domingo, 15 de setembro de 2013

O MEU VOTO DE PROTESTO: NÃO VOTAR NOS PARTIDOS REPRESENTADOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA!




O meu voto de protesto: Não votar nos partidos representados na Assembleia da República!
Pela primeira vez, após o 25 de Abril, não voto em qualquer partido. O facto de ainda estar inscrito no PS, não me impede de assumir um voto de consciência, de protesto contra a situação de protectorado em que o país se encontra, de revolta pelas condições existentes no mundo do trabalho, porque:

É meu dever protestar contra os dirigentes políticos, que desde a implantação da democracia, já permitiram ou contribuíram para o país cair em banca rota por três vezes. Condeno, particularmente, os responsáveis pela situação económica e social actual, quando estamos na União Europeia há um quarto de século, da qual recebemos centenas de milhares de milhões de euros para nos modernizar e desenvolver. Não quero continuar a viver num país onde os PRIVILEGIADOS tem tudo, como é documentado no livro de Gustavo Sampaio, "Os Privilegiados".

É ainda meu dever, protestar contra as pessoas e os partidos que impediram a aprovação do PEC IV, contra os que assinaram o Memorando e tudo tem feito para não o aplicar, contra os partidos que não o assinaram mas contribuíram para a situação em que vivemos e sabem que não há alternativa a ter que pagar aos credores, mas tudo fazem para gerar uma crise política, na esperança de ser protelado o pagamento da dívida e, assim, poderem continuar com os seus interesses instalados nos sindicatos, em muitas câmaras municipais e alguns organismos do estado, recusando toda e qualquer reforma.

O conhecimento que julgo ter da realidade portuguesa, obriga-me a protestar contra as desigualdades sociais, a criticar os actores políticos que pouco ou nada fizeram para as diminuir, e a condenar a Elite portuguesa, que tudo tem feito para manter e até agravar a diferença nas classes sociais, para poder manter o seu estatuto de viver na ociosidade e das rendas do Estado, que voltaram a capturar. É um factomque aceitaram a abertura de novas universidades e o alargamento do ensino a alguns novos sectores da população, mas logo baixaram as exigências e a qualidade do ensino e, simultâneamente, fizeram dele um negócio rentável onde os escândalos e  a corrupção foram predominantes. Esta Elite sem vergonha dá, diariamente nas televisões, um espectáculo degradante na defesa das suas reformas douradas, onde demonstra um desprezo profundo pelos que trabalham, os quais recebem menos duma décima parte do que eles ganham de pensão, apesar de não terem carreira contributiva correspondente.

Como activista político e cidadão consciente e informado, não posso deixar de protestar contra a quantidade de auto estradas e scutes, hospitais onde não faziam falta, obras megalómanas, parcialmente utilizadas, como os estádios de futebol, etc, etc. Quase tudo construído para satisfazer a vaidade, os interesses e até a corrupção de muitos dos políticos, dar lucros exorbitantes para as empresas de construção civil, de serviços e outras e, fundamentalmente, para reforçar o poder e o controle dos bancos sobre o país. Paralelamente, como não se desenvolveu o país, não se diminuiu as desigualdades e muitos dos interesses instalados viviam dos mais variados subsídios, à medida que começaram a ser cortados, as auto estradas ficaram vazias e a generalidade dos outros empreendimentos, abandonados ou subutilizados. O povo português não tem que continuar a suportar a corrupção existente, tal como é descrita no livro de Paulo de Morais, "Da corrupção à crise, que fazer?"

