segunda-feira, 2 de julho de 2018

O ESTABLISCHMENT PORTUGUÊS;,ISTO É, OS INTERESSES INSTALADOS QUE CAPTURARAM O ESTADO, ESTÁ A FICAR DESORIENTADO E OS SEUS COMISSÁRIOS NOS MÍDEA, CONSCIENTES E DESESPERADOS DE QUE NÃO CONSEGUEM PASSAR AS SUAS MENSAGENS, DO POLITICAMENTE CORRETO, ENTRARAM EM PÂNICO!




O ESTABLISCHMENT PORTUGUÊS, ISTO É, OS INTERESSES INSTALADOS QUE CAPTURARAM O ESTADO, ESTÁ A FICAR DESORIENTADO E OS SEUS COMISSÁRIOS NOS MÍDIA, CONSCIENTES E DESESPERADOS DE QUE NÃO CONSEGUEM PASSAR AS SUAS MENSAGENS, DO "POLITICAMENTE CORRETO", ENTRARAM EM PÂNICO!

Agora que já parece ter passado a euforia do campeonato do mundo de futebol, com a eliminação da seleção nacional e sem as esperadas e desejadas guerras de claques com que esperavam atacar o Presidente da Rússia, talvez se possa refletir  porque razão uma série de jornalistas e comentadores passaram a escrever artigos em "defesa da democracia e da nossa forma de viver". 
No penúltimo fim de semana foram escritos, no Diário de Notícias,  no Público e outros jornais, vários artigos onde os partidos e movimentos "populistas" e nacionalistas, são rotulados de criminosos e promotores do fascismo e do nazismo, dos quais destaco:

Bernardo Pires de Lima, que já escreveu mais de uma dezena de artigos a denegrir a personalidade dos presidentes  Putin e Trump e a atacar as suas políticas, desta vez, depois de reconhecer que "as democracias pluralistas precisam de ser regadas constantemente para não caírem em longas secas que corroem os seus valores mais elementares (e estamos a assistir a esta estação no Ocidente)", pergunta: "Será que estamos condenados a ser rodeados de um eixo de testosterona, autoritário, nacionalista e xenófobo?" E quem representa este eixo? Erdogan, Putin, Trump, Orban e Salvini !

João Taborda da Gama, após descrever os "massacres de Babi Yar", tem a ousadia de compara-los, ainda que indiretamente, com a separação de pais e filhos ocorrido nos EUA por causa da imigração ilegal, atribuindo a responsabilidade de tais factos ao ao presidente Trump, além de o condenar por se amigar com o líder da Coreia do Norte onde, segundo Taborda da Gama, existem campos de concentração iguais aos nazistas!

Pedro Marques Lopes, apesar de começar o seu artigo com a afirmação de que "não há um problema de imigração na Europa", faz toda uma série de considerações sobre o "medo" provocado pela "crise humanitária" e seus principais responsáveis - os líderes da Hungria e da Itália. Na sua opinião, " o feito destes líderes é concentrar todos estes medos e concentra-los no ódio aos imigrantes", afirmado a seguir: " Para estes criminosos o discurso anti imigração é um meio. O objetivo é querer impor agendas que estão muito para lá das questões de imigração. Essas políticas são apenas a porta de entrada para a destruição da democracia, do Estado de Direito, do nosso modo de vida." !

No Público, José Pacheco Pereira, no subtítulo do seu artigo não deixa dúvidas sobre o pânico em que vive ao afirmar: "Ou a gente defende a fina película da civilização ou os brutos que adoram a força a partem por todo o lado."!? Apesar de ter sido um dos poucos comentadores que afirmou compreender a razão da vitória de Trump e, por essa razão, ter criticado os comentadores que afirmavam que os eleitores que votaram em Trump eram estúpidos e ignorantes, agora, rotula de imbecis as pessoas que apoiam os líderes "populistas nacionalistas e autoritários" na América e na Europa! Naturalmente, Pacheco Pereira, tem toda a legitimidade para defender a imigração, como o faz neste artigo. Todavia, não tem o direito de condenar quem defende posição inversa da sua e, principalmente, escrever sobre Trump "Punham o bruto sobre quarentena, e nem Rainha, nem Marcelo, nem ninguém lhe iam apertar a mão". Também não lhe assiste qualquer autoridade,  para defender a expulsão da Hungria da UE. Onde está o respeito pela soberania popular? Não foram todos estes líderes eleitos democraticamente?

No mesmo jornal, Vicente  Jorge Silva, em tom apocalipto escreve: "A guerra dos mundos e a desintegração europeia."! Será que não passa pela cabeça destes escribas, ao serviço dos interesses instalados, que Trump, Orban, Ordogan, Salvini e outros foram eleitos pela maioria dos seus povos? Só a desorientação, o pânico com a perda de influência dos jornalistas e comentadores, podem permitir a ousadia irresponsável de se afirmar que "a guerra dos mundos está declarada entre a civilização e a barbari."!

Temos ainda no jornal Público, Teresa de Sousa, que escolheu para título do seu artigo, o seguinte: Trump 0, Merkel 20  Começa-mos assim por ficar a saber que, o presidente Trump, vale zero na sua opinião. Surpreendente? Não! Ela não tem feito outra coisa, com os seus artigos, que não seja tentar denegrir a imagem de Trump desde que ele foi eleito, seguindo a cartilha dos mídia do establischment americano. Naturalmente...o objetivo do artigo é atacar os partidos e movimentos "populistas" e nacionalistas e os seus "instigadores" Putin e Trump, sintetizado na seguinte frase: "Trump tem espalhado por quase todos os países europeus os seus epígonos, os seus admiradores, os "pequenos Trump" que descobriram, alguns depois de Putin, um novo aliado na luta para subverter as democracias liberais europeias." Todavia, o conteúdo mais grave do artigo, é insinuar a identificação do presidente Trump com o fascismo e o nazismo, servindo-se de citações de duas autoras americanas que pretendem comparar a situação atual com o fascismo e o nazismo do Século passado.

