidos defendem? Manter, por todas as formas possíveis, os seus interesses e de todos que eles representam e defendem, direi eu. Cada um dos partidos, tudo faz para liderar o poder, instalar a sua máquina partidária e arranjar lugares para os amigos. Depois, distribuem pelos outros, os lugares ainda disponíveis no aparelho do Estado. Será por mero acaso, que actualmente, os três líderes parlamentares são membros da Maçonaria? 

Nesta comédia, qual é o papel do PCP, BE e Verdes? Ser contra! Contra qualquer reforma que diminua as benesses dos políticos, dos autarcas, dos sindicalistas e de todos os funcionários públicos. Contra qualquer reforma que modernize e organize o Estado. Contra as directivas da União Europeia, ainda que exijam sempre mais fundos, para alimentar todos os instalados no sistema, de que fazem parte. Contra o FMI, Troika ou outro organismo internacional, que nos exija o pagamento das dívidas, que eles também ajudaram a criar. Contra todos os governos, da esquerda ou da direita. No passado recente uniram-se com a direita para derrotar Sócrates, actualmente querem juntar-se ao PS, para derrubar Passos Coelho. Hoje, como anteriormente, o que pretendem acima de tudo é evitar a mudança, as reformas indispensáveis do Estado.

Conscientes de que o espectáculo que estão a realizar há muito tempo, estava a deixar de interessar, mobilizar ou enganar o POVO, o "Quartel General" dos interesses instalados, decidiu ocupar as televisões diariamente. Assim, assistimos diariamente à discussão de pretensas divergências. Ficamos perplexos com as convergências na defesa das reformas douradas. Facilmente se colocam de acordo, sobre as reformas que não aceitam e nunca nas que devem ser feitas. Responsabilizam tudo o que é organização internacional, pelos nossos problemas, sem nunca assumiram que a culpa é nossa. Finalmente, para descarregar a consciência da merda que tem feito, encontram agora nos Alemães e na Chanceler Merkel, as razões da nossa crise, porque deixaram de nos emprestar mais dinheiro, para continuar em festa a fazer a vida de ricos, quando não produzimos o suficiente para nos alimentar e não aproveitamos o que nos deram, para  desenvolver e modernizar o país!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

COMEMORO O 25 DE ABRIL, COM MAIS SENTIMENTOS DE REVOLTA, DO QUE ALEGRIA!



Aparentemente, teria todas as razões para sentir alegria, pela comemoração de mais um aniversário do 25 de Abril. Deveria, até, sentir felicidade pelas referências ao Dia da Libertação, feitas pelos órgãos de comunicação social tradicional e, particularmente, pelas redes sociais. Contudo, invade-me um sentimento de revolta por constatar, ao longo dos anos, que passado a Festa da Liberdade, a generalidade do povo esquece a necessidade de continuar a lutar pela Liberdade, Democracia e Progresso Social.

Nestes últimos dias, em que a primavera nos presenteou com um Sol radiante, fomos como que inundados, por uma chuva de palavras e imagens, algumas novas e belas outras tiradas do "baú" das recordações, levando muitas pessoas a pensar, que assim lavarão as encostas dos montes cheias de corruptos, alimentados nos interesses instalados. É essa ilusão que nos continua a condicionar, para fazer o que é preciso e que me impede de sentir alegria.

Enquanto uma parte,cada vez menor, do Povo festeja na rua o 25 de Abril, os interesses instalados representados na Assembleia da República e nas Autarquias, continuam com discursos rituais e auto-elogiosos, onde as pessoas não participam por não se sentirem representadas. Passado o dia das comemorações, as pessoas regressam à sua "vidinha".

 Ao mesmo tempo que a crise social se acentua. deixamos à solta o actual poder político corrupto, que continua impune à crise, e continuará a fazer-nos pagar os roubos escandalosos ao erário público e as gestões ruinosas das empresas públicas. 

Paralelamente, tudo fazem para nos tentar convencer, que os nossos inimigos são os representantes dos credores (Troika) e não os políticos e banqueiros que nos tem governado ao longo dos anos, em nome do "Quartel General" dos interesses instalados, muitos dos quais, num país civilizado, estariam a pagar na prisão os crimes que tem cometido!

É por estas razões e muitas outras que tenho abordado em artigos anteriores, que comemoro o 25 de Abril e o meu regresso a Portugal, com mais sentimentos de revolta, do que alegria!

domingo, 7 de abril de 2013

Nota informativa.


