sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O CORTE DAS BENESSES SÃO INCONSTITUCIONAIS! E AS CONDIÇÕES DOS TRABALHADORES, ESTÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO?




Os cortes de benesses nas elites e nas camadas sociais instaladas, é inconstitucional? Admito! E as condições criadas para os trabalhadores, em particular para os jovens que entram no mercado de trabalho, ou os que perdem o emprego, estão conforme a constituição? Porque se condena apenas o corte das benesses? Não havia e há razões objectivas, estudos indesmentíveis, que classificam Portugal, como o país da União Europeia, onde a desigualdade  económica e social é maior? Porque não discutir desigualdades chocantes, como a que hoje foi revelada, de que 5% dos pensionistas e reformados, arrecadam 40% do "bolo", ou seja,do valor total das reformas e pensões?

O Relatório do FMI, tal como já aconteceu com o Memorando da Troika, provocou uma espécie de levantamento nacional, promovido pelo "Quartel General" dos interesses instalados. De tudo que vi e li, criticando o relatório, o que mais ressalta nas justificações, é a eventual inconstitucionalidade das medidas sugeridas. Como seria previsível, os protagonistas são os mesmos do costume: BE, PCP, PS, Cavaquistas, Democratas Cristãos, Sindicatos e alguns representantes das Entidades Patronais. Todavia, desta vez apareceram altas figuras do "Quartel General" dos interesses instalados: António Arnaut, ex Grão Mestre da Maçonaria e Mota Amaral, da Opus Dei.

Quero no entanto realçar, que houve pessoas que assumiram dar a cara, pela defesa das reformas sugeridas. Do que tive conhecimento, destaco: Vital Moreira, Helena Garrido, Luís Pais Antunes, José Ferreira Machado e Silva Lopes. Com palavras diferentes, todos convergem na necessidade de discutir o Relatório e na inevitabilidade da aplicação de várias das medidas sugeridas, porque o actual Estado social é insustentável. Devo ainda assinalar, que afectos ao PS, Maria João Rodrigues e Francisco Assis, assumiram  a necessidade da discussão e abertura para a implementação de algumas medidas, contrastando com as posições de António Costa, que navega em todas as direcções à procura de apoios.

Sou um defensor, convicto,do Estado Democrático e Social e tenho reafirmado a necessidade da sua consolidação, ao longo da minha vida social, sindical, autárquica e política.Porem, não posso aceitar o actual sistema como justo pois, já há muitos anos que deixou de ser um sistema social para os utentes e  beneficiários, para se transformar numa organização ao serviço dos seus funcionários, dirigentes, políticos inactivos e amigos de todos eles.

 Defendo um Estado Social, para permitir a redistribuição da riqueza, não para manter ou aumentar as desigualdades sociais, que nos tem mantido na cauda da União Europeia. Reivindico um Estado Social íntergeracional, e não um sistema que favorece uma minoria de aposentados e reformados, que privilegia as benesses dos instalados, à custa dos impostos de todos nós, particularmente, dos que entram no mercado do trabalho.

Helena Garrido, em convergência com a minha opinião, ousa afirmar, em Editorial no Jornal de Negócios, que as medidas sugeridas no Relatório do FMI, vem dar razão a Sócrates, pelas reformas que quis impor, no seu primeiro governo.Como escrevi, em anteriores artigos, algumas foram muito criticadas,  ou impossibilitada a sua concretização, pelos mesmos que já sabotaram a implementação do Memorando e, agora  ,condenam o Relatório: os beneficiados com reformas douradas, as corporações que capturaram o Estado, isto é, Maçonarias, Opus Dei, Organizações Secretas, discretas e afins!

As condições sociais em que vive a generalidade dos portugueses.A situação dos operários e trabalhadores manuais, que vivem com o salário mínimo ou até inferior. As centenas de milhar de desempregados, muitos dos quais sem esperança de voltar a poder trabalhar. A precariedade laboral trabalhadores, entre os quais os jovens licenciados, que começaram a trabalhar nestes últimos anos, com salários ou vencimentos de metade ou um terço, dos funcionários que foram substituir, nada preocupa as elites e os instalados no sistema. Todas estas pessoas, só podem ficar revoltadas, ao ouvir a actual contestação às reformas do Estado, enquanto as desigualdades de que são vítimas, são omitidas.

 Tem-se visto as mais variadas teses de demagogia, contra os cortes nos vencimentos e nas pensões mais elevadas, vinculadas pelos média, particularmente pelas televisões. Porém, a dar crédito ao que foi publicado pelo Jornal O Sol, os adjectivos de critica e condenação do OGE, contidos no pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento, ultrapassam o que é admissível ser dito ou escrito, por um Presidente da República!

Com que direito, qual a ética republicana, com que crédito de transparência é que Cavaco Silva, e os dois  presidentes que o antecederam, criticam, condenam e sabotam, objectivamente, as reformas necessárias para sairmos da dependência da Troika, quando eles tem altas responsabilidades na situação a que o pais chegou, ainda que fosse apenas por omissão?

 Porque anda grande parte da elite, particularmente os intelectuais, a criticar o FMI e a Troika, acusando-os de "incompetentes e funcionários de segunda ordem", quando foi a elite portuguesa a responsável, por perder-mos a independência financeira e, no espaço de três décadas, terem levado o pais à "banca rota"?
Porque, como já escrevi algumas vezes, a elite nacional NEM SABE GOVERNAR, NEM DEIXAM QUE NOS GOVERNEM...MAS TEM SABIDO GOVERNAR-SE!