Como ex autarca, não executivo, não poderei deixar de voltar a condenar o oportunismo e o escândalo que constituiu a não aplicação da lei de limitação de mandatos, contra os dinossauros e a não extinção de parte dos municípios. Não poderei deixar de protestar contra o desperdício de dinheiros públicos pela generalidade das autarquias, que muito contribuiu para o endividamento do país. Não construíram apenas rotundas por todo o lado, piscinas e pavilhões gimnodesportivos próximos uns dos outros, em concelhos diferentes. Permitiram e fomentaram, a construção de um enorme parque habitacional em zonas agrícolas e até em reservas naturais e outras, enquanto abandonaram a restauração da habitação nos centros das cidades, das vilas e algumas aldeias. Como exemplo do desperdício e da corrupção, será suficiente lembrar, que conseguiram construir equipamentos sobre distribuição de água e tratamento de águas residuais, suficiente para uma população quatro vezes superior! Muitos equipamentos ou nunca funcionaram ou não foram concluídos por desnecessários e alguns estão fechados, porque o custo do seu funcionamento é incomportável.

O meu voto de protesto, é ainda contra a situação política económica e social reinante no município a que pertenço, controlado nos últimos dezasseis anos pelo PS. Aparentemente, a situação irá mudar com a não candidatura da actual presidente. Todavia, como o candidato a presidente, é o actual vice presidente, não lhe ser reconhecido qualquer estratégia política para o concelho e, principalmente, o facto da ainda presidente continuar como principal protagonista e tudo controlar na campanha, indicia que nada irá mudar. Ela continuará a controlar a actividade política e a gerir os negócios do concelho, como digna representante  dos interesses instalados, representados através de três acontecimentos elucidativos:

 Primeiro, mal iniciou o mandato, o Eduardo Rodrigues da Obriverca, afirmou em entrevista, que iria construir um bairro habitacional nos terrenos da Mague, que era zona industrial, conseguiu. Agora que a crise na construção é grande, a câmara vai construir a nova biblioteca (desnecessária), nos terrenos que eram do Eduardo Rodrigues e...acreditando em  algumas afirmações públicas, prepara-se para ficar com o Vila franca Centro. Segundo, em período algum se construiu e renovou tantas igrejas no concelho, como nos seus mandatos, enquanto no mesmo período, aniquilou a vida partidária do PS. Terceiro, durante todo o  seu mandato, prometeu fazer tudo para ser construído um novo hospital público, em Vila Franca. Finalmente, o "sonho"concretizou-se no seu mandato...entrou em funcionamento um NOVO HOSPITAL PRIVADO, através de mais uma  PPP!O país vai pagar, para manter rendas exorbitantes ao banco e os doentes irão pagando, como Bárbara Rosa e Rui Oliveira marques, autores do livro "má despesa pública nas autarquias", demonstram exemplarmente.

Finalmente, o meu voto de protesto é também contra a situação política existente na futura união de freguesias, onde resido. Primeiro, não posso apoiar um candidato, que andou a fazer propaganda contra a união de freguesias e agora quer ser seu presidente. Segundo, quem não demonstrou qualquer capacidade de liderança, como presidente da junta de Alhandra, não está preparado para liderar a União de Freguesias. Terceiro, tanto quanto julgo saber, a lista de candidatos foi constituída através de negociatas e até insultos pessoais, que não dignificam a política nem dá qualquer credibilidade aos autores.

Pelas razões expostas e muitas outras, que não menciono para não tornar ainda mais extenso o artigo, o meu voto de protesto é ANULAR O VOTO e não votar em branco, como inicialmente pensei, para nem sequer contribuir para aumentar o número de votos válidos e o respectivo subsídio, a atribuir aos partidos. Pensarão: mas esta opção constitui alternativa? Direi que não! Votaria numa lista de independentes? Seria e certamente será, uma alternativa para muitos eleitores, onde tiverem sido apresentadas essas listas. Todavia, o meu objectivo, não é apenas que numa ou noutra autarquia se acabe com o situacionismo e, ou, a corrupção. Relevante será, se o generalizado descontentamento com a situação política e social, com os políticos e com os autarcas, se traduzir num aumento, significativo, de votos em branco, votos nulos e  a abstenção se acentuar, em relação as eleições anteriores. Se assim acontecer, pode provocar um grande choque e revolta nos partidos, que os obrigue a mudar ou, não tendo esse efeito, possa contribuir para a formação de novos partidos e uma autentica democratização do regime que, segundo Paulo Morais e outros autores,  está a ficar moribundo!


terça-feira, 25 de junho de 2013

PERMITIRÁ A NOMENKLATURA, A REFORMA DO ACTUAL SISTEMA POLÍTICO ? DUVIDO!