Aos meus leitores regulares, tenho a informar, que por razões de oportunidade e também, por maior e mais rápida divulgação, tenho escrito vários comentários na minha página do Facebook. 

Espero, em breve, voltar aos artigos de fundo a publicar nesta página.

Obrigado

Bexiga Lopes

quarta-feira, 27 de março de 2013

O FUTURO DA POLÍTICA PORTUGUESA, PASSARÁ PELO REGRESSO AO PASSADO, POR SÓCRATES?




O futuro da política portuguesa, passará pelo regresso ao passado, por Sócrates? Tenho dúvidas! Contudo, há um facto indiscutível: o regresso de Sócrates à cena política, alterou as regras do jogo partidário. A polémica desencadeada pelo anúncio da entrevista à RTP, com centenas de comentários em todos os órgãos de informação, nas redes sociais com várias e antagónicas petições, tinha já dado uma imagem de desespero de uns e pânico de outros, em especial no espectro político da direita.

Na entrevista, Sócrates foi demolidor, apesar das tentativas dos entrevistadores para dificultar o seu raciocínio e exposição de ideias. Preparado como sempre, rebateu e contrariou com factos e números, as perguntas/afirmações e insinuações dos dois jornalistas. Não fiquei surpreendido, com a firmeza como se defendeu dos ataques, há muitos anos que o conheço pessoalmente e, por essa razão, não vou analisar o conteúdo da entrevista, mas antes as reacções e eventuais consequências.

Não me recordo de alguma vez ter acontecido, que uma entrevista dada por um político a um canal de televisão generalista, tenha provocado emissões especiais na SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24. Só este facto, confirma a relevância política de Sócrates e a necessidade dos seus opositores reagirem de imediato. Procurei acompanhar na medida do possível, a forma como os vários comentadores analisavam o conteúdo da entrevista e o comportamento de Sócrates. Parecia que tinha acontecido um terramoto. Só o Miguel Sousa Tavares estava com o semblante normal, até mesmo um pouco sorridente, todos os outros, ou tinham "sorriso amarelo" ou apresentavam  um semblante de pesadelo, inclusive o João Galamba, que é conhecido como seu apoiante.

A generalidade dos comentadores, incapazes de contrariar os números e factos apresentados por Sócrates. preferiam falar em desejo de vingança, especular sobre os seus objectivos políticos, realçar a sua combatividade e preparação mas...sempre desvalorizando as suas opiniões políticas. A direita, representada por políticos ou comentadores, revelava pânico e começou logo no ataque com todo o manancial de deturpações,  responsabilizando Sócrates pela situação em que vivemos.

 A esquerda, estava toda incomodada, apesar do aparente apoio de um ou outro político ou comentador afecto ao PS. Em suma, o reaparecimento  de Sócrates, num momento em que a crise política e social se agrava, constituiu o maior facto político dos últimos tempos e vai, necessariamente, provocar grande agitação nos partidos, governo e presidência da república.

Significa que tudo o que referi, implica que o o futuro político, económico e social passa pelo regresso ao passado, por José Sócrates? Como referi no início, tenho dúvidas. É verdade que há falta de liderança política em Portugal e Sócrates é um líder nato. É indiscutível que ele é odiado por muitos portugueses, mas continua a ser respeitado e desejado por outros. Porem, o problema principal do nosso regime político, é que foi e está capturado pelas corporações,pelos interesses instalados que controlam os partidos.

  Este governo, como o anterior, revelam-se incapazes de fazer as reformas que decorriam dos PEC e das que eram exigidas, inicialmente, pela Troika, porque a maioria dos dirigentes políticos e o Governo, estão condicionados pelo capital financeiro, pelos grandes grupos económicos e pelas elites que capturaram o estado. Sem democratização do regime, através da participação e manifestação das pessoas, nada de fundamental vai mudar. Sócrates vai abanar as actuais lideranças políticas e o Governo, mas nada nos garante que ele possa, ou queira, dar algum contributo para a democratização e transformação dos partidos.

domingo, 3 de março de 2013

O CAUDAL HUMANO DAS MANIFESTAÇÕES DESAGUARÁ NO MAR DO POPULISMO, OU NA FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO?