Nota: Após a crítica de alguns amigos, à forma como estava escrito alguns parágrafos, entendi corrigir o texto, ontem  publicado, mas sem alterações de conteúdo.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A IMAGEM DOS POLÍTICOS E DE MUITOS INTELECTUAIS, CAMINHA PARA O DESCRÉDITO TOTAL!




A imagem da política, dos políticos e de muitos intelectuais, continua a degradar-se e caminha para o descrédito total. O Presidente da república, distancia-se publicamente do Governo, sobre a renogociação da dívida. O Ministro dos Negócios Estrangeiros apoia Cavaco Silva, para se vingar do Ministro Das Finanças e, paralelamente, decide enviar uma carta pessoal à Troika. O Relvas, afirma que está tudo bem na coligação mas, o Macedo, informa que o Governo definirá a sua posição posteriormente, quando antes, o mesmo Relvas, tinha afirmado que não se devia renegociar o Memorando.

Antes de mais estas cena, digna de um país do quarto mundo, tinha-mos assistido a um contínuo frenesim de fugas de informação, sobre objectivos políticos do Governo, seguido de propostas de lei, divergentes das notícias anunciadas, que acabariam por ser diferentes, quando não antagónicas, quer quanto ao divulgado nas fugas, quer quanto aos propósitos enunciados pelo executivo, ou por alguns ministros.

O caso da eventual aplicação a Portugal, das condições aplicadas à Grécia. O caso dos avanços e recuos, sobre o IMI e a lei das rendas. O escandaloso dossier sobre a reforma autárquica e as suas consequências, ao qual se acrescentou agora, a intenção seguida de protelação, de diminuição ou integração de municípios, quando ela estava contemplada desde o início no Memorando. A telenovela sobre o grau de austeridade no OE, o destino da RTP, da Ana e da TAP e ainda tantos outros, vão retirando toda a credibilidade ao Governo e à maioria que o sustenta.

Coma consequência dos factos referidos, tem acontecido as mais variadas greves e manifestações de protesto e contestação dos instalados do sistema, ao mesmo tempo que, a maioria do povo continua indiferente e, outra parte, condena os políticos e o sistema de corrupção instalado, por não ver alternativa política. Por outro lado, apesar das últimas sondagens, confirmarem o crescimento das expectativas em torno do PS, o comportamento do Partido, perante a crise, continua errante e contraditório, o Secretário Geral não consegue impor autoridade interna, nem ganha credibilidade como líder, para dirigir o país.

António José Seguro, no início do seu mandato afirmou, várias vezes, que só faria propostas políticas que pudesse executar, quando fosse governo. Também definiu, como sua prática política, que apoiaria qualquer medida do governo, se as considera-se justas e adequadas. Mesmo considerando as sucessivas alterações do Memorando, o Partido Socialista continua a reafirmar,e bem, que respeita os compromissos internacionais do governo anterior, nomeadamente o acordo com a Troika. Como compreender então, que o PS critique e condene quase todas as medidas do actual Governo, que são uma consequência directa da aplicação do Memorando e que teria que aplicar se estivesse no poder?

Entretanto, apesar de Seguro ter sido eleito Secretário Geral por uma maioria confortável, de ter apresentado um programa inovador de reorganização e democratização interna do partido, parece que pouco ou nada mudou. Para alguns militantes atentos, é já evidente que ele não tem autoridade ou, pior que isso, rendeu-se ao "quartel general dos interesses instalados". O facto de ter estado a receber, durante o seu mandato, as mais variadas corporações instaladas à custa do Estado, nomeadamente dos profissionais liberais, que são atingidos pela reforma, dando-lhe o seu apoio político é, objectivamente, contrariar as reformas indispensáveis do aparelho do estado, é não respeitar os compromissos assumidos com a assinatura do Memorando . 

Relevante ainda, foi a cedência ao lóbi autárquico interno, verdadeiro detentor do votos do partido. Não criticou a atitude do Governo,quando no Livro Verde, sobre a reforma autárquica, não estava contemplado a diminuição ou integração obrigatória dos municípios. Começou por apoiar a diminuição e fusão de freguesias, recuou perante as primeiras contestações,  condenou a reforma por "não ter o apoio das populações", chegando ao cúmulo de considera-la um crime! E...para não incomodar o poder instalado, as directas para os candidatos a autarcas...foi esquecido.

Como corolário da sua incapacidade de liderança do PS e, consequentemente, de se afirmar como alternativa a Passos coelho, tivemos a última entrevista à TVI. Não conseguiu demarcar-se ideologicamente do "Congresso Das Alternativas". Teve uma posição ambígua, quando Mário Soares lhe deu conhecimento da carta aberta das setenta personalidades. O líder da bancada parlamentar, demarcando-se da carta,  certamente com o apoio de Seguro, afirmou que as demissões dos governos, deve ser conforme a Constituição. 
Todavia, na entrevista à TVI, ainda que com alguma ambiguidade, admitiu a apresentação de uma moção de censura que leve à queda do governo. Conclusão, adoptou as teses de Mário Soares. Reconheceu que a liderança da oposição ao actual Governo, é protagonizada por Mário Soares, que tudo tem feito para arregimentar os intelectuais "desinstalados" do poder, o PCP, o BE e os membros da maioria descontentes, sem contudo apresentar qualquer alternativa política e económica.