A palavra, NOMENKLATURA, designava a classe dirigente dos sistemas socialistas soviéticos e afins. Após a queda do "Muro de Berlim", esta palavra desapareceu do léxico político. Em termos simplistas, o sistema social fascista, como então se designava, através da propaganda e da mentira, afirmava que tudo estava bem, o povo vivia no melhor dos mundos e a "sociedade socialista", era invencível pelo capitalismo. Simplesmente, quem tinha tudo, benesses e regalias e a propriedade do Estado ao seu serviço, era apenas a NOMENKLATURA, dirigida pelo KGB, que acabou quando o povo se revoltou!

Que tem a ver aquele sistema político, com a realidade portuguesa, perguntarão alguns leitores? Aparentemente, nada. Temos partidos políticos, sindicatos, organizações patronais, organizações cívicas, liberdade, democracia e um sistema político, formalmente, democrático e progressista. Todavia, a maioria das pessoas não se sentem representadas pelos partidos ou sindicatos, não acreditam nos governos, no Presidente da República e nos vários órgãos do estado e, ainda menos, nos dirigentes autárquicos, porque? Porque o verdadeiro poder está à margem do povo, a generalidade destas organizações são apenas "fachada". O poder que tudo decide e controla, está concentrado no "Quartel General dos interesses instalados"-Maçonarias, Opus Dei, Serviços e Organizações Secretas, Discretas e Afins!

Esta percepção, da realidade política do nosso país, é assumida por alguns analistas e estudiosos do sistema opaco de poder, através da publicação de livros e artigos em jornais e revistas, sobre as maçonarias e o Opus Dei. O desinteresse e hostilidade das pessoas é tão evidente, que cada vez mais políticos, sentem a necessidade de vir a público "defender" reformas, mas quase sempre afirmando, que a reforma é possível dentro do actual contexto político e constitucional. Atente-se no seguinte paradoxo: Para não recuar mais no tempo, afirmo sem margem para erro, que há um quarto de século se fala em reformas, reformas estruturais, por vezes até se nomeiam comissões, mas...nada de substancial se altera. 

Todos os partidos na oposição defendem reformas, raramente com especificação das medidas e, logo que chegam ao governo, mesmo que ensaiem alguma medida substancial, terão a oposição dos que saíram do anterior governo...para tentar captar o descontentamento das pessoas atingidas. Temos porém ainda mais um paradoxo, aqueles que não tem feito formalmente parte do governo, recusam toda e qualquer reforma, desde que não seja apresentadas por eles, estando sempre disponíveis para ajudar a derrubar qualquer governo, como aconteceu ao último de Sócrates

Por estas e outras razões, que o espaço não me permite abordar, desde o 25 de Abril, que o FMI e agora com o BCE e a CE, tiveram que vir três vezes em nosso apoio, para não cair-mos em banca rota, mas perdendo temporariamente a nossa independência, na tomada de decisões. Aqui chegados, temos a Troika ,que fez aprovar o Memorando, pelo PS, PSD e CDS e, para não variar, com a oposição do PCP e BE. Apoiei desde início e continuo a apoiar, o Memorando da Troika, pois este continha um conjunto de medidas contra os interesses instalados que, a ser aplicado, reformaria todo o aparelho de Estado e as autarquias, pela primeira vez desde o 25 de Abril.

A consciência que tinha da grave crise económica e financeira, que existia em 2011. O facto dos partidos do "arco da governação",  terem subscrito o Memorando. O Discurso de despedida de Sócrates e as posições políticas, iniciais, de António José Seguro, alimentaram-me a esperança, que as reformas previstas no Memorando seriam concretizadas. Mas... subavaliei o enorme poder e influência, do "Quartel General" dos interesses instalados, que constitui uma autêntica NOMENKLATURA. Logo que foram atingidos, minimamente, os seus interesses, começou a sabotagem das reformas, a crítica à Troika, a divisão nos partidos e a luta feroz das corporações, pela manutenção dos seus privilégios!

