domingo, 6 de novembro de 2011

IGNORÂNCIA, OCULTAÇÃO OU DETURPAÇÃO DOS FACTOS, O QUE SERÁ PIOR?

Na actual situação política e económica, em que Portugal se encontra, o que será mais prejudicial para o nosso futuro: A ignorância ou a ocultação e deturpação dos factos ? Sinceramente, tenho alguma dificuldade em responder! No último artigo, já caracterizei várias situações políticas, económicas e sociais. Também assumi, haver necessidade de tomar várias medidas pelo governo, para tentar superar a crise em que vivemos. Penso, também, que identifiquei alguns dos factos e acontecimentos que contribuíram para o período de austeridade que vamos viver.

Hoje, vou procurar analisar, politicamente, dois estudos internacionais sobre a economia mundial. Um, sobre o crescimento desigual, publicado no blog ,"PUXA PALAVRA". Outro, sobre a distribuição da riqueza nos EUA, publicado no blog, "Esquerda Republicana". Embora a distribuição de riqueza, seja quase sempre dependente das políticas internas de cada país ou espaço económico, também é o resultado do PIB, isto é, da riqueza que cada sociedade consegue criar. Todavia, como não pode haver distribuição sem prévia criação de riqueza, ainda que possa haver mais justa redistribuição das dívidas acumuladas, vamos abordar o estudo sobre crescimento desigual.


Analisando o crescimento do PIB das economias avançadas, UE e EUA, a partir de 2007, ou seja antes da crise, e comparando com o PIB dos países emergentes e em particular os Asiáticos, a situação revelada é esclarecedora e chocante para o Ocidente. Enquanto a crise de 2008/2009, afectou profundamente a Europa e os Estados Unidos, provocando a queda do crescimento, os países emergentes apenas sofreram ligeiros desvios a um acentuado crescimento e os Asiáticos continuaram a crescer vertiginosamente.


Contudo, a situação mais grave, é revelada ao comparar-mos os dados de 2011. Na análise gráfica, partindo todas economias de uma base 100, a Europa desceu para 99,4, os Estados unidos "cresceu" para 100,6, as economias emergentes para 124,5 e as Asiáticas em desenvolvimento para 136,8. A conclusão é por demais evidente: No Ocidente, em quatro anos,não houve crescimento económico, nos emergentes um crescimento de 6%ao ano e na Ásia quase 10% de crescimento anual de riqueza!!!


Perante estes factos, será legítimo continuar apenas a lutar contra os governos, de esquerda ou de direita, sem colocar em questão a deslocalização das indústrias da Europa para o oriente, sem reequacionar o modelo social do período "neocolonial" Europeu, quando produzíamos e exportava-mos para todo o mundo? As crises das dívidas soberanas e privadas externas de Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e os outros países que estão na calha, são o resultado de termos perdido competitividade em relação às economias emergentes, reflecte a consequência de continuar-mos a gastar mais do que produzimos, enganados com o crédito barato que agora temos que pagar!


Simultaniamente e, também, reflexo da política neoliberal e do domínio de mundo pelo capital financeiro, temos milhões de desempregados na Europa, os salários e vencimentos do mundo do trabalho continuam a desvalorizar, as regalias sociais, conquistadas e instituídas de acordo com o Estado Social, umas estão a ser cortadas e outras diminuídas, ao mesmo tempo que as rendimentos dos altos quadros são enormes, escandalosos, e os detentores do capital ganham e roubam o que querem provocando uma desigualdade que já não existia à décadas!


Para concluir, cumpre agora relacionar o estudo sobre a distribuição da riqueza nos EUA. O gráfico apresentado, demonstra que já foi atingido uma desigualdade com valores idênticos aos anos trinta, do Século XX, e também que políticas contribuíram para a actual situação. Com pequenas oscilações, os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres, mantiveram-se com a mesma diferença, desde o início dos anos quarenta até á década de oitenta do Século XX. A partir de 1982, sobe a liderança de Regan e a política neoliberal, a desigualdade recomeçou novamente a crescer até chegar à actualidade idêntica à dos anos trinta, apesar de ter havido uma ligeira diminuição no mandato de Clinton.