Há mais de duas décadas que, politicamente, Mário Soares era para mim a referência principal do PS e do Estado Português. Soube, como nenhum outro político, liderar a consolidação da democracia. Liderou dois governos, com intervenção do FMI,onde teve que tomar medidas de austeridade, económicas e sociais, contra os operários e trabalhadores em geral. Esses acontecimentos, geraram ondas de ódio contra a sua pessoa e, consequentemente, levaram a grandes derrotas eleitorais. Por essas razões, não consigo compreender, nem apoiar, as posições políticas actuais de Mário Soares e, naturalmente, não acompanho a mudança de "estratégia" Seguro.

 É comovente constatar a desilusão de Seguro, sobre Holande, depois de meses de seguidismo e euforia em torno das propostas de crescimento e emprego, quando ambos deveriam ter meditado sobre a actual situação económica da Alemanha, para o qual contribuíram as reformas feitas, há mais de uma dezena de anos, pelo líder da Social Democracia Alemã, Gerhard Schroeder. Quando será que esta gente aceita reconhecer que o Mundo mudou, particularmente a Europa, como consequência da queda do "Muro de Berlim" e do domínio da política neoliberal, implementada pelo capital financeiro internacional? Onde está a alternativa?


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Estrebuchar Das Elites Das Chamadas Classes Médias!




O estrebuchar das elites, das chamadas classes médias e dos bem instalados,  constitui um espectáculo degradante, se não mesmo revoltante, particularmente, nas televisões.Esta gente, militares, políticos, altos quadros das empresas privadas e do estado, juízes, médicos, professores, etc,, etc, que se auto promoveram, nos últimos quinze vinte anos, através de carreiras profissionais elitistas, altamente remuneradas, e que chegaram ao topo, com mais velocidade que teria o TGV, agora criticam o governo, condenam a Troika e os Alemães, para tentar não pagar a factura da dívida, para o qual contribuíram de forma decisiva.

Muitos destes profissionais acumulavam, e muitos ainda continuam, vários lugares e actividades em simultâneo, enquanto os jovens licenciados não encontram lugares, ou quando os conseguem, são miseravelmente remunerados. Desde os deputados, que continuam a ser simultâneamente advogados, consultores e gestores. Depois, os que vão para o governo, quando saem, vão para os concelhos de administração das empresas do estado, ou onde o poder influencia, com remunerações altamente escandalosas, comparativamente ao mundo do trabalho.

 Os professores universitários, muitos são membros de concelhos de administração ou das assembleias das empresas, são consultores, e vendem pareceres e estudos, para tudo o que é organismo público, mas onde tudo continua inamovível. Muitos dos outros professores, passavam o tempo nas escolas ou nos sindicatos, muitos davam também aulas nas escolas privadas, trabalhavam nas empresas de formação e, quando não era possível, criavam pequenas empresas para dar explicações, das matérias que não davam ou não prestavam atenção nas escolas.
 Os resultados são conhecidos. Não deram verdadeira formação profissional, os jovens chegam às faculdades sem conhecimentos básicos. Ao que parece, todos se preocuparam com a sua formação. Houve doutorandos acima da média europeia. Todavia, as suas teses, pouco ou nada contribuíram para nos tirar da cauda da Europa, como seria de esperar com a inflação de Professores Doutores!

 Os médicos, que ocupam o tempo nos hospitais públicos e trabalham nos privados, ou nos seus consultórios, e ainda são proprietários de clínicas ou gestores nos privados, para onde enviam os doentes que lhe interessa e dá lucro à conta do Estado, para não referir ainda ,os "prémios" que recebem das multinacionais do medicamento. Não poderemos esquecer, que durante anos, os médicos e depois os enfermeiros, bloquearam a formação de novos profissionais, para não ter concorrência. Actualmente, dificultam a entrada de novos médicos e enfermeiros, para poder continuar a ganhar fortunas em horas extraordinárias

Quanto aos juízes, além das casas que lhe eram e ainda são atribuídas, mesmo que vivessem ao lado dos tribunais, muitos eram professores, ainda que oficialmente não remunerados, tinham um regime horário e de férias, que chocava o mundo do trabalho. Como contrapartida, contribuíram para que a justiça atingi-se o grau zero de credibilidade, apesar do enorme aumento do número de funcionários, da construção de novos tribunais e da compra contínua de equipamentos informáticos. Resultados..."os colarinhos brancos" não vão para as cadeias!

Sobre os militares...dizem os próprios Americanos, que temos generais e Almirantes de...cadeira. O serviço militar obrigatório acabou, a guerra colonial tinha acabado, mas...apesar da diminuição de soldados e marinheiros, o quadro dos oficiais continuou a engordar, contando com os oficiais na reserva. Continuaram com os seus hospitais privativos e outras "quintas" reservadas. Depois...muitos ainda receberam indemnizações chorudas, pelas não promoções derivadas do PREC, quando nos tinham dito, que tinham feito a revolução para o povo. Tanto quanto sei, Ramalho Eanes, foi o único que não aceitou a indemnização de quase um milhão de euros. Merece a homenagem dos portugueses!