O caudal humano das manifestações, desaguará no mar do populismo, ou na formação de um novo partido? Os grandes protestos ontem realizados, principalmente em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, constitui apenas um aviso para o governo, para os partidos e sindicatos, ou apenas um protesto contra a troika? Assisti , através das reportagens realizadas pelos vários canais das televisões, ao desenrolar de todas as manifestações, de entrevistas de anónimos, de dirigentes políticos  e sindicais e de alguns discursos de encerramento, com todos a cantar Grândola Vila Morena!

Durante horas, foi sendo criticado muitas das medidas de austeridade, através de cartazes e de palavras dos entrevistados, ainda que muitas das pessoas, apenas se referissem à sua situação pessoal ou familiar. Viu-se e ouviu-se também, muitas críticas ao governo e, acima de tudo, a sua condenação com pedidos de demissão. Relevante, ainda, foram as críticas ao Presidente Cavaco Silva, através do maior apupo na concentração do Terreiro do Paço. Porém, o que mais se destacou foi as palavras contra a Troika, exigindo a sua saída.

Entretanto, não consegui ver qualquer cartaz contra os interesses instalados, nem ouvi qualquer declaração contra os privilégios das corporações, com a excepção da condenação dos Bancos. Porque afirmar "que se lixe a troika", quando muitos dos que lá estavam, recusaram as reformas previstas  no PEC IV e, consequentemente, contribuíram para a vinda da Troika e para a formação do actual Governo?

Apesar dos organizadores terem defendido sempre, que se tratava de manifestações de cidadania, alguns partidos procuraram aproveitar-se o que, segundo foi afirmado, gerou contestação e algumas escaramuças. Todavia, com a colaboração dos repórteres televisivos, dirigentes do PS, PCP, BE e da CGTP, fizeram vários comentários sobre as manifestações e, naturalmente, para condenar o Governo e a Troika, enquanto os organizadores se remeteram ao silêncio, ou foram esquecidos.

Como nos discursos finais, não foi defendida qualquer alternativa de governo, nem sequer o pedido de novas eleições, apesar da participação e apoio às manifestações por parte dos partidos de esquerda, é relevante questionar, os verdadeiros objectivos dos organizadores e dos participantes destas grandes movimentações de força da população portuguesa, ou mais propriamente, das chamadas classes médias.

É minha opinião, que as manifestações foram contra tudo e contra todos. Foi explícita, na condenação do Governo e da Troika, implícita na crítica aos partidos e sindicatos, na medida em que foi omitida a sua participação ou as suas propostas políticas como alternativa ao actual governo.Para que serviu a saída às ruas de tão grande massa humana? Criar base de apoio para novo partido democrático?

 Espero estar enganado, mas é minha convicção que o populismo está a crescer, como foi mais evidente ontem, do que na manifestação de Setembro. Sem novo enquadramento partidário, o descontentamento evidenciado, pode degenerar e alimentar a constituição de movimentos populistas e antidemocráticos.

Porém, como os actuais partidos não demonstram qualquer vontade de mudança interna, nem interesse em permitir convergências ínter partidárias, para as reformas necessárias do sistema político, certamente como consequência de estarem dominados pelos interesses instalados, não nos parece nada fácil, se é que é possível superar a actual situação, dentro do actual quadro democrático.

Tendo em conta que a austeridade vai continuar em Portugal e outros países europeus, com a consequente diminuição dos níveis de vida das chamadas classes médias. Constatando-se que as corporações e as camadas sociais que tem sido privilegiadas, continuam a resistir e a saber defender-se, ainda é mais urgente clarificar, quais são os "inimigos" internos dos portugueses.

 Simultâneamente, é indispensável saber como aproveitar o capital político, destas manifestações de descontentes, para pressionar as reformas políticas, que o país precisa. Admito, que os organizadores e a maioria dos participantes do movimento 2 de Março, tem responsabilidades no processo. Esperamos que saibam estar à altura dos acontecimentos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Elite Portuguesa, Para Manter Os Seus Privilégios, Admite Sair Da UE E Voltar-mos A Ser Um Protétorado Da Inglaterra!