Não sendo os Estados Unidos uma boa referência histórica, em termos de distribuição de rendimentos, poderá dizer-se, que actualmente representa bem o modelo universal do domínio financeiro e das políticas neoliberais, apesar do Presidente Obama, inicialmente, ter tentado contrariar um pouco o poder absoluto dos bancos e voltar à regulação do sistema capitalista. Os factos referidos, devem servir de meditação, para todos os que acreditaram na propaganda do neoliberalismo, da vantagem da iniciativa privada em contrapartida com o domínio público em muitos sectores estratégicos, ao mesmo tempo que criticaram e condenaram a política e os políticos como sendo todos iguais e corruptos. A ideologia nunca acabou, as classes sociais continuam e os Partidos Políticos não são todos iguais!


Os últimos acontecimentos, na Itália e na Grécia, como já aconteceu também a Portugal, Irlanda e em certa medida a Espanha demonstram, inequivocamente, que não são os povos a decidir quem governa, quem elege os governos. Berluscon e Papandreu tinham maioria absoluta. Todavia, perante os juros das dívidas soberanas que o capital financeiro vai impondo, nada lhe vai resistindo. As novas "lideranças" nos governos,apenas se limitam a cumprir as decisões do capital financeiro, para que as dívidas sejam pagas mesmo à custa do retrocesso social dos povos. Só a luta política dos povos da Europa e não cada país isoladamente, pode alterar esta política neoliberal, acabar com o domínio absoluto do capital financeiro. É indispensável que a política volte a comandar a economia. É necessário que os povos se voltem a interessar pela política e retomem o poder de eleger os lideres dos governos. É tempo de os Povos Europeus constituírem os Estados Unidos da Europa!

domingo, 23 de outubro de 2011

PROTESTAR OU REFLECTIR? REFLECTIR PARA SABER PROTESTAR!

(Continuação, 4ª parte)




Feito a referência, a alguns factos que contribuíram para a manutenção das desigualdades dentro do mundo do trabalho e entre este e o capital, será possível retirar uma ilação: é preciso protestar e contestar as medidas de austeridade! No entanto, é indispensável, identificar os objectivos da contestação. Já afirmei e escrevi várias vezes, que o acordo com a Troika, é para cumprir. A dívida pública e privada, fruto da nossa irresponsabilidade colectiva, tem que ser paga, consequentemente, terá que haver medidas de austeridade.




A contestação e as eventuais manifestações, devem pois exigir uma melhor repartição dos sacrifícios. O capital, os lucros, as grandes fortunas mobiliários e imobiliárias, tem que ser taxadas a sério. As reformas duplicadas ou triplicadas, derivadas de funções públicas em qualquer organismo do Estado, terão que acabar. As reformas douradas, escandalosas,algumas das quais vinte vezes superiores ao salário mínimo nacional, terão que ter um tecto máximo. As subvenções atribuídas aos políticos que tem reformas do Estado, ou ainda activos à frente de grandes grupos , com vencimentos elevadíssimos, devem ser anuladas. Não venham, agora, invocar direitos adquiridos, quando a generalidade dos que trabalham e de muitos reformados, assistem à suspensão dos acordos e contratos de trabalho isto é, de direitos adquiridos.




Retomando o tema, das razões que nos colocaram na situação de banca rota, a questão dos fundos, vindos da União Europeia, constitui certamente um dos maiores escândalos no pós 25 de Abril. Recebemos subsídios para a agricultura, pescas, indústria e formação profissional, entre muitas outra áreas, para modernizar e reorganizar o país. Todavia, quando a globalização se começou a generalizar e aumentou a concorrência, o país acordou e constatou que não tinha capacidade de concorrer, porquê? Porque, os fundos não foram aplicados para cumprir os objectivos pré determinados mas, antes, para criar uma infinita organização de serviços de formação, reorganização e modernização com milhares de "quadros", remunerados com vencimentos escandalosos, praticando enormes desvios de dinheiro para os mais diversos fins e outros, para benefício pessoal.




Mas poderá dizer-se, que não houve nenhum aproveitamento de todas as ajudas vindas da então CEE? Claro que não! Portugal modernizou-se em muitos aspectos. Foram construídas muitas infra estruturas necessárias, estradas, hospitais, escolas, universidades,abastecimento de águas e saneamento, etc. No entanto, a megalomania típica dos portugueses contribuiu, decisivamente, para maior desperdício dos fundos europeus, como por exemplo: Centro Cultural de Belém e Casa da Música do Porto, quase sem actividade cultural;sede da Caixa Geral de Depósitos, para ostentação do poder económico; estádios de futebol para o euro, agora vazios e alguns já à venda; auto estradas por todo o lado,sem comércio e movimento que as justifique e com encargos que nos arrasam as finanças públicas; etc, etc.