Muitas destas pessoas, acumulavam mais de uma dezena de milhares de euros mensalmente, quando não cinco vezes mais, como tem sido referenciado por alguma imprensa e denunciado em muitos blogs.
São várias destas pessoas, que estão continuamente nas rádios e televisões e enchem os jornais de artigos contra a Troika e as medidas deste governo. Como já  fizeram no anterior governo, tudo fazem, para também derrubar este. Convencidos da sua impunidade, fazem todas as manobras, chantagens e demagogia sobre o "roubo às classes médias"que, segundo eles, não teriam que pagar, até porque são o suporte da democracia?!. Entretanto, continuam a monopolizar os lugares altamente remunerados e, depois, choram lágrimas de crocodilo...porque não há emprego para "a geração mais bem formada da nossa história", ao mesmo tempo que realizam as mais variadas discussões em palestras, conferências, seminários, para que tudo...fique como está!

Mais grave ainda, é o caso das pessoas com reformas douradas, que ainda nos governam ou que continuam a acumular, com outros altos vencimentos em empresas, fundações institutos ou autarquias, como é o caso do Catroga, Bagão Félix, Alberto João Jardim, e tantos outros,  e era o caso de centenas de autarcas, antes de Sócrates ter alterado a lei. Como bem salientou Paulo Morais, em artigo publicado no Correio da Manhã, não são os reformados, que criaram este sistema político pantanoso, que quererão ou serão capazes de fazer as reformas necessárias, para sairmos dele, ou dar-se lugar aos novos.

Nunca defendi a ideologia liberal, ou neoliberal. Não votei neste governo, e até alertei, em mais que um artigo, que o seu objectivo era alterar o Estado Social. Contudo, apoiei a aplicação do Memorando, desde que tive conhecimento do seu conteúdo. Neste contexto, é revoltante ouvir, ver ou ler, continuas deturpações do que estava previsto no acordo inicial com a Troika, descaradas adulterações de algumas medidas do governo, direccionadas para fazer pagar as classes médias, mas que estas, dizem que são medidas contra todo o povo, na vã esperança de o trazerem para seu lado e impedir as reformas.

Os cortes já feitos e os que estão previstos, nos vencimentos, reformas, benefícios fiscais, benesses atribuídas e nas regalias consentidas às elites e classes médias, são a consequência do facto de se terem apropriado dos fundos, que deveriam permitir o desenvolvimento económico e social sustentável. São ainda resultado, da sua ganancia, ao continuarem a espoliar o dinheiro do Estado, mesmo à custa de empréstimos para continuarem a fazer uma vida de festa e ostentação, com remunerações acima da média europeia, enquanto o mundo do trabalho manual, continuou com os mais baixos salários da Europa e a desigualdade continuava a aumentar.

Só o facto de vários jornalistas das TVs, também remunerados acima da média, contestarem as medidas que os afecta, poderá levar a compreender, a quantidade de programas que dão aos instalados do sistema, para condenarem qualquer reforma, quando ganham dez a vinte vezes mais que os operários das fábricas. Só a cumplicidade dos média, pode justificar a quantidade de reformados que tem tempo de antena, para condenar as medidas da Troika, sobre os impostos nas reformas, quando recebem , em média, vinte vezes mais do que a generalidade dos reformados, que trabalharam toda a vida.

Não tenhamos ilusões. Os dois milhões de trabalhadores e os 90% de reformados, que não sofrem aumento de impostos, não é pelo facto do governo ter uma política social justa. Eles não pagam, porque não ganham o suficiente para pagar mais impostos, nem ter uma vida digna, vivem na margem da sobrevivência! É um paradoxo, mas o governo mais liberal do pós 25 de Abril, está a diminuir a desigualdade social! Como não se remunerou, nem se valoriza, o trabalho manual, para diminuir as desigualdades sociais,agora, para pagar a dívida, diminui-se as remunerações dos que se auto promoveram e apoderaram dos dinheiros do Estado. Sem complexos, há que reconhecer que é justo e, a continuar assim, ficaremos de acordo com as médias europeias, os de baixo e os de cima...abaixo de todos os outros...até que um dia, se acorde para a realidade do mundo em que vivemos!


terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Hipocrisia E O Cinismo Das Elites portuguesas!




A hipocrisia e o cinismo das elites políticas, empresariais, académicas e outras, da sociedade  portuguesa, começa a ser insuportável, em tudo o que diz e faz. É verdade, que há muito tempo, se vem afirmando que a situação política, económica, social, de fraco desenvolvimento e agora de excessivo endividamento, é da responsabilidade da elite. Tal facto, indiscutível para quem estuda e acompanha a realidade portuguesa, é reconhecido, inclusive, por alguns destacados membros da elite que nos tem governado.

 A sorte deles e o azar do povo português e de portugal, é que a generalidade das pessoas ainda não o compreendeu, e anda a lutar contra "fantasmas", erigidos em inimigos, em vez de lutar contra o "Quartel General" dos interesses instalados, composto pelas Maçonarias, Opus Dei, Organizações secretas discretas e afins, as quais, capturaram os partidos políticos e o Estado!