Sendo todos os autores citados, defensores do sistema democrático pluralista e representativo, as opiniões que desenvolvem nos artigos contrariam tudo o que dizem defender! Será que os dirigentes, movimentos e partidos políticos não foram todos eleitos democraticamente? Será que esses mesmos dirigentes. movimentos e partidos, não apresentaram os seus programas eleitorais com os quais dirigem ou governam? Será que os processos eleitorais não decorreram de acordo com a Lei de cada país e escrutinados por delegados de outros países? Não podendo haver dúvidas sobre a legitimidade eleitoral nos casos referidos, atacar, condenar e rotular estes governos e líderes políticos como pró-fascista e pró-nazista, significa não reconhecer a legitimidade e soberania dos povos de cada país elegerem como seus representantes aqueles que afirmam defender os seus interesses contra o establischment.

O que está em causa, tendo em consideração que o sistema democrático continua a vigorar em todos os países referidos, é a luta contra o sistema instalado das corporações secretas discretas e afins, as quais desvalorizaram a participação eleitoral popular, criando milhares de ONGs para agirem em seu nome!
O que está em causa, é a luta contra a globalização desregulada que no Ocidente marginalizou centenas de milhões de operários e trabalhadores com a deslocalização das empresas, contribuindo para uma acentuada baixa de salários e rendimentos nos trabalhadores que mantiveram os seus empregos e uma diminuição de salários ainda mais acentuada em todos os que entraram no mundo do trabalho nas duas últimas décadas, provocando a emergência de uma autentica lei da selva sem horários e sem direitos, enquanto as elites políticas, económicas e financeiras e principalmente os altos dirigentes das empresas, aumentaram os seus rendimentos quase exponencialmente, provocando a maior desigualdade entre os rendimentos do capital e do trabalho, que vem crescendo há mais de três décadas!

Sim, Putin foi eleito contra o posso quero e mando do Ocidente, particularmente e establischmente dos EUA. Sim, Trump foi eleito em luta aberta e frontal contra o establischmente americano. Sim, a vitória do Brext foi contra o establischment inglês. Sim, Orban, Ordogan, Salvini e outros dirigentes foram eleitos contra o establischmente e na defesa dos interesses e soberania dos seus países. Dos dirigentes europeus assim eleitos, nenhum saio, nem quer sair, da União Europeia.

Concluindo, o que estes escribas de serviço e outros, a elite instalada, as Maçonarias, o Opus Dei, serviços secretos , discretos e afins temem, é o aparecimento de um movimento ou partido político anti sistema, seja criado em Portugal. A primeira tentativa -PDR - foi aniquilada. Todavia, as elites tem consciência que, mais tarde ou cedo, acabará por ser criada uma organização anti sistema, não anti democrática, que dará corpo ao descontentamento da maioria do povo português, cansado de ver mudar governos, sem que o nosso atraso, dependência e as desigualdades gritantes, sejam superadas! Lamentavelmente, nem a TROIKA conseguiu impor todas as reformas aprovadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

COMO A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA DE ANTÓNIO COSTA E O DESESPERO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS, ALTERARAM O EQUILÍBRIO PARTIDÁRIO E GERARAM UMA GUERRA PELO CONTROLE DO APARELHO DE ESTADO!




Como a luta pela sobrevivência política de António Costa e o desespero do Partido Comunista Português, alteraram o equilíbrio interpartidário e geraram uma guerra pelo controle do aparelho de Estado. Quando a generalidade dos portugueses esperava a demissão do Secretário Geral do PS António Costa, face à rotunda derrota eleitoral que sofreu, ele não só afirmou que não se demitia como, ao mesmo tempo, enviou uma mensagem de socorro codificada (não faria coligações negativas) ao PCP, para a constituição de um governo alternativo à coligação. Como Jerónimo de Sousa estava desesperado, perante a espectacular subida do BE (mais de 285000 votos e o dobro de deputados, enquanto a CDU apenas aumentou 3300 votos) logo aceitou o convite, aparentemente de forma incondicional!

Como a generalidade dos portugueses anda distraído e os comentadores do sistema só querem manter as pessoas na ignorância do que é relevante, quase toda a gente ficou confusa ou estupefacta perante as reuniões partidárias que se seguiram e as eventuais consequências políticas. Poder-se-ia esperar de António Costa uma posição coerente e uma atitude digna, quando até aí nunca reconheceu erros nos governos que participou e nos levou à banca rota, que não foi capaz de se assumir perante a prisão e as acusações sobre Sócrates e que sabotou a liderança de António José Seguro? Só os ingénuos e as pessoas que não conhecem o seu percurso político, poderiam acreditar que ele tivesse um comportamento diferente. Ele sabe, que se não conseguir ser Primeiro Ministro, o seu lugar de Secretário Geral acaba e não terá futuro político!

Quem, ainda, consegue ter coragem para acompanhar as vicissitudes da política portuguesa e da vida partidária do "bando dos cinco", que estavam representados na Assembleia da república, sabe que os partidos políticos não tem credibilidade, que as divergências ideológicas entre eles são aparentes, que as propostas e as opiniões políticas mudam como o vento e de acordo com as circunstâncias pois, o seu único objectivo é repartir entre eles as benesses do Estado, que eles capturaram. A guerra que estamos a assistir, serve apenas para saber qual a coligação que tem a prioridade na colocação dos seus quadros e dirigentes no governo e aparelho de estado e de definir as reformas possíveis, que não contrariem as ordens da UE e melhor sirvam as suas clientelas, porque todos sabem que tem que cumprir as directivas de Bruxelas e dos credores para pagar as dívidas!