Tinha pensado recomeçar a escrever, artigos sobre a situação política, económica e social portuguesa, só depois de concluir a leitura de alguns livros. No entanto, apesar de já ter as notas preparadas, sinto-me obrigado a suspender a redacção desses artigos, para voltar novamente às questões relacionadas com a elite  portuguesa, ou o que se considera como tal

A "gota que fez transbordar o copo", foi a entrevista de Manuel Alegre, na SIC Notícias, hoje 28 de Fevereiro. Já à vários anos que constato, que o passado revolucionário de Manuel Alegre e a sua prática política, individualista e elitista, tem dois objectivos precisos: culto da personalidade e defesa dos interesses instalados, dos quais também benificia. Contudo, nunca pensei ouvir da sua parte, a necessidade de Portugal ter um plano B, para a eventual saída da Europa e a defesa de nova Aliança com o Inglaterra. Onde já vai o slogan "A Europa Connosco" e o grande contributo que deu para o fim do isolamento português , imposto por Salazar

Quase à mesma hora, na TVI 24, Santana Lopes PSD, Francisco Assis PS e Fernando Rosa BE, num tom grave, consideravam as afirmações de Durão Barroso, uma afronta ao povo português. Isto porque, o Presidente da Comissão Europeia, tinha afirmado, que as opções políticas aplicadas em Portugal, tinham contribuído para a situação de banca rota que nos encontramos e, ainda, que não fora o apoio de outros países, estaríamos ainda pior, sendo sua opinião,que a UE não é a base do problema mas da solução!

Actualmente são raros os intelectuais, nos vários ramos do saber, que tem a vontade de fazer e a frontalidade de assumir, uma análise objectiva da realidade política, económica e social portuguesa. Tal facto deriva da consciência, não assumida, de que as reformas definidas no Memorando da Troika e, agora,  em parte reassumidas no Relatório do FMI, são contra os privilégios das elites portuguesas, de que fazem parte. 

Como consequência, a generalidade dos analistas e comentadores aborda, parcialmente, o problema da dívida pública. Admitem a austeridade e as reformas, desde que não os atinja. Criticam a Troika, mas não conseguem contestar a veracidade dos factos apresentados no Memorando. Responsabilizam a União europeia pela situação em que vivemos, para tentarem fugir às suas responsabilidades.

O "movimento elitista anti Sócrates", afirmava que a situação que nos levou ao pedido de intervenção da Troika, era uma consequência das políticas nacionais. Ao desvalorizar  a componente europeia e internacional, a aliança da direita à extrema "esquerda" e os instalados do PS, que tudo fizeram para impedir várias reformas no primeiro governo de Sócrates,  ainda chumbaram o PEC IV, na convicção que evitariam mais uma vez,  os cortes nos vencimentos, as reformas estruturais e a consequente austeridade.

Todavia,quando algumas medidas começaram da atingir as elites e as chamadas classes médias, a resistência destas aumentou, viraram de agulha, para  criticar a Comunidade Europeia e passar a defender mais Europa. Ou seja, quase todos começaram a afirmar que a solução da crise financeira passava pelo Euro, pela mutualização da dívida e pela transformação da União Europeia em Federação. Entretanto, como os credores representados pela Troika, continuam a exigir as reformas estruturais, para acabar com os privilégios dos políticos, militares, juízes, médicos e professores, entre outros, as elites instaladas voltaram a mudar de estratégia.

Ainda que utilizando terminologias diferenciadas, temos assistido nos últimos meses, a um numeroso grupo de autores, que começaram por criticar  a austeridade imposta pela Comissão Europeia. Responsabilizam a moeda única e admitem a desintegração ou saída da UE, porque não querem ser dirigidos pelos Alemães, já não apenas, pela Merkel. Ainda que a maioria deles, valorizem mais o triângulo -Lisboa, Luanda e Brasília - como forma de nova estratégia geopolítica, para pressionar a Europa a satisfazer "os nossos interesses", para Adriano Moreira e Mário Soares, a CPLP deve ser encarada como alternativa estratégica. Nos últimos dias e com estratégia política idêntica, os Oficiais e Generais das Forças Armadas, através de reuniões e declarações, deixaram avisos claros que não querem ceder, nem nos privilégios, nem aceitar a liderança Alemã!

Outros dos autores, que vão reflectindo sobre a crise, duvidando da nossa capacidade de influenciar o triângulo lusófono, prefere equacionar as nossas tradicionais ligações à América e particularmente à Inglaterra, como o fez Manuela Alegre. Em síntese, as elites portuguesas que esbanjaram os fundos vindos da UE para  construções megalómanas, corrupção e vida faustosa, preparam-se para encontrar uma potência, que lhes permita manter os privilégios, à custa da generalidade do povo e da nossa integração na União Europeia, base indispensável para o nosso desenvolvimento e progresso social!