Para melhor compreensão, analisemos os comportamentos das elites, apenas a partir do primeiro governo de Sócrates. Todos nos recordamos, da violenta campanha contra as reformas na educação, saúde, justiça e simplificação da burocracia estatal. Julgo hoje ser incontestável, para a
generalidade dos portugueses, que as reformas agilizaram os procedimentos, geraram melhor aproveitamento das infraestruturas, permitiram concentração de serviços dispersos e inoperantes e, acima de tudo, melhor aproveitamento dos recursos humanos abrangidos.

Porem, foi necessário enfrentar a fúria das corporações.  Nos professores, acabou-se com largas centenas de delegados e dirigentes sindicais, que foram obrigados a voltar a dar aulas. Reorganizou-se as turmas, as matérias leccionadas, o parque escolar e foi imposto a avaliação profissional,  entre outras reformas.
 Na saúde, diminuiu-se e atacou-se as variadas "quintas", nas quais, os serviços públicos estavam, de facto,organizados de acordo com os interesses da corporação, das clínicas e hospitais privados. Como consequência, eram sobrecarregados os custos do Serviço Nacional de Saúde e subaproveitadas as infraestruturas e serviços dos mesmos.
Na Justiça e nos Tribunais, combateu-se a dispersão e a manutenção de tribunais que tinham poucos processos, mas recursos humanos excedentários. Acabou-se com o regime de férias especiais, três meses. Procurou-se acabar com o sistema reinante, em que os juízes, advogados e funcionários decidiam como, quando e quais, os processos avançavam para julgamento, sem ter em conta as leis e as prioridades de entrada dos processos, além doutras medidas.

Como as reformas tinham implicações noutras corporações, como seja a diminuição da construção civil, menor compra de equipamentos e prestações de serviços, para o estado e Autarquias, foram atingidas muitas empresas "monopolistas" dos respectivos sectores, os quais se juntaram à "rebelião".

 Sob a batuta do PCP, e a colaboração do BE, generalizou-se a contestação, com alguma participação das populações, que desconheciam a desorganização reinante e estavam receosas de perda de direitos, como resultado de uma campanha de intoxicação dos órgãos de comunicação social, instrumentalizados pelas corporações e pela mobilização da CGTP.

Um dos melhores ministros caiu, o governo ficou fragilizado e acabou por perder a maioria absoluta,nas eleições seguintes. De realçar, que toda esta campanha teve a participação de altos dirigentes do PS, publicamente assumidos como membros da Maçonaria, porque, soube-se (?) posteriormente,  Sócrates não os levou para o governo, nem aceitou manter os seus interesses corporativos.

Entretanto, como consequência da crise do sistema bancário, dos Estados Unidos da América, a Europa entrou no turbilhão das falências bancárias, seguida de queda da economia e entrou, também, na cadeia da usura, do roubo, que o sistema financeiro logo criou, a pretexto das dívidas soberanas. Sócrates, como outros dirigentes europeus, recomeçaram com investimentos públicos, incitados pela Comissão Europeia, para evitar o aumento do desemprego. Recordo bem, que tais medidas, tiveram o apoio da Esquerda à Direita.

Porem, como a principal razão da crise era a perda de competitividade do Mundo Ocidental, particularmente da Europa, quase de imediato começaram a ter relevância pública, os famosos PECs.
Como sabemos, as medidas dos Planos de Estabilidade e Crescimento, tinham por objectivo diminuir o deficit das contas públicas, o que implicava a reorganização de largos sectores do estado e das Autarquias locais. Novamente, as elites e os interesses instalados, reagiram da Esquerda à Direita, inclusive do PS, que dirigia o Governo. Ninguém queria aceitar as medidas, o PEC IV não passou, Sócrates caiu e Passos Coelho entra em cena, depois de ter ganho as eleições, com propostas políticas e económicas, contra as medidas defendidas por Sócrates.

É interessante recordar, que vários elementos das elites, comodamente instalados e remunerados através de várias fontes, foram afirmando, publicamente, inclusive perante as câmaras de televisão, que, atendendo à crise, até aceitavam  cortes nas suas reformas (douradas) ou nos vencimentos (principescos), face aos salários e vencimentos miseráveis do mundo do trabalho. Pois...mas a realidade é teimosa e, como diz o povo, a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima.

Ao tomar conta do "pote", Passos Coelho recomeçou, agravando, a aplicar as medidas que não deixou Sócrates executar. Imediatamente, a elite e os interesses instalados, que tinham contribuído para a sua vitória, em colaboração com o PCP e o BE, desencadearam novas  lutas contra as reformas que já estavam contempladas no PEC IV e foram desenvolvidas no Memorando da Troika. 

Por paradoxal que possa parecer, nenhuma organização política, sindical ou empresarial, quis publicar o conteúdo do Memorando. Porquê? Porque assim escondiam, que a maioria das medidas previstas, não eram contra o mundo do trabalho, mas antes, contra os interesses instalados no Estado, nas Autarquias, contra as corporações profissionais liberais, contra os oligopolios, de facto, na banca, nas telecomunicações, na energia etc.

Como seria expectável, as corporações,tudo fizeram, discretamente,para que as medidas que os deviam atingir, não fosse aplicadas, ou, que apenas fossem aparentemente. Simultaneamente, através da comunicação social, com a participação de "personalidades ilustres", alguns dos quais, anteriormente diziam aceitar cortes de regalias, tudo fizeram e fazem para  fazer passar a mensagem, de que, as poucas e irrisórias medidas contra os seus interesses, eram e são contra a generalidade dos trabalhadores e dos reformados, na vã tentativa de os colocar a seu lado.