Mas, tendo o "bando dos cinco" tanta convergência de interesses, quais as razões que poderão justificar a alteração do equilíbrio interpartidário? Para não tornar o artigo muito extenso, vou apenas fazer referência aos acontecimentos políticos recentes, em Espanha e na Grécia. Em Espanha, a Esquerda Unida, último reduto dos comunistas, foi completamente engolida pelo Podemos, ou seja, um partido próximo do BE. Ao mesmo tempo, o PSOE, que não se conseguiu distanciar do PP, fez várias coligações autárquicas com o Podemos, para evitar que lhe aconteça o mesmo que os socialistas gregos. Na Grécia, o PASOK está em vias de extinção. Os comunistas gregos, que tanto lutaram contra a austeridade, foram marginalizados e viram o Syriza (os amigos do BE) voltar a ganhar as eleições, agora para aplicar as medidas que antes combateram.

Aqui chegados e perante a retumbante vitória do BE, poderia o PCP não fazer tudo para se atrelar ao PS, ainda mais quando este está debilitado, procurando evitar  a marginalização, como aconteceu aos seus camaradas na Espanha e na Grécia? Jerónimo de Sousa, tem plena consciência que perdeu a batalha com o BE nas universidades e não poderia deixar ir o BE sozinho com o PS para o governo, conforme sugerido no debate Costa/Catarina. E poderia António Costa, deixar de aceitar o convite do BE e fazer o pedido de socorro ao PCP, quando apenas tinha como alternativa abandonar a direcção do partido, deixar ficar o PS na oposição e aguardar que o BE lhe viesse roubar o eleitorado? Claro que não, a sua sobrevivência política e o poder pelo poder, está acima de tudo!

Em síntese, se não pode haver dúvidas que foi António Costa e o PCP que alteraram o equilíbrio interpartidário, também é indiscutível que a causa de todos os acontecimentos, é o resultado eleitoral do Bloco de Esquerda. É um facto, reconhecido por todos os adversários, que a prestação televisiva de Catarina, líder do BE, foi excelente na forma e no conteúdo. Na forma, constatou-se como passou a ser recebida e aplaudida, depois das intervenções na televisão. No conteúdo, porque soube abrir janelas para o PS e deixar implícito uma mensagem reformista, "social democrata", para as novas gerações de quadros da classe média. O exemplo do Syriza foi bem assimilado. Se é preciso fazer reformas impopulares e obedecer aos ditames de Bruxelas e dos credores para conquistar e manter o poder, pois que seja, a ideologia é passado. Catarina e seus amigos, pensam que o BE se consolidou e vai crescer, enquanto o PCP e o PS, estão em declínio e decomposição. E...é bom não esquecer...que o BE já se uniu ao PSD e CDS para derrotar o PS/Sócrates e, na Grécia, o Syriza fez a coligação com um partido da extrema direita!

Quanto à coligação do PSD/CDS, terá que aguardar o desenvolvimento dos acontecimentos. Passos Coelho, tem toda a legitimidade para aguardar que o Presidente da República o convoque para formar governo. Todavia, só pressões intransponíveis de Bruxelas, é que poderão fazer recuar António Costa de apresentar um "governo de esquerda" com o PCP e o BE. Como consequência, se tiver forças para recusar as pressões, não vai deixar passar o governo de Passos Coelho. Resta à coligação de direita, a esperança que o PR não aceite o governo proposto por António Costa e que me mantenha o governo em funções, até que se possam realizar novas eleições. E...depois do que aconteceu em 2011...quem é que tem legitimidade para criticar os outros? Como diria Guterres, é a vida. Eu direi, o pântano continua e voltamos a caminhar para nova banca rota!








quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A FARSA DO DEBATE ENTRE ANTÓNIO COSTA E PASSOS COELHO E A TRAGÉDIA DA DEMOCRACIA PLURALISTA PORTUGUESA!




A FARSA DO DEBATE COM ANTÓNIO COSTA E PASSOS COELHO E A TRAGÉDIA DA DEMOCRACIA PLURALISTA PORTUGUESA! É uma farsa de campanha eleitoral, que só António Costa do PS e Passos Coelho do PSD, tenham direito a debate em canal aberto e simultâneo, nas três televisões generalistas! É um circo mediático que durante três dias as televisões generalistas e as de cabo, não falem de outro assunto político que não seja sobre o debate entre António Costa e Passos Coelho, quer através dos protagonistas  e de gravações do Debate, quer através de dezenas de comentadores a discutirem o que foi ou não dito, ou  a fazerem comentários sobre as sondagens feitas após o debate. 

É uma fraude considerar, a discussão entre António Costa e Passos Coelho, como um debate político eleitoral, quando várias vezes eles se recusaram a responder a perguntas dos jornalistas, quando não abordaram os mais importantes problemas do país e suas eventuais soluções e, principalmente, porque omitiram as reformas do Estado previstas no Memorando, nomeadamente, acabar com as pretensas Fundações e reduzir drasticamente os institutos, observatórios e outros organismos públicos, que apenas servem os interesses instalados e impedem a manutenção do Estado Social e dificultam a diminuição das desigualdades sociais!

Depois de terem assistido a anos de degenerescência  da política, dos políticos e da democracia representativa, os portugueses estão a viver a TRAGÉDIA DA DEMOCRACIA PLURALISTA PORTUGUESA! Ou que significado pode ser atribuído a umas eleições parlamentares, quando uns candidatos tem direito a debates em televisões de sinal aberto, outros apenas nas televisões por cabo e a maioria dos candidatos, não tem direito a nenhum debate em qualquer Televisão, quando a CONSTITUIÇÃO estabelece o direito de igualdade entre candidatos? As pessoas que defendem a democracia pluralista, só poderão considerar este processo eleitoral como uma TRAGÉDIA, que antecede a morte do actual regime político!