Estes factos e muitos outros que poderia enumerar, são apenas da responsabilidade dos políticos, como agora nos querem fazer acreditar? Não! A responsabilidade é de todos nós, os que fizeram, e os que permitiram fazer, ainda que apenas por omissão de cidadania. Não foram apenas os empresários e patrões que desviaram os fundos. Na formação profissional, houve milhares de trabalhadores que receberam subsídios de formação e não participaram nas acções, outros aceitaram os subsídios e continuaram a trabalhar nas empresas sem receber formação, em ambos os casos, apenas assinando os recibos com a conivência dos patrões e formadores ou empresas de formação.




Como sabemos, foram muitos os casos de desvios de fundos e de corrupção pelos mesmos, que acabaram nos tribunais. Todavia, como vai sendo usual no nosso país... os culpados não são condenados por falta de provas e, outros casos, acabam por prescrever numa teia de cumplicidades que, a não ser combatida e erradicada, pode acabar com o regime democrático. Concluindo, podemos e devemos condenar as medidas de austeridade, o actual governo e até o regime democrático, como já muitos defendem, sem estar disponível para alterar-mos os nossos comportamentos e apenas exigir tudo aos outros? Continuamos a reflectir...








sábado, 22 de outubro de 2011

PROTESTAR OU REFLECTIR? REFLECTIR PARA SABER PROTESTAR!

(Continuação)



Feito o enquadramento político, ideológico e económico internacional, nos dois artigos anteriores, cumpre agora analisar, se devemos reflectir para contestar as medidas do actual Governo, ou se, seguindo a generalidade das pessoas que vão tomando posição, devemos apenas contestar. Tendo em consideração, tudo o que se diz e escreve nos média, mas também o que se vai escrevendo nos blogues e nos comentários aos artigos, ás notícias, ou às opiniões expressas nos blogues, direi que, quase tudo já foi dito mas, não sistematizado.


Penso, contudo, que continua sem se discutir e sem tirar conclusões sobre três problemas importantes, não só decisivos para compreender a situação de dependência em que nos encontramos, como também, para se entender como chegamos à banca rota: A desigualdade inaceitável da sociedade portuguesa; A de lapidação dos fundos que vieram da União Europeia; O facto de vivermos à décadas acima do que produzimos, ou seja, termos vivido como "ricos", quando apenas trabalhamos para ter vida de "pobres".


Vejamos a questão da desigualdade. Quantos relatórios de organismos internacionais foram publicados, referindo a desigualdade na sociedade portuguesa, não só entre o capital e o trabalho mas, também, entre os que exercem funções subordinadas? Quantos documentos e artigos estrangeiros, denunciaram que os gestores, os professores, os médicos e outras profissões mais ou menos liberais, ganhavam acima da média europeia, de que o exemplo mais paradigmático, era o vencimento do Governador do Banco de Portugal ser superior ao do Presidente da Reserva Federal Americana?


Entretanto, como se ia "combatendo" as desigualdades? Portugal chegou a parecer um autentico estaleiro com obras por todo o lado. Fundos para reorganização e modernização das empresas, eram às centenas de milhões de euros. O Fundo Social Europeu, comparticipou com com valores astronómicos para a formação profissional. Contudo, a generalidade dos trabalhadores e dos operários que não pertenciam à "elite" dos funcionários públicos ou das empresas e outras entidades públicas, continuavam sem recuperar dos cortes salariais dos períodos em que o FMI "dirigia" Portugal, porque?


Porque, quando havia muita necessidade de mão de obra e, como consequência, os trabalhadores poderiam exigir maiores salários e condições de trabalho, os empresários (para não lhe chamar apenas patrões), com a conivência de vários governos, "inundaram" o mercado com centenas de milhar de emigrantes, uns legais e outros clandestinos, o que impedia os aumentos de salário para muitos e a desvalorização para muitos outros dos operários e trabalhadores portugueses!