Como consequência de tudo isto, e com o actual governo, cada vez mais vergado perante as corporações e, simultaneamente, pressionado pela Toika , para controlar as despesas públicas e reduzir o deficit opta, com cumplicidade absoluta, pela manutenção dos interesses instalados. O corte substancial dos municípios, a extinção do apoio financeiro às Fundações, a redução profunda dos Institutos, a reorganização e diminuição dos Altos Quadros do Estado, a diminuição substancial das rendas nas PPP e na energia, entre outras medidas, previstas no memorando, são abandonadas ou mitigadas, enquanto o Direito do Trabalho, foi completamente arrasado! 

Conclusão: o cinismo das elites continua a resultar e a sua hipocrisia não está desmascarada. Como eles impedem os cortes previstos, o deficit aumenta, e o Governo prepara-se para mais um corte, de quatro  mil milhões de euros, na saúde, na educação e na segurança social. O dinheiro que devia ser cortado às elites, para diminuir o deficit, vai acabar por ser pago por todos, quando o mundo do trabalho já perdeu todos os seus direitos e regalias e os seus baixos salários e vencimentos, nada contribuíram para a "banca rota". Não nos deixemos mais enganar. A Troika, não é o nosso inimigo, é o representante dos credores. o  verdadeiro inimigo dos trabalhadores e do povo português, é o "Quartel General" dos interesses instalados, Maçonaria, Opus Dei, Organizações secretas, discretas e afins!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As Elites Portuguesas Nem Sabem Governar, Nem Querem Que Outros Nos Governem!

As elites portuguesas, nem sabem governar, nem querem deixar que outros nos governem. O espectáculo, degradante, que nas últimas semanas tem sido dado pelo actual e ex Presidentes da República, por governantes e ex governantes, por dirigentes políticos, sindicais, patronais e por dirigentes e altos responsáveis de Órgãos do Estado, só demonstra falta de ética republicana e de responsabilidade perante os cidadãos acossados pela austeridade, e prova a incompetência de quem nos governa e dos que já nos governaram. Há excepções, certamente, mas é evidente que falta em Portugal, Homens com coragem, capacidade e sentido de Estado. Faltam Elites que pensem e governem o Estado, numa perspectiva  de futuro e ao serviço do Povo.

Estamos habituados, que o PCP e a sua "tropa", comecem por criticar algumas medidas políticas, que contrariam a sua ideologia e afectam os seus interesses, e acabem por condenar e lutar contra a manutenção de todos os governos, desde 1975. O BE, ainda que pretenda ter uma orientação política e ideológica diferente do PCP, acaba por convergir na estratégia de "terra queimada", como foi o caso do chumbo do PEC IV, e que contribuiu,  decisivamente, para o pântano em que estamos metidos. Em suma, são dois partidos que não nos oferecem alternativa, para superar a actual situação.

São muitas e cada vez mais, as pessoas que não acreditam nos dirigentes políticos, tem dúvidas na capacidade e da representatividade dos partidos, começam a por em causa a democracia representativa, e já nem o sistema democrático constitucional é respeitado. Contudo, se tivermos em consideração o  pântano em que caímos, particularmente nos dois últimos anos, e o comportamento dos partidos do arco da governação, PS, PSD e PP, torna-se compreensível a condenação dos políticos e a realização de protestos e manifestações, à margem e contra os partidos e os sindicatos. Esta contestação atingiu tal nível, que vários representantes dos interesses instalados, tem vindo a público  alertar que o poder pode cair na rua, ou que a rua não pode resolver os problemas, como intimida a Igreja, através do Cardeal  Policarpo.

Entretanto, o "Quartel General" dos interesses instalados - Maçonarias, Opus Dei, Organizações secretas, discretas e afins - principais responsáveis pela situação que nos encontramos, tudo tem feito, para que seja apenas o mundo do trabalho a pagar a crise. Opuseram-se às reformas no primeiro governo de Sócrates. Dificultaram a implementação dos PECs. Ocultaram e depois deturparam o Memorando, enquanto fizeram o maior ataque que há memória, ao Direito do Trabalho. Mas foi, especialmente, após o Tribunal Constitucional, declarar não conforme à Constituição, o corte de dois salários da função pública, que foi desencadeado o processo de instabilidade governativa, em que nos encontramos actualmente.

Não votei nos partidos da actual maioria, nem sou apoiante deste Governo. Todavia, é para mim indiscutível, que o OGE  deve ser aprovado, e que o PSD e o PP devem continuar a governar, até que haja novas eleições. Nada justifica a demissão do Governo,  como também não se justificava o chumbo do PEC IV e a consequente queda do Governo de Sócrates. Este, como o anterior, ou outro governo que venha imediatamente a seguir a eleições, só pode ter um programa: Cumprir e aplicar o Memorando! Não deve ser aceite qualquer tipo de governo de iniciativa presidencial. Se os actuais partidos, não querem executar as directivas da Troika, ou não se querem  "queimar" com as medidas impopulares, que haja eleições, com os actuais partidos e outros, que eventualmente se constituam, e que o povo decida.,

As pessoas minimamente informadas, sabem que todos estamos a pagar a factura da crise. Contudo, a esmagadora maioria dos trabalhadores, cujos salários são escandalosamente e reconhecidamente baixos, estão a pagar com muita dificuldade ,particularmente, através da inflação e da perda de direitos, que na prática já não tinham. A chamada classe média baixa, com vencimentos até 1350,00 E, já é suficientemente atingida pelas várias medidas de austeridade, tendo em conta a sua pequena responsabilidade na crise, e compreende-se que proteste, ainda que deva ter em consideração como está o mundo globalizado e, como consequência, pensar que os anteriores vencimentos e salários, não voltarão.