Estes últimos dias, estão repletos de acontecimentos tão graves, que tudo leva a querer que vai levar a novo impasse político, senão vejamos: O CDS, continua com a demagogia do costume, dando a entender, que poderá abandonar o governo. No PSD, já ninguém se entende, todos começaram no tiro ao Gaspar, muitos dos quais tinham apoiado, as suas medidas iniciais. O PS, tentando cavalgar no descontentamento das pessoas, pede eleições antecipadas e recusa todas as reformas do governo, ainda que sabendo que se fosse poder, como já quer, teria que aplicar as mesmas medidas. O Governo, voltou a não tornar público, o guião para as reformas do Estado. O Ministro Nuno Crato, acaba de ceder em toda a linha aos sindicatos dos professores reconhecendo, mais uma vez, que quem manda no seu Ministério é o Nogueira, através da Fenprof. Os sindicatos vão para nova greve geral . As organizações patronais, afirmam que a austeridade falhou, isto é, deixaram de apoiar o Ministro das Finanças Victor Gaspar, e o Governo. Quanto ao eventual papel do Presidente da República...perdeu toda a autoridade e credibilidade. 

Paralelamente aos factos atrás referido, Mário Soares, comportando-se como um Rei sem Trono, continua a escrever artigos e a dar entrevistas, quase diariamente, a pedir a demissão do Governo. Permite que a comunicação social tenha conhecimento, do seu encontro "privado" com José Sócrates, certamente para coordenar melhor as entrevistas que este dá ao fim de semana, onde demonstra, que já esqueceu o seu discurso de despedida, que foi o anterior Primeiro Ministro e que, se tivesse ganho as eleições, teria que ser ele a liderar a aplicação do Memorando.

Em síntese: Os interesses instalados, não aceitam reformas que os possam atingir. Os partidos do Governo, já não conseguem governar o país, mas não querem abandonar as benesses do poder. O PS, está disposto a tudo para ser governo, para entregar os "tachos" aos mesmos do costume, porque o sector público já  não dá para instalar todos os "jotas", nem os privados estão em condições de dar lugar a todos os quadros "desempregados. O PCP e o BE, tudo farão para impedir qualquer reforma no sistema, para manter os seus quadros no Parlamento, na função pública e nas autarquias e nos sindicatos. Todos conhecem a crise e a relativa decadência da Europa, mas não aceitam alterar o seu nível de vida de ricos, nem que seja à custa da generalização de pobreza, para a maioria dos portugueses.

As eleições autárquicas, estão já aí, sem qualquer reforma digna desse nome, porque o lobby autárquico, que domina os partidos em termos eleitorais internos, assim obrigou o PS e o PSD, este não resistindo sequer, à imposição de candidaturas completamente contrárias à lei. Hoje, Pedro Adão e Silva, através da apresentação do seu livro "E Agora?", deu pretexto para quase toda "a família" socialista se reunisse, em torno de uma alternativa ao actual Governo. Enquanto isto vem acontecendo, os indícios de corrupção alastram como manchas de óleo, ao mesmo tempo que já quase  ninguém acredita na justiça e nos tribunais.Ninguém parece querer assumir a responsabilidade de cumprir o Memorando, enquanto os juros voltaram a subir para níveis incomportáveis.

 Em conclusão, o descontentamento da juventude desempregada aumenta e, simultâneamente, a desconfiança nos partidos, sindicatos e em todo o sistema político. A NOMENKLATURA, parece ainda continuar a acreditar no sistema, que "o povo é sereno", e não parece disposta a mudar de vida. Neste contexto, futuras eleições para uma nova Assembleia da República e novo Governo, resolverão  os problemas financeiros, económicos, políticos e sociais em que o país está mergulhado? Perante o descalabro iminente, novo governo saído de eleições, assumirá reformar o sistema político e constitucional? Cada dia que passa, acredito menos nessa possibilidade! Como muitas vezes se tem escrito, somos "um povo que não se sabe governar, nem deixa que outros governem"! Talvez ...um movimento, ou levantamento de pessoas, como está a acontecer no Brasil...possa indicar o caminho das reformas!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O PAI, O FILHO E A FAMÍLIA NÃO SE ENTENDEM, OU QUEREM ENGANAR-NOS?