Simultaniamente, as Ordens dos Médicos, Engenheiros, Professores, Arquitectos e outras profissões qualificadas, a chamada "classe média" tudo fizeram para impedir a entrada de emigrantes nessas áreas, apesar da falta que faziam e muitos, inclusive, se encontrarem a trabalhar nas obras. Esta situação, entre muitas outras, ainda agudizou mais a desigualdade entre os que executavam os trabalhos e os que "mandavam". E digo que mandavam, porque quem dirigia de facto eram muitos engenheiros e técnicos estrangeiros, como o que morreu na ponte Vasco da Gama, enquanto os eng. portugueses assistiam engravatados!


Falta contudo referir ainda um aspecto importante, a responsabilidade dos sindicatos. Enquanto a situação do mundo de trabalho se degradava nas fábricas e na construção civil, na função pública e no Sector Empresarial do Estado, começou a generalizar-se duas categorias de trabalhadores: os que tinham contrato, acordo ou outro vínculo de trabalho, e os que não tinham qualquer garantia de trabalho. Os sindicatos, para manter ou até aumentar vencimentos e outras regalias dos trabalhados antigos, nada fizeram para impedir que as empresas contratassem trabalhadores a prazo, sem qualquer regalia e com vencimentos muito inferiores, muitas vezes menos de metade.

Como consequência, em poucos anos, nalgumas empresas, eram mais os trabalhadores com conrato a prazo, ou cedidos por empresas de trabalho temporário, do que os funcionários efectivos. Agora...tudo se conjuga...para a suspensão dos acordos, contratos e direitos para todos!


(Continua)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PROTESTAR OU REFLECTIR? REFLECTIR PARA SABER PROTESTAR!

(continuação)






A situação de dependência da UE, do BCE e do FMI, em que Portugal se encontra, deriva de vários factos históricos e acontecimentos recentes, externos e internos. Como hoje já é reconhecido, por quase todos os analistas e comentadores portugueses, pelo Presidente da República e pelos partidos de direita, que estamos perante uma crise sistémica do Euro e não apenas uma situação de crise interna, não me alongarei sobre os factos externos. Todavia, não posso deixar de salientar, que se continua a omitir a principal razão da crise da Europa, em particular, e do Ocidente, em geral.


O colapso da União Soviética, a queda do "Muro de Berlim", a transformação política da China e a consequente desintegração e extinção da generalidade dos partidos comunistas, é a consequência da vitória do Capitalismo à escala mundial. Como corolário desta vitória, a Globalização económica ganha amplitude, a desregulamentação generaliza-se e o capital financeiro toma conta do mundo, através da política neoliberal.


Os factos referidos, conjugando-se objectivamente, permitiram que todas as multinacionais e grandes empresas da Europa e da América, desviassem os seus grandes investimentos, através da deslocalização das empresas, para o Leste e, em seguida, para a Ásia, China e Índia entre outros. Sem qualquer receio de perda dos seus investimentos, pois no imediato deixou de haver qualquer alternativa ao capital no mundo inteiro, o mundo financeiro conquista dois grandes objectivos: lucros fabulosos nas regiões onde a mão de obra era comparativamente mais barata e, através da movimentação de milhões de trabalhadores, desvalorizou progressivamente os salários dos operários da Europa e da América.


A Europa, na qual nós já estávamos integrados, que até então fabricava produtos para os seus povos e exportava para todo o mundo, assistia agora ao fecho das suas fábricas, à falta de trabalho para as novas gerações, agravando-se ano após ano, enquanto ao mesmo tempo os trabalhadores mais velhos se reformavam ou eram despedidos. Actualmente, dezenas de milhões de pessoas na Europa não trabalham, não produzem riqueza e muitos vivem das reformas ou subsídios. Entretanto, os vários Estados estão cada vez mais endividados e, para evitar a banca rota, vão destruindo o Estado Social, criado ao longo dos últimos cinquenta anos. Como consequência, aumenta o número de pobres e excluídos, os rendimentos dos que trabalham são cada vez menores, ao mesmo tempo em que os ricos estão cada vez mais ricos e tornaram-se nos únicos decisores sobre o futuro das sociedades.











PROTESTAR OU REFLECTIR? REFLECTIR PARA SABER PROTESTAR!


O corte dos subsídios de férias e do Natal, o aumento do IVA para vários produtos e serviços, a alteração dos horários de trabalho, a diminuição da remuneração do trabalho extra ordinário, o aumento do IMI e outros impostos e taxas, que significam! Início da destruição do Estado Social!