 Quanto à classe média alta, mundo das finanças, empresarial, patronal e os ricos em geral, quando constataram que o Memorando também os ia atingir, reagiram à sua maneira e com o poder que tem. É relevante, que tenha aumentado a corrupção, a fuga aos impostos, o aumento da economia paralela, a critica cerrada da comunicação social à Troika, particularmente das televisões e dos seus comentadores de serviço. Paralelamente são feitos apelos ao derrube do governo por ex governantes e  por Mário Soares, aumenta a instabilidade política interna no PSD, PP e no PS, neste último caso, agravado pela sabotagem à liderança de A J Seguro. Tudo é premeditado, organizado e dirigido pelo "Quartel General" dos interesses instalados, que cativaram o Estado e todos os partidos democráticos ,para sabotar a implementação do Memorando e a aprovação do OGE, para  não serem obrigados a pagar uma pequena parte, dos grandes benefícios que obtiveram à custa do Estado, isto é, da maioria dos portugueses.

O que  esta orquestração, desinformação, chantagem e pressão está a pretender atingir, é que seja renegociada a dívida, aumentado os prazos de pagamento, sejam suspendidas as medidas de reestruturação do aparelho do Estado, não se extinga municípios e não haja o aumento dos impostos previstos no OGE. Agora, que os cortes nos salários no mundo do trabalho já estão concretizados, pela via do corte de direitos e regalias, pensam ser admissível haver novos investimentos privados,  algum desenvolvimento e criação de riqueza, susceptível de permitir o abatimento da dívida, sem que a classe média alta e os ricos paguem a crise, sem que as reformas acabem com fundações, institutos, câmaras municipais e empresas municipais, e os que estão instalados se mantenham nos seus lugares ,altamente remunerados e, simultâneamente, a trabalharem nos seus gabinetes e a fazer negócios à conta do estado, à conta de todos nós.

 Não nos iludamos, a Troika não é o nosso inimigo, é o representante dos credores, que nos emprestaram o dinheiro para nos desenvolver-mos, mas que aplicamos mal e desbaratamos em festas. A luta política, a contestação, os protestos e manifestações, deve ser contra o "Quartel General" dos interesses instalado, e, simultaneamente,  em defesa da  Democracia e do Estado de Direito, Democrático e Social!

sábado, 29 de setembro de 2012

Grande Manifestação da CGTP, Ou Expressiva Derrota Dos Interesses Instalados De "Esquerda"?



Vi com atenção, a manifestação da CGTP, desde que os três canais da televisão começaram as reportagens. Prestei muita atenção, a muitas das declarações dos manifestantes, que foram entrevistados. Escutei o discurso, a cassete, do líder da Central do PCP, reflecti sobre o seu conteúdo e só pude concluir: a manifestação, constitui uma expressiva derrota, dos interesses instalados de "esquerda".

A manifestação, representou uma expressiva derrota na organização, porque apesar de ter mobilizado pessoas de outras zonas do país, através de 20000 delegados e 2000 dirigentes sindicais e transportados em mais de duas centenas de autocarros, apenas conseguiu reunir cerca de 100000 manifestantes na Praça do Comércio, enquanto no dia 15 de Setembro, terão participado meio milhão em Lisboa e, no conjunto das várias manifestações, um milhão de manifestantes, apenas convocados pelas redes sociais.

A manifestação, representou uma expressiva derrota política, porque apesar da comunicação social afirmar, que alguns dinamizadores das manifestações espontâneas anteriores, terem apelado à participação, e de Arménio Carlos, ter afirmado perante as câmaras da televisão, que a manifestação deixaria de ser da CGTP, para passar a ser de todos. Contudo, o que foi evidenciado, foram as participações de dirigentes sindicais de polícias, professores e militares, entre outros, assim como os dirigentes do PCP , do BE e, particularmente, de Carvalho da Silva, a tentar "vender" o seu congresso das alternativas, para voltar a ter protagonismo, do qual demonstra grande nostalgia. Finalmente, para demonstrar aos ingénuos, porque "a unidade" com CGTP/PCP não é possível, voltaram a cantar a Internacional...numa concentração que se pretendia "unitária", de todos.

Em síntese, o que hoje o PCP veio demonstrar, mais uma vez, através da CGTP, é que continua a ser impossível contar com eles, para fazer as reformas necessárias. Não aceitam qualquer reforma, todavia, vão "tolerando" que o mundo do trabalho fique sem direitos e os salários baixem, com as "suas gloriosas lutas e manifestações", que mais não servem do que tentar defender, por todos os meios, os seus quadros políticos e sindicais, alojados aparelho do Estado e nas autarquias locais, de braço dado com a "classe média" instalada, como era evidente na composição social da generalidade dos manifestantes e pelas declarações que fizeram. O "Quartel General" dos interesses instalados, também passa por estes senhores, apesar da sua retórica de esquerda e de serem trabalhadores...que há décadas não vão aos locais de trabalho.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O "Quartel General" Dos Interesses Instalados Teme Que O Poder Caia Nas Ruas!