A política portuguesa é uma farsa. Os políticos parecem ser comediantes. O espectáculo é degradante e  a assistência só aparece quando é paga. Perante esta realidade, os políticos desempregados da maioria e os da oposição, inesperadamente invadiram as televisões com toda a forma de debates. Para discutirem perante os portugueses a razão da crise? Denunciar quem roubou e ganhou com os escândalos financeiros? Para explicar, porque depois do 25 de Abril, já caímos três vezes em banca rota? Para oferecerem uma alternativa política? Vejamos, em primeiro lugar, o que se passa no PS.

Nos últimos dias, assistimos às mais variadas afirmações de Mário Soares, para tentar juntar as esquerdas, procurar uma alternativa e derrotar o governo de Passos Coelho, que tanto tinha elogiado no início. Ao mesmo tempo, João Soares, no Parlamento e nas televisões, lança um apelo de charme ao CDS, para abandonar o governo, provocar novas eleições e formar maioria com o PS. Francisco Assis, defende alianças à direita. Os jovens deputados do PS, até há pouco tempo capitaneados por António Costa, lutam por unir as esquerdas. Entretanto, Manuel Alegre afirma, que a esquerda portuguesa, não serve para nada. E o Secretário Geral do PS, que era pressuposto dirigir o partido, o que é que defende? A união com os portugueses!!! O Pai defende uma coisa, o Filho outra e, o resto da família, vai dizendo o que lhe apetece!

Quanto ao PSD, passamos do tempo em que todos os Barões estavam contra Sócrates, para a situação actual, em que ninguém defende o governo, todos recusam eleições para que  o pote de mel continue a ser administrado pelo partido e o possam repartir. Ao mesmo tempo, muitos distanciam-se das políticas governamentais, com o único objectivo de poderem ser uma alternativa interna. Diferente de todos e com um radicalismo crítico, só comparável ao último período do governo de Sócrates, temos o Pacheco Pereira que, ao que parece, esqueceu  já o período da "esquerda liberal", criticando hoje o liberalismo do governo, para defender o neo-corporativismo, objectivamente, os interesses instalados no Estado.

No reino do "Príncipe" tudo é possível acontecer. Participam no governo, criticam a austeridade em nome da sua "raiz cristã"  e justificam as medidas para se manterem no poder. Afirmam incompatibilidades com algumas medidas do Gaspar, para aumentar o preço, que os socialistas terão de pagar para os terem a seu lado. Um dos aspectos mais interessantes da degradação da política portuguesa, é o facto de Paulo Portas ser elogiado por quase todos os adversários, respeitado pela Elite, quando é certamente o maior demagogo, já mudou de ideologia três vezes, alterações políticas são incontáveis e, de promessas eleitorais, quase todas foram feitas para enganar os desprotegidos!

Perante este espectáculo degradante dos três partidos, será natural, que os poucos portugueses que ainda se interessam pela política e pelos reflexos que tem na vida de cada um, perguntem: Qual é a alternativa política para o país, que estes partidos defendem? Manter, por todas as formas possíveis, os seus interesses e de todos que eles representam e defendem, direi eu. Cada um dos partidos, tudo faz para liderar o poder, instalar a sua máquina partidária e arranjar lugares para os amigos. Depois, distribuem pelos outros, os lugares ainda disponíveis no aparelho do Estado. Será por mero acaso, que actualmente, os três líderes parlamentares são membros da Maçonaria? 