A FARSA em que se está a transformar as eleições e a TRAGÉDIA política que os portugueses estão a viver tem responsáveis: TODOS OS PARTIDOS POLÍTICOS que estavam representados na Assembleia da República! Todos sabem como e porquê tem aumentado a abstenção. Todos já fizeram promessas de alterar as leis e os círculos eleitorais. Todos diziam defender os debates plurais na comunicação social, particularmente nas televisões e em especial na RTP.  Porém, até ao momento em que escrevo, não tenho qualquer notícia de protesto do PCP, BE e CDS. Porquê? Porque tudo foi programado para servir a podridão dos interesses instalados.

 Os poderes ocultos deste país que tudo controlam e influenciam, em especial através da comunicação social, não querem mudanças substanciais no sistema político e nas políticas governamentais, mas apenas alterações cosméticas. Em nome desses poderes ocultos, continuará a governar o centrão da corrupção e dos interesses instalados, ora PS, ora PSD, que apenas lutam para dar prioridade aos seus quadros e amigos. Quanto ao PCP e o BE, estão encarregados de fazer o espectáculo de pretensa oposição, a troco da manutenção dos seus quadros nas Universidades, Autarquias e Sindicatos e da obrigação de bloquear o aparecimento de novos partidos, que possam alterar radicalmente o actual regime político!

Não me sinto em condições, para opinar sobre a razão da luta dos lesados do BES. Todavia, estão a demonstrar grande combatividade contra as entidades ou políticos que eles consideram culpados. Ontem, quando vi a sua manifestação junto ao local em que se realizou o debate, entre António Costa e Passos Coelho, não pude deixar de pensar: Porque não estiveram lá também os dirigentes e apoiantes dos partidos políticos excluídos, a condenar a discriminação de que são vítimas, por serem impedidos de participar em debates nas televisões de cabo e de sinal aberto? 

 Haverá, certamente, algumas razões válidas para alguns dos partidos excluídos não pensarem em acções desta natureza. Todavia, parece haver um objectivo comum: impedir Marinho e Pinto e o PDR de terem cobertura televisiva, que possibilite um grande resultado eleitoral, como todos tem receio que aconteça! Ou será que foi por acaso, o aparecimento de tantos partidos e a alteração da regra dos debates públicos entre todos os candidatos, depois do resultado eleitoral de Marinho e Pinto nas eleições europeias e o seu anúncio de criar um novo partido? O tempo se encarregará de esclarecer!

terça-feira, 21 de julho de 2015

PARTIDO DEMOCRÁTICO REPUBLICANO, A OPORTUNIDADE PERDIDA?




Partido Democrático Republicano, a oportunidade perdida? Aparentemente, é uma pergunta provocatória. Contudo, se considerar-mos os acontecimentos nos últimos seis meses e, particularmente, as últimas semanas em Portugal e na Grécia, teremos de concluir que o PDR que era uma esperança e uma alternativa política para os portugueses, passou a ser uma desilusão para os potencias eleitores, senão vejamos:

Em Janeiro, uma empresa de sondagens atribuía ao PDR 5,6%. Neste último domingo, a mesma empresa, dava 1,4%. Neste mesmo período de tempo, todas as empresas de sondagens revelaram uma contínua baixa nas percentagens, salvo erro, menos uma vez. Sabemos que nas últimas eleições  realizadas em alguns países, as sondagens foram um rotundo fracasso. Mesmo assim, tendo as sondagens um valor relativo, não deixa de ser preocupante que, entre todas as últimas sondagens, o PDR tenha apenas diferença de décimas percentuais!

Paradoxalmente, o acordo e o próximo resgate à Grécia e as suas repercussões em Portugal, apenas reforçaram a credibilidade das propostas políticas do PDR, expostas há muito tempo por Marinho e Pinto. A crise do Syriza e do seu governo teve a virtude de colocar, em primeiro plano, quatro  questões fundamentais em relação à Grécia mas, objectivamente, também em relação a Portugal.

Aceitar, ou não, políticas de austeridade. Reconhecer a necessidade e implementar, ou não, reformas profundas no Estado, em particular nas pensões. Colocar, ou não. a reestruturação e o perdão da dívida, como condição necessária para o crescimento económico. Defender, ou não, a manutenção do país no Euro e na UE. O acordo conseguido para evitar a expulsão  do Euro e as pré condições para a negociação do novo resgate, são claras: Austeridade reforçada; Reformas do Estado mais abrangentes; Perdão da dívida fora de questão, ainda que se admita alterações no pagamento, condicionado pelo cumprimento do acordo e do resgate. Manutenção no Euro e na União Europeia, por exigência da esmagadora maioria do povo grego.

Em relação a estas quatro questões, o PDR, considerando as opiniões publicadas pelo seu Líder Marinho e Pinto, é o único partido que aceita dar resposta afirmativa às quatro questões. O PSD e o CDS - o governo - apenas implementaram as medidas  que não conseguiram evitar e, mesmo assim, ficou por cumprir 64% do Memorando. Na oposição, combateram todas as reformas previstas no PECs e, nas eleições prometeram não tomar medidas de austeridade. 

Quanto ao PS, além de nunca se terem demarcado das políticas que levaram a banca rota, actualmente, cada dia que passa contrariam o que defenderam no dia anterior. Há que não ter dúvidas, se eles conquistarem o poder, só não voltaremos ao passado na medida em que a União Europeia não o permita. As posições que assumiram sobre o Syriza e a Grécia, são elucidativas.

Resta-nos os partidos, novos e velhos, da dita esquerda. O PCP, depois de anos a tentar camuflar as suas posições contra a Europa, hoje é claro: Há que preparar a saída do Euro e da União Europeia. Eles e os seus amigos gregos, tudo fizeram para impedir o acordo na Grécia. Sobre qualquer reforma nacional é contra, ponto final. Quanto ao BE e seus derivados seguem no ,fundamental, a política europeia do PCP, ainda que, o Livre de Rui Tavares, admita fazer uma "aliança" com o PS.