Esta minha conclusão, significa, que se o PEC IV tivesse sido aprovado e o Governo do PS, liderado por Sócrates, continua-se, não seriam tomadas medidas de austeridade? Não! Como todos sabemos, o memorando da Troika, foi negociado e aprovado pelo Governo do PS, como consequência, teria que executar as medidas necessárias para a consolidação orçamental.


O que esteve subjacente ao chumbo do PEC IV e hoje é claro e evidente, são duas agendas políticas, duas formas de superar a crise económica e financeira, a luta ideológica entre uma visão política de esquerda e reformadora do PS e uma visão de direita, PSD/CDS,liberal na forma e conservadora na sua essência Uma luta, entre os defensores do Estado Social, conscientes e dispostos a fazer as reformas necessárias para o manter, e uma direita, ansiosa por aproveitar as medidas indispensáveis do acordo e as reformas por eles desejadas, para destruir e Estado Social.


As decisões que o Governo do PSD/CDS vem tomando, constituem uma vingança há muito desejada e agora possível, com um Governo, uma Assembleia e um Presidente da direita, o qual, com a conivência do PCP e do BE, tudo fez para derrubar o Governo de Sócrates! Perante estes factos, como compreender a atitude das vítimas da austeridade que, agora, aceitam e querem manifestar-se sob a liderança dos que ajudaram a direita a conquistar o poder? É por essas e outras atitudes que, antes de protestar, devemos reflectir sobre quais foram os factos e motivações que nos conduziram à situação de crise actual, ou seja, porque voltamos a ser um "protetorado".


(continua)

domingo, 12 de junho de 2011

Porque dou o meu apoio à candidatura de António José Seguro a Secretário Geral do PS.





Quem conhece a minha actividade política, no Partido Socialista ou em outras organizações, sabe que sou homem de causas e convicções. Significa, que não sigo pessoas, por mais importante que seja a sua personalidade e a influência que possa exercer através do poder.


Nunca tive a oportunidade, de participar em qualquer debate político com A. J. Seguro ou F Assis mas, considero, que ambos são excelentes quadros do Partido. Não são camaradas das minhas relações pessoais, dentro do Partido, apesar de conhecer muitos militantes e já ter intervido em inúmeras reuniões, debates internos e públicos.


Quero, com estas notas prévias, deixar claro qual o motivo que me "obrigou" a expressar, publicamente, o meu apoio à candidatura de A. J. Seguro a Secretário Geral do Partido Socialista.


Penso conhecer, razoavelmente, o pensamento político e ideológico dos dois candidatos. Considero não cometer qualquer erro se afirmar que, F.Assis, está mais próximo da tese dos que defendem, que "o PS deve ser um grande partido popular", ou seja, da chamada Terceira Via.


A. J. Seguro, tanto quanto tenho conhecimento, sempre se identificou mais com a orientação "tradicional" do PS, sempre assumiu que o Partido deve ser de esquerda, valorizar as suas raízes e assumir a sua matriz ideológica com base no Socialismo Democrático.


As diferenças, entre Assis e Seguro,que acabo de referir, já seriam suficientes para me aproximar mais da orientação do A.J.Seguro. Todavia, além das posições políticas que cada um dos candidatos defendeu ao longo da sua carreira partidária, da maior ou menor coerência assumida na prática, é relevante as declarações políticas, feitas na apresentação das candidaturas.


F. Assis, apresentou-se com pouco á vontade e, aparentemente, sem grande convicção. Depois, o seu discurso não foi claro nem objectivo, não revelou um esboço de programa minimamente estruturado e, acima de tudo, não ter assumido as suas posições em documento escrito pode gerar dúvidas. Por falta de tempo de preparação, ou de convicção, a sua apresentação, não alterou as ideias que já tinha a seu respeito.


Na minha opinião, a declaração de candidatura, com que A. J. seguro se apresentou aos militantes socialistas e ao povo português, foi clara, objectiva e explicita quanto ao conteúdo das propostas de dinamização do partido, quer quanto aos objectivos de acção política para o futuro do partido e do país.


Como todos tem acesso à declaração do A. J. Seguro, quero apenas realçar alguns aspectos que considero mais relevantes, com os quais me identifico totalmente e que tenho defendido, por escrito, ou em intervenções nas reuniões partidárias.