Nesta comédia, qual é o papel do PCP, BE e Verdes? Ser contra! Contra qualquer reforma que diminua as benesses dos políticos, dos autarcas, dos sindicalistas e de todos os funcionários públicos. Contra qualquer reforma que modernize e organize o Estado. Contra as directivas da União Europeia, ainda que exijam sempre mais fundos, para alimentar todos os instalados no sistema, de que fazem parte. Contra o FMI, Troika ou outro organismo internacional, que nos exija o pagamento das dívidas, que eles também ajudaram a criar. Contra todos os governos, da esquerda ou da direita. No passado recente uniram-se com a direita para derrotar Sócrates, actualmente querem juntar-se ao PS, para derrubar Passos Coelho. Hoje, como anteriormente, o que pretendem acima de tudo é evitar a mudança, as reformas indispensáveis do Estado.

Conscientes de que o espectáculo que estão a realizar há muito tempo, estava a deixar de interessar, mobilizar ou enganar o POVO, o "Quartel General" dos interesses instalados, decidiu ocupar as televisões diariamente. Assim, assistimos diariamente à discussão de pretensas divergências. Ficamos perplexos com as convergências na defesa das reformas douradas. Facilmente se colocam de acordo, sobre as reformas que não aceitam e nunca nas que devem ser feitas. Responsabilizam tudo o que é organização internacional, pelos nossos problemas, sem nunca assumiram que a culpa é nossa. Finalmente, para descarregar a consciência da merda que tem feito, encontram agora nos Alemães e na Chanceler Merkel, as razões da nossa crise, porque deixaram de nos emprestar mais dinheiro, para continuar em festa a fazer a vida de ricos, quando não produzimos o suficiente para nos alimentar e não aproveitamos o que nos deram, para  desenvolver e modernizar o país!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

COMEMORO O 25 DE ABRIL, COM MAIS SENTIMENTOS DE REVOLTA, DO QUE ALEGRIA!



Aparentemente, teria todas as razões para sentir alegria, pela comemoração de mais um aniversário do 25 de Abril. Deveria, até, sentir felicidade pelas referências ao Dia da Libertação, feitas pelos órgãos de comunicação social tradicional e, particularmente, pelas redes sociais. Contudo, invade-me um sentimento de revolta por constatar, ao longo dos anos, que passado a Festa da Liberdade, a generalidade do povo esquece a necessidade de continuar a lutar pela Liberdade, Democracia e Progresso Social.

Nestes últimos dias, em que a primavera nos presenteou com um Sol radiante, fomos como que inundados, por uma chuva de palavras e imagens, algumas novas e belas outras tiradas do "baú" das recordações, levando muitas pessoas a pensar, que assim lavarão as encostas dos montes cheias de corruptos, alimentados nos interesses instalados. É essa ilusão que nos continua a condicionar, para fazer o que é preciso e que me impede de sentir alegria.

Enquanto uma parte,cada vez menor, do Povo festeja na rua o 25 de Abril, os interesses instalados representados na Assembleia da República e nas Autarquias, continuam com discursos rituais e auto-elogiosos, onde as pessoas não participam por não se sentirem representadas. Passado o dia das comemorações, as pessoas regressam à sua "vidinha".

 Ao mesmo tempo que a crise social se acentua. deixamos à solta o actual poder político corrupto, que continua impune à crise, e continuará a fazer-nos pagar os roubos escandalosos ao erário público e as gestões ruinosas das empresas públicas. 

Paralelamente, tudo fazem para nos tentar convencer, que os nossos inimigos são os representantes dos credores (Troika) e não os políticos e banqueiros que nos tem governado ao longo dos anos, em nome do "Quartel General" dos interesses instalados, muitos dos quais, num país civilizado, estariam a pagar na prisão os crimes que tem cometido!

É por estas razões e muitas outras que tenho abordado em artigos anteriores, que comemoro o 25 de Abril e o meu regresso a Portugal, com mais sentimentos de revolta, do que alegria!

domingo, 7 de abril de 2013

Nota informativa.


Aos meus leitores regulares, tenho a informar, que por razões de oportunidade e também, por maior e mais rápida divulgação, tenho escrito vários comentários na minha página do Facebook. 