Em síntese, todos os partidos da dita esquerda, sofreram uma estrondosa derrota das suas políticas, com os acontecimentos na Grécia, enquanto MP saía vencedor.  Além disso, o PDR ainda se distingue deles em mais dois aspectos fundamentais: se os portugueses lhe deram uma votação expressiva, que possa condicionar a formação de um novo governo, está aberto a coligações com todos os partidos; o PDR defende uma luta sem quartel contra a corrupção, enquanto os partidos ditos de esquerda, quase omitem essa luta, apesar das prisões actuais e dos processos nos tribunais contra a corrupção, provarem que Marinho e Pinto tinha e tem razão. Então quais são as razões para a queda do PDR nas sondagens?

É um facto que a generalidade das televisões, rádios e imprensa, tem omitido as realizações do PDR,  não convidam dirigentes seus para debates e as poucas vezes que falam do Partido é para fazer ataques, deturpar as suas propostas e tentar denegrir a personalidade do seu Líder, Marinho e Pinto. A prova do que acabamos de afirmar, pode ser exemplificada no caso Livre e no seu Líder.

Rui Tavares, está continuamente em debates nas televisões,  estas dão cobertura a qualquer "manifestação" que eles organizem ou participem, (já nem sei quantas vezes ele foi entrevistado)vários membros do Livre, ou apenas simpatizantes, também estão regularmente nas televisões e escrevem em vários jornais e revistas. Porem, nunca qualquer sondagem lhe atribuiu maior percentagem,que a do PDR.

Também´é um facto, que não me custa aceitar, que muitos portugueses tem dificuldade em compreender que o país , nós,devemos pagar as dívidas fruto de obras megalómanas, esbanjamentos
 e corrupção dos políticos. Aceito até, que muitos eleitores, não compreendam a necessidade das medidas de austeridade, que tem como consequência reformas na segurança social, cortes de direitos e regalias dos trabalhadores e, particularmente, redução das pensões. É natural por isso, que as pessoas não estejam na disposição de votar em quem defende o pagamento da dívida, apesar de serem sensíveis  ao discurso de Marinho e Pinto contra a corrupção, os poderosos e os interesses instalados.

Todavia, na minha opinião, houve e há ainda vários acontecimentos internos no Partido, que deram um contributo negativo para a queda contínua nas sondagens. Primeiro que tudo, as divergências políticas evidentes, entre o que Marinho e Pinto escrevia ou afirmava, e o que defendiam e escreviam outros fundadores.

Depois vieram as provocações públicas de um grupo restrito de fundadores e alguns "infiltrados", capitaneados pelo Eurico Figueiredo, a tentar impedir a conclusão da Convenção Nacional. Os comunicados dos "infiltrados" e as cartas abertas de Eurico Figueiredo, a pretexto ou como resultado dos acontecimentos nas reuniões da Convenção Nacional, atingiu um tal grau de provocação e uma linguagem tão ofensiva ao respeito e  a personalidade de Marinho e Pinto e, consequentemente o PDR, que só poderia provocar uma imagem negativa do Partido.

Antes ainda da convenção e na tentativa de criar direcções concelhias, já então houveram alguns acontecimentos pouco dignificantes, para um novo e diferente partido. Admiti, nessas ocasiões, que se estava apenas reflectir as "divergências e confrontações" naturais como resultado da competição pelas lideranças concelhias, ou para ter mais hipótese de ser eleito, para a direcção do partido.

Todavia, a continuação dos processos contra o PDR e Marinho e Pinto vieram demonstrar que, já então, aqueles senhores estavam a tentar sabotar a consolidação do Partido. Paralelamente, o MPT entra em cena abertamente, procurando "expulsar" Marinho e Pinto do Parlamento Europeu, denegrir a sua imagem e do PDR. Perante estes factos, só há uma conclusão possível: Alguém, ou alguma organização, preparou e, ou, pagou, para que fosse realizada a sabotagem da consolidação do PDR!

Finalmente, também não poderia deixar de se repercutir no PDR, o facto de não ser um partido ideológico. Como resultado, aderiram ao projecto pessoas com as mais variadas opiniões políticas e ideológicas, o que dificultou a definição de propostas e formas de organização pois, o único "cimento" para manter e alargar o Partido, era as acções e opiniões de Marinho e Pinto.

 Entretanto como a luta interna continuou, as divergências entre o núcleo restrito se agravaram,  as opiniões dos aderentes e simpatizantes sobre a Grécia e o papel do Syriza, passaram a andar à deriva e a inundar as páginas do Partido no Facebook com artigos pessoais, ou partilhas de artigos e vídeos de tudo o que a dita esquerda publicava contrariando, consciente ou inconscientemente, as posições políticas do PDR!

 Aceitei participar desde o início no projecto PDR. Continuo a ter plena confiança política e pessoal, no Líder do Partido. Admito que os dirigentes eleitos tenham consciência da situação e estejam a trabalhar para a superar. Todavia, Marinho e Pinto tem ainda um grande trabalho pela frente, para demonstrar que o PDR não é A OPORTUNIDADE PERDIDA, como todos os seus adversários esperam!




sábado, 28 de março de 2015

A ELITE PORTUGUESA ANDA EM ÓRBITA À PROCURA DE UM PAÍS QUE ALIMENTE A SUA VAIDADE, INCOMPETÊNCIA E PRIVILÉGIOS DO TEMPO DO IMPÉRIO COLONIAL, PARA VIRAR COSTAS À UNIÃO EUROPEIA!