Afirmar que o combate às desigualdades sociais, a defesa da escola pública, do serviço nacional de saúde e dos direitos sociais, não depende de qualquer crise ou problema externo, mas apenas das decisões dos portugueses, só pode ter a minha total concordância. Embora a forma fosse diferente, eu escrevi um artigo onde defendia, como prioridade nacional, a necessidade de discutirmos o que apenas depende de nós, portugueses.


Assumir como grave problema, a situação dos desempregados, não é apenas justo e obrigatório para um partido que quer ser alternativa de governo, como foi uma das principais lacunas, nos discursos e propaganda da campanha do PS nas últimas eleições.


Finalmente, quero realçar, a defesa que A, J. Seguro fez, da necessidade e obrigatoriedade de ouvir os militantes e de dinamizar os órgãos dirigentes do Partido, a todos os níveis, mas, especialmente, a abertura que defendeu para os deputados exprimirem posições diversificadas e, a reafirmação, do princípio da participação colectiva nas decisões de todos os órgãos do partido!


Em síntese, acredito no Homem, confio nos seus propósitos de renovação interna, partilho das opções políticas e ideológicas, expressas na declaração de candidatura, quero contribuir para que A. J. Seguro seja eleito Secretário Geral do Partido Socialista!


domingo, 5 de junho de 2011

LOUÇÃ E O BLOCO, RECEBERAM O PRÉMIO DE TER CHUMBADO O PEC IV!


Acabei de viver uma das piores noites eleitorais. Até nos discursos, foi perceptível, a diferença entre o ciclo que encerrou e o período negro ,de retorno ao passado, que se anuncia. Não regresso ao fascismo, mas ao que ele significou, pela negativa, em termos económicos e sociais ou, noutros termos, o não reconhecimento de direitos económicos e sociais para o mundo do trabalho. Mais paradoxal e revoltante, é o facto de esta alteração de ciclos ter sido proporcionado pelos "arautos" da defesa dos direitos e regalias sociais!


Desagradou-me, profundamente, a derrota do Partido Socialista nestas eleições. A direita portuguesa, sedente de poder e revanchista, sabia que, ao tentar desencadear um processo eleitoral com o chumbo de PEC IV, dificilmente deixaria de ganhar as eleições. Todos os processos eleitorais na Europa, desde 2009, tinham constituído pesadas derrotas para os partidos no poder, fossem de esquerda ou de direita. O que foi chocante, foram as atitudes políticas do PCP e do BLOCO, que certamente conscientes dessa quase inevitabilidade, tenham colaborado com a direita, não só para a queda do governo, como, durante a campanha tenham feito do PS o inimigo principal!


Apurados os votos, o resultado é elucidativo: vitória com maioria absoluta para a direita, o PCP, ganhou um deputado como consequência do aumento da abstenção, o Bloco, sofreu a maior derrota em termos percentuais e ficou reduzido, para metade, o seu grupo de deputados! Os eleitores já compreenderam o que é e para que serve o BLOCO, já lhe deram o prémio merecido. Com as medidas aprovadas com a UE, BCE e FMI, e ainda as mudanças decorrentes do programa neoliberal do PSD, o PCP, certamente receberá o seu prémio em próximas eleições, ainda que ,antes disso, os seus activistas e eleitores comecem a pagar a factura da sua irresponsabilidade.


Quanto aos resultados do PS, ainda que fosse difícil ganhar, pelas razões atrás aduzidas, tive a oportunidade de aqui escrever e de afirmar em reuniões dentro do Partido, que deveria ter havido uma ou outra "bandeira" e, principalmente, alteração na propaganda e comunicação política. Entretanto, como José Sócrates acabou por se demitir, a análise dos resultados eleitorais, em termos nacionais e concelhios, será feito posteriormente, já enquadrado no novo processo eleitoral interno do PS.


Em síntese, o dia 5 de Junho, será possivelmente recordado como uma vitória da direita, que tudo fará para acabar com os direitos sociais conquistados após o 25 de Abril, mas, indiscutivelmente, como o dia em que, o nosso país, perdeu um LÍDER, quando o povo mais precisaria dele! Antes de pouco tempo, será melhor compreendido e até desejado, inclusive, por muitos que o atacaram e contribuíram para a sua derrota!