Espero, em breve, voltar aos artigos de fundo a publicar nesta página.

Obrigado

Bexiga Lopes

quarta-feira, 27 de março de 2013

O FUTURO DA POLÍTICA PORTUGUESA, PASSARÁ PELO REGRESSO AO PASSADO, POR SÓCRATES?




O futuro da política portuguesa, passará pelo regresso ao passado, por Sócrates? Tenho dúvidas! Contudo, há um facto indiscutível: o regresso de Sócrates à cena política, alterou as regras do jogo partidário. A polémica desencadeada pelo anúncio da entrevista à RTP, com centenas de comentários em todos os órgãos de informação, nas redes sociais com várias e antagónicas petições, tinha já dado uma imagem de desespero de uns e pânico de outros, em especial no espectro político da direita.

Na entrevista, Sócrates foi demolidor, apesar das tentativas dos entrevistadores para dificultar o seu raciocínio e exposição de ideias. Preparado como sempre, rebateu e contrariou com factos e números, as perguntas/afirmações e insinuações dos dois jornalistas. Não fiquei surpreendido, com a firmeza como se defendeu dos ataques, há muitos anos que o conheço pessoalmente e, por essa razão, não vou analisar o conteúdo da entrevista, mas antes as reacções e eventuais consequências.

Não me recordo de alguma vez ter acontecido, que uma entrevista dada por um político a um canal de televisão generalista, tenha provocado emissões especiais na SIC Notícias, RTP Informação e TVI 24. Só este facto, confirma a relevância política de Sócrates e a necessidade dos seus opositores reagirem de imediato. Procurei acompanhar na medida do possível, a forma como os vários comentadores analisavam o conteúdo da entrevista e o comportamento de Sócrates. Parecia que tinha acontecido um terramoto. Só o Miguel Sousa Tavares estava com o semblante normal, até mesmo um pouco sorridente, todos os outros, ou tinham "sorriso amarelo" ou apresentavam  um semblante de pesadelo, inclusive o João Galamba, que é conhecido como seu apoiante.

A generalidade dos comentadores, incapazes de contrariar os números e factos apresentados por Sócrates. preferiam falar em desejo de vingança, especular sobre os seus objectivos políticos, realçar a sua combatividade e preparação mas...sempre desvalorizando as suas opiniões políticas. A direita, representada por políticos ou comentadores, revelava pânico e começou logo no ataque com todo o manancial de deturpações,  responsabilizando Sócrates pela situação em que vivemos.

 A esquerda, estava toda incomodada, apesar do aparente apoio de um ou outro político ou comentador afecto ao PS. Em suma, o reaparecimento  de Sócrates, num momento em que a crise política e social se agrava, constituiu o maior facto político dos últimos tempos e vai, necessariamente, provocar grande agitação nos partidos, governo e presidência da república.

Significa que tudo o que referi, implica que o o futuro político, económico e social passa pelo regresso ao passado, por José Sócrates? Como referi no início, tenho dúvidas. É verdade que há falta de liderança política em Portugal e Sócrates é um líder nato. É indiscutível que ele é odiado por muitos portugueses, mas continua a ser respeitado e desejado por outros. Porem, o problema principal do nosso regime político, é que foi e está capturado pelas corporações,pelos interesses instalados que controlam os partidos.

  Este governo, como o anterior, revelam-se incapazes de fazer as reformas que decorriam dos PEC e das que eram exigidas, inicialmente, pela Troika, porque a maioria dos dirigentes políticos e o Governo, estão condicionados pelo capital financeiro, pelos grandes grupos económicos e pelas elites que capturaram o estado. Sem democratização do regime, através da participação e manifestação das pessoas, nada de fundamental vai mudar. Sócrates vai abanar as actuais lideranças políticas e o Governo, mas nada nos garante que ele possa, ou queira, dar algum contributo para a democratização e transformação dos partidos.

domingo, 3 de março de 2013

O CAUDAL HUMANO DAS MANIFESTAÇÕES DESAGUARÁ NO MAR DO POPULISMO, OU NA FORMAÇÃO DE UM NOVO PARTIDO?