A ELITE PORTUGUESA ANDA EM ÓRBITA À PROCURA DE UM PAÍS QUE ALIMENTE A SUA VAIDADE, INCOMPETÊNCIA E PRIVILÉGIOS DO TEMPO DO IMPÉRIO COLONIAL, PARA VIRAR COSTAS À UNIÃO EUROPEIA! Enquanto a CEE inundava Portugal com fundos para a indústria, agricultura, pesca, formação profissional, desenvolvimento regional e outros sectores, quase toda a elite defendia a integração na comunidade europeia, até porque permitiu transformar a paisagem do país, apesar dos roubos e desvios dos fundos e do esbanjamento em obras megalómanas por parte do poder central e todo o tipo de equipamentos para satisfazer o capricho dos autarcas e corromper os partidos e o eleitorado, para se manterem indefinidamente no poder.

Passado que foi o período de ouro dos fundos, ainda que continuassem a chegar às dezenas de milhares de milhões de euros, o Estado, Empresas Públicas, Institutos e Autarquias, para manterem e alargarem o "monstro" entretanto criado, começaram a recorrer ao crédito internacional de forma irresponsável. Paralelamente, os Bancos e outras empresas privadas, para manterem o ritmo de construção de habitação, autoestradas, Hospitais uns ao lado de outros, piscinas e gimnodesportivos como cogumelos, etc, etc, onde tinham margens de lucro obscenas, também recorrem ao crédito internacional em quantidade excessivas, que os deixa nas mãos de credores. Apesar destes factos, a generalidade da elite, continuou a defender a manutenção do país na União Europeia.

Entretanto rebenta a crise de 2008, nos Estados Unidos. Passado pouco tempo generaliza-se à Europa e ao Mundo Ocidental em geral, pondo a nu a debilidade da maioria dos países, das economias, dos bancos e das famílias, que andavam a viver a crédito. Simultâneamente,  assistia-se ao crescimento industrial e comercial do Oriente e, particularmente dos BRICS. o que contribuiu para alterar, profundamente, as relações de poder no Mundo.

 Perante a crise económica e financeira (cuja dimensão era ocultada) o Governo de Sócrates, inicialmente, e de acordo com as orientações europeias, ainda lançou mais projectos para evitar o progressivo aumento do desemprego e a asfixia das empresas, particularmente da construção civil e do pequeno comércio, o que contribuiu para aumentar o endividamento. De PEC em PEC e à medida que a situação se agrava e ninguém emprestava dinheiro ao país,chegamos ao célebre PEC IV. Como foi recusado no Parlamento por toda a oposição, restou ao Governo demissionário negociar com os credores, os quais, constituíram a TROIKA , provocando a mudança política nas elites portuguesas, ainda que uma parte tenha apoiado o Memorando.

Quem tiver tido tempo e disposição para acompanhar a imprensa, os blogs, as redes sociais, as intervenções em seminários e conferências nas universidades, ou promovidas pelas associações patronais e sindicais, as posições assumidas pelos partidos da oposição e, até, por muitos ex dirigentes do PSD, é fácil constatar a existência de uma linha política convergente, contra as reformas exigidas pela TROIKA. Só o Governo não está contra, porque foi e é obrigado a fazer as reformas, ainda que resistindo, pois só cumpriu 36% do Memorando.

As elites estão contra as imposições da União Europeia, do FMI, contra os países do Norte da Europa, particularmente a Chanceler Ângela  Merkel, porque nos exigem austeridade, não respeitam a Constituição nem as leis nacionais, porque não aceitam renegociar a dívida e, principalmente,  porque nos comunicados e nas conferências de imprensa são arrogantes para com os dirigentes portugueses, isto é, desvalorizam as elites do país e, estas, viraram as costas à Europa!

Quais as principais razões, para a viragem política das elites portuguesas? São várias, mas pode-se resumir em três: primeira, não querem pagar a dívida, porque implica austeridade e diminuição das suas benesses; segunda, porque tem consciência que no futuro não poderão, ou pelo menos terão maior dificuldade, de governar de forma irresponsável pois, o BCE, não o permitirá ao obrigar os governos ao cumprimento do DEO - Documento de Estratégia Orçamental; terceira, não querem aceitar que o Direito da União Europeia prevaleça sobre a CRP e as leis do país (ainda que cerca de 70% dessas leis já serem oriundas da UE) a fim de poderem continuar a fazer leis à medida dos interesses instalados, manterem o seu estatuto de "intocáveis" e, objectivamente, inimputáveis dos esbanjamentos, roubos e desvios dos dinheiros públicos e, até, de crimes contra o Estado, como tem sido demonstrado nos últimos tempos em audiências públicas. 

Em síntese, as elites portuguesas, incapazes de governar sem nos levar continuamente à banca rota, mas não deixando que outros nos governem,  não querem aceitar o controle da União Europeia e, rapidamente, entraram em órbita à procura de um país que alimente a sua vaidade, incompetência e privilégios, do tempo do Império Colonial, para o qual tem recebido o apoio das chamadas classes médias!

CONTINUAÇÃO EM PRÓXIMO ARTIGO: CLASSES MÉDIAS.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

MARINHO E PINTO ESTÁ A PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO, NA CLASSE POLÍTICA E NOS PARTIDOS TRADICIONAIS, QUE ASSUSTA OS COMENTADORES E OS INSTALADOS NO REGIME!


Terceira parte:


Será que na campanha negra contra Marinho e Pinto, além de deturparem as suas ideias, adulterem factos públicos, atacarem a sua personalidade e tentarem denegrir o seu carácter, tem sido feito críticas, ou condenações, em termos políticos e ideológicos? Raramente! Na generalidade dos artigos, ou comentários, que são feitos à sua pessoa e às suas actividades, os seus difamadores convergem em considera-lo como "oportunista" e "populista, ao mesmo tempo que omitem, ou deturpam, as suas opiniões. Quanto aos adversários, situam-se em todos os partidos tradicionais, particularmente, naqueles que se auto identificam como de esquerda e na maioria dos jornalistas e comentadores políticos.