O "Quartel General" dos interesses instalados - Maçonarias, Opus Dei, Organizações secretas, discretas e afins - teme que o poder caia nas ruas. Nas ultimas semanas, através de várias entrevistas,  artigos de opinião e de comentários nas televisões, os poderosos do regime e os seus porta vozes, tudo fizeram, para enquadrar as ultimas manifestações de rua, dentro do actual sistema político e realçar o seu carácter pacífico. Usando um cinismo revoltante, expressaram compreensão com as dificuldades do povo, particularmente da classe média e, simultâneamente, assumiram a necessidade de algumas das medidas propostas pelo governo, serem alteradas. Todavia, nenhuma sugestão, tinha por objectivo atingir os interesses instalados.

Parece cada vez mais indiscutível, que a Troika, não ficou satisfeita com a situação encontrada, particularmente, com o atraso das reformas estruturais, que todos os lóbis lutam para impedir. A proposta escandalosa de alteração da TSU, teve a vantagem de agitar o mundo do trabalho do sector privado. Contudo, foram as medidas apresentadas pelo Ministro das Finanças, que incendiou o protesto generalizado pois, ainda que timidamente, propõe algumas reformas contra os interesses instalados, como é o caso da tributação de todo o património e a extinção de fundações ou a diminuição dos respectivos subsídios.

Tais factos, foram o suficiente para que o "Patriarca" do PS e alguns seguidores, e muitos comentadores, afirmassem que o acordo com a Trioka não devia ser cumprido, que o governo já não tinha condições para governar e que deveria ser substituído. Acto contínuo, logo os radicais e os saudosos do poder, pelo poder, do PS,  afirmaram que o partido se devia preparar para governar, enquanto outros, mais "famintos", queriam o poder já, que o partido estava preparado. Naturalmente,  tais opiniões e atitudes, foram apoiadas pelo PCP e BE, ainda que, com alguma ambiguidade.

Certamente, por efeito de pressões e negociações, através do "Quartel General" dos interesses instalados, de um momento para o outro, passou-se da critica ao governo, por causa da TSU, para a condenação e defesa de substituição do governo, porque pretendia atingir os interesses instalados. Porem, os interesses instalados tem porta vozes autorizados e privilegiados. Logo que o "insuspeito grau 33 do  GOL", assumiu, que o actual governo tem condições para governar, a contestação acabou, e passou a depositar-se todas as esperanças na reunião do Concelho de Estado, que necessariamente haveria de ultimar, ou apenas aprovar, a nova partilha do poder feita discretamente.

Como todos sabemos, na vida das pessoas e na actividade das organizações, acontecem situações imprevistas, por vezes dramáticas, quando não se quer ter em conta a realidade dos factos. Na manifestação do dia 15 de Setembro, já tinha sido perceptível, que muitas pessoas não se limitavam a criticar e condenar apenas a Troika e o Governo. Gritavam também contra a corrupção e contra os "gatunos", que exibiam em cartazes. Ao que parece, o poder não valorizou estas criticas e os partidos assobiaram para o lado.

 Contudo, a manifestação em frente ao Palácio de Belém, enquanto decorreu a reunião do Concelho de Estado, não deixou dúvidas quanto aos seus objectivos imediatos: criticar, condenar e apupar todos! Estava o Presidente e ex Presidentes da República, Primeiro Ministro, Ministro das Finanças,  Partidos Políticos Democráticos, Altas Personalidades como Conselheiros de Estado, ou seja, estavam os representantes do actual sistema político. Para que dúvidas não houvesse, vários manifestantes gritavam ainda contra todos os partidos, contra os sindicatos e contra os patrões.

O poder caiu na rua? Não! A contestação ao sistema caiu na rua? Sim! Ás manifestações constituíram factos relevantes para o futuro do país? Sim! A maciça participação das pessoas foi positiva ou negativa? As duas coisas. Positiva, porque revelou que muitas pessoas mais jovens acordaram para a contestação e, acima de tudo, demonstraram uma consciencialização de luta, não apenas contra o governo, mas contra todos os interesses instalados, ainda que mal identificados. Negativa, porque sendo um movimento inorgânico e, ainda, anti partidos, impede que formalize propostas concretas alternativas, que desenvolva actividade continuada e consistente,inclusive criando nova organização política e, finalmente, pode ser aproveitada por organizações ou partidos antidemocráticos.

O facto do Governo recuar na TSU, ainda que prepare medidas mais duras, o alerta que sofreram  os partidos e sindicatos, os volte face, que várias personalidades e comentadores estão a fazer, "defendendo" já algumas reformas, tudo se deve às grandes manifestações espontâneas. O "Quartel General" dos interesses instalados, particularmente as Maçonarias, começam a revelar algum nervosismo, à medida que lhe afectam os interesses e que os identificam, como os principais responsáveis, pela marginalização dos partidos, pela corrupção e pela impunidade reinante no país. Quando o povo se levanta...o mundo move-se... espero que seja na direcção justa, pois há nuvens negras no horizonte.