O caudal humano das manifestações, desaguará no mar do populismo, ou na formação de um novo partido? Os grandes protestos ontem realizados, principalmente em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, constitui apenas um aviso para o governo, para os partidos e sindicatos, ou apenas um protesto contra a troika? Assisti , através das reportagens realizadas pelos vários canais das televisões, ao desenrolar de todas as manifestações, de entrevistas de anónimos, de dirigentes políticos  e sindicais e de alguns discursos de encerramento, com todos a cantar Grândola Vila Morena!

Durante horas, foi sendo criticado muitas das medidas de austeridade, através de cartazes e de palavras dos entrevistados, ainda que muitas das pessoas, apenas se referissem à sua situação pessoal ou familiar. Viu-se e ouviu-se também, muitas críticas ao governo e, acima de tudo, a sua condenação com pedidos de demissão. Relevante, ainda, foram as críticas ao Presidente Cavaco Silva, através do maior apupo na concentração do Terreiro do Paço. Porém, o que mais se destacou foi as palavras contra a Troika, exigindo a sua saída.

Entretanto, não consegui ver qualquer cartaz contra os interesses instalados, nem ouvi qualquer declaração contra os privilégios das corporações, com a excepção da condenação dos Bancos. Porque afirmar "que se lixe a troika", quando muitos dos que lá estavam, recusaram as reformas previstas  no PEC IV e, consequentemente, contribuíram para a vinda da Troika e para a formação do actual Governo?

Apesar dos organizadores terem defendido sempre, que se tratava de manifestações de cidadania, alguns partidos procuraram aproveitar-se o que, segundo foi afirmado, gerou contestação e algumas escaramuças. Todavia, com a colaboração dos repórteres televisivos, dirigentes do PS, PCP, BE e da CGTP, fizeram vários comentários sobre as manifestações e, naturalmente, para condenar o Governo e a Troika, enquanto os organizadores se remeteram ao silêncio, ou foram esquecidos.

Como nos discursos finais, não foi defendida qualquer alternativa de governo, nem sequer o pedido de novas eleições, apesar da participação e apoio às manifestações por parte dos partidos de esquerda, é relevante questionar, os verdadeiros objectivos dos organizadores e dos participantes destas grandes movimentações de força da população portuguesa, ou mais propriamente, das chamadas classes médias.

É minha opinião, que as manifestações foram contra tudo e contra todos. Foi explícita, na condenação do Governo e da Troika, implícita na crítica aos partidos e sindicatos, na medida em que foi omitida a sua participação ou as suas propostas políticas como alternativa ao actual governo.Para que serviu a saída às ruas de tão grande massa humana? Criar base de apoio para novo partido democrático?

 Espero estar enganado, mas é minha convicção que o populismo está a crescer, como foi mais evidente ontem, do que na manifestação de Setembro. Sem novo enquadramento partidário, o descontentamento evidenciado, pode degenerar e alimentar a constituição de movimentos populistas e antidemocráticos.

Porém, como os actuais partidos não demonstram qualquer vontade de mudança interna, nem interesse em permitir convergências ínter partidárias, para as reformas necessárias do sistema político, certamente como consequência de estarem dominados pelos interesses instalados, não nos parece nada fácil, se é que é possível superar a actual situação, dentro do actual quadro democrático.

Tendo em conta que a austeridade vai continuar em Portugal e outros países europeus, com a consequente diminuição dos níveis de vida das chamadas classes médias. Constatando-se que as corporações e as camadas sociais que tem sido privilegiadas, continuam a resistir e a saber defender-se, ainda é mais urgente clarificar, quais são os "inimigos" internos dos portugueses.

 Simultâneamente, é indispensável saber como aproveitar o capital político, destas manifestações de descontentes, para pressionar as reformas políticas, que o país precisa. Admito, que os organizadores e a maioria dos participantes do movimento 2 de Março, tem responsabilidades no processo. Esperamos que saibam estar à altura dos acontecimentos!