Poderia citar muitos comentários críticos e difamatórios, feitos nas redes sociais. Todavia, para facilidade de consulta, preferi escolher artigos publicados nos jornais, de autores da esquerda à direita. Francisco Louça, o ex dirigente político mais vezes derrotado, nos últimos anos, mas que continua a ser considerado um "teórico" da extrema esquerda, apenas conseguiu encontrar razão para criticar, no facto de, os "Verdes fecharem-lhe a porta, pelas suas pitorescas posições homofóbicas", depois de ter escrito na introdução "É sempre com estardalhaço que o populismo se dirige à plebe e Marinho e Pinto..." s.meu.(Público, 21 de Agosto). 
Certamente desconfiado, que tal crítica e algumas adulterações não tenha tido efeito, decidiu comparar o eurodeputado Barros Moura, com Marinho e Pinto, por causa deste não abandonar imediatamente o Parlamento Europeu. E...para vincar o seu ódio de estimação, Louça escreve: "Um (BM) representou a política como uma disputa de projectos, outro(MP) como uma carreira em que cada degrau despreza os que estão em baixo." Público 14 de Setembro.

Quanto ao PCP, embora mais comedido nas palavras, não deixa de afirmar, pelo seu líder parlamentar que, o novo partido de Marinho e Pinto,"Pode ser mais uma grande desilusão contra os portugueses. É o risco de dar mais importância às caras e aos nomes do que às ideias." Acrescentando mais à frente: "A experiência do que foi a sua eleição para o Parlamento Europeu e da forma como rapidamente se desfez das responsabilidades para as quais os portugueses o elegeram, e por aquilo que já veio dizer sobre o apoio ao PS ou ao PSD para um futuro governo...". D.N.14 de Setembro.Em síntese, nada de critica política ou ideológica, apenas deturpação das posições de M P e mais uma tentativa de denegrir o seu carácter, quando o PCP  substituí os seus deputados, como quem muda de camisa!

Relativamente ao PS, entendi escolher um artigo do Francisco Assis e, outro, de um jornalista que dizem ser próximo do partido. Como tenho consideração intelectual por Francisco Assis, devo dizer que fiquei surpreendido com o que escreveu no Público, do dia 4 de Setembro. Ao pretender esclarecer porque considera que há um recuo na política, a determinado ponto afirma: "O problema das nossas democracias por muito contra-intuitivo que isso possa parecer, não reside numa insuficiência de transparência, num excessivo distanciamento do interior dos mecanismos de representação, num défice de sufrágio e de fiscalização públicos. Essa é a conversa dos demagogos." E para que não ficasse dúvidas sobre o seu pensamento escreve: "Por estranho que possa parecer, o populismo primário de natureza anti-política que identifica alguma esquerda contemporânea constitui o melhor aliado de um capitalismo financeiro sem regras nem referências." Sempre subjacente a questão do populismo, ainda que não identifique os seus alvos, na primeira citação, o que ele nega que seja a realidade política, são alguns dos objectivos da luta de Marinho e Pinto e, inclusive, actualmente assumido por A.J.Seguro, porque não é mais possível esconder o divórcio dos eleitores ,com os eleitos!

Todavia, nada melhor para compreender as posições dos partidos, do que escutar ou ler comentadores ou jornalistas que lhe são próximos, porque estes assumem, o que os dirigentes partidários não consideram conveniente afirmar, num dado momento Nuno Saraiva, no DN de 13 de Setembro, assume uma das posições políticas mais duras que conheço, contra Marinho e Pinto. Logo no primeiro parágrafo escreve: "Marinho e Pinto é assim, um oportunista encartado." E porque é "oportunista"? Porque "...não hesita em usar de forma despudorada a demagogia e o populismo, para, através das suas intervenções públicas, criar um exército de descamisados que, porque frágeis e desesperados, se deixam cair no logro do verbo fácil da personagem." Em resumo, depois das provocações e de adulterar vários factos, apenas consegue demonstrar a divergência política sobre "a adoção ou coadoção por pessoas do mesmo sexo", que Marinho e Pinto critica!

Apesar do PSD e o CDS quererem passar indiferentes ao "furacão" Marinho, também não deixaram de perder votos nas eleições europeias e, por isso,também estão preocupados. Ainda antes do anúncio da criação do novo partido, numa conferência no Porto, perante as câmaras de televisão,Paulo Rangel, Eurodeputado do PSD, desferiu um duro ataque a Marinho e Pinto, acusando-o de "populista e demagogo", por andar continuamente a falar na luta contra a corrupção?!
 Numa tentativa de distanciamento "polido", José Manuel Fernandes, assumidamente do centro direita, quis nos dar "Uma tentativa de explicação de Marinho e Pinto." Assim, ficamos a saber, que o facto de ele não ser de Lisboa e não querer pertencer aos seus círculos, não respeita as conveniências destes. Mas...apesar de reconhecer que "o antigo bastonário diz alto verdades que outros apenas sussurram não faz dele um herói." porque é um "justicialista e populista", como afirma ao longo do texto. Divergências políticas? Nada é referido.

Deixei para o fim a exposição do pensamento de um homem da direita,Luís Rosa. No seu artigo no i, do dia 12 de Setembro, escolheu como título: "Marinho e Pinto, o oportunista." Apesar de não criticar qualquer ideia política, assumida por Marinho e Pinto, e adulterar um ou outro facto, a análise que faz constitui um grito de alarme e, objectivamente, um apelo à unidade dos portugueses contra o "inimigo  número 1 dos partidos tradicionais" pois, "um homem que se alimenta apenas do descontentamento do eleitorado não é só ameaça para os partidos tradicionais- é acima de tudo um perigo para os portugueses."

Conclusão: apesar de nenhum dos críticos conseguir apresentar qualquer prova, de que Marinho e Pinto não respeita e não defende o regime democrático, não deixam de o rotular de "justicialista", "demagogo", "oportunista", "populista" e de ser, acima de tudo, um "perigo para os portugueses." Se também já há políticos, comentadores e jornalistas, que afirmam que o regime democrático está decadente, senão mesmo em perigo, porquê esta campanha só contra Marinho e Pinto? Porque ele fala dos problemas das pessoas, porque utiliza a linguagem do povo para ser compreendido, porque apoia as lutas das comunidades do interior do país, porque denuncia a falta de transparência democrática, porque luta contra a corrupção e, o que é relevante, porque os interesses instalados receiam que ele possa ter uma votação expressiva, que condicione qualquer hipótese de maioria parlamentar, ou de formação de governo, sem que Marinho e Pinto tenha uma posição determinante!



domingo, 14 de setembro de 2014

MARINHO E PINTO ESTÁ A PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO, NA CLASSE POLÍTICA E NOS PARTIDOS TRADICIONAIS, QUE ASSUSTA OS COMENTADORES E OS INSTALADOS NO REGIME!


Segunda parte:


PORQUÊ AS OPINIÕES E ACÇÃO DE MARINHO E PINTO, PROVOCOU O ACTUAL "TERRAMOTO" POLÍTICO? Em primeiro lugar, porque conhece os problemas das populações, defende parte das suas reivindicações, fala numa linguagem que o povo entende, é escutado e respeitado. Estes factos, provados pelos votos que obteve quase sem campanha eleitoral mediática, assustaram a Elite política, que não é escutada pelas pessoas porque fala em linguagem codificada e está completamente desacreditada.

Em segundo lugar, porque a actividade de Marinho e Pinto como jornalista, advogado e Presidente da Ordem dos Advogados, permitiu-lhe um profundo conhecimento de como funciona a máquina do Estado e dos labirintos por onde passam os interesses que levam à corrupção, que ele tem denunciado continuamente, com determinação. Também a sua luta, contra os interesses instalados no poder judicial, demonstrou a sua capacidade em enfrentar os poderosos, que o povo, incapacitado de o poder fazer, sente-se "vingado" e reconhece nele o porta voz dos injustiçados e marginalizados pelo poder. A sua última intervenção na abertura do ano judicial constitui, certamente, uma das mais belas e profundas peças de denuncia sobre o corporativismo e a corrupção na área da justiça, que os poderes instalados não se esquecem, nem perdoam!

Em terceiro lugar, as duas eleições que venceu para a Ordem dos Advogados, não só confirmou a sua capacidade de formar equipas e conquistar apoios, como a determinação de enfrentar os poderosos interesses instalados nas grandes Sociedades de Advogados que derrotou, exemplarmente, apesar dos apoios que estes tinham e tem, na comunicação social. A forma como desempenhou o seu mandato, apesar das tentativas de destituição que os seus adversários moveram, e a regular participação em programas televisivos, acabou por lhe dar popularidade em diferentes camadas da população e, acima de tudo, demonstrou que tinha fibra de LÍDER!

Em quarto lugar, tanto quanto é possível saber através de artigos, programas  e entrevistas, Marinho e Pinto preparou-se bem para a entrada em cena, na política. Sabendo, certamente, que os partidos são uma fachada, atrás da qual estão os poderes ocultos a controlar, particularmente as Maçonarias,  e que se entrasse num deles seria marginalizado ao fim de algum tempo, teve a coragem de recusar os convites, que alguns partidos lhe fizeram, para integrar listas e lugares importantes no aparelho do Estado. Ao mesmo tempo soube negociar com um partido pequeno, o MPT, a participação nas eleições ao Parlamento Europeu, como cabeça de lista, o que lhe permitia aproveitar a sua popularidade e provar a sua capacidade de liderança. Em suma, são todos os factos referidos que provocam preocupação e pânico na Elite política e nos seus comentadores, que os levou a desencadear uma campanha com as mais duras criticas, para tentar destruir o carácter e a personalidade de Marinho e Pinto. Mas...em termos políticos e ideológicos, o que provoca tais reacções? Procurarei responder nos capítulos seguintes.

MARINHO E PINTO ESTÁ A PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO, NA CLASSE POLÍTICA E NOS PARTIDOS TRADICIONAIS, QUE ASSUSTA OS COMENTADORES E OS INSTALADOS NO REGIME!

Primeira parte:


MARINHO E PINTO ESTÁ A PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO NA CLASSE POLÍTICA E NOS PARTIDOS POLÍTICOS TRADICIONAIS, QUE ASSUSTA OS COMENTADORES E OS INSTALADOS DO REGIME! Quando Marinho e Pinto anunciou que se iria candidatar às eleições para o Parlamento Europeu, logo surgiram críticas à sua atitude "oportunista", tentativas de colocar em dúvida o seu carácter e foram muitos os políticos e comentadores que o acusaram, de ser um "populista perigoso".

Porém, à medida que as sondagens apontavam para a sua possível eleição e a perda de Eurodeputados pelo PS e BE, as preocupações destes partidos aumentaram e tudo fizeram para que, a imprensa e as televisões, permitisse o mínimo tempo de antena a Marinho e Pinto. Simultâneamente, nas redes sociais, a campanha contra o Marinho e Pinto e o MPT subiu de tom na crítica e nas adulterações das posições políticas, antes assumidas pelo candidato.

Na noite das eleições, para surpresa dos distraídos e imensa alegria dos seus apoiantes, Marinho e Pinto e o MPT conseguiram uma vitória histórica, provocando o pânico e o desespero na classe política, particularmente no PS, BE e PCP, que tinham procurado denegrir a imagem do candidato, para impedir a sua eleição. O "furacão" Marinho foi tão violento, que levou o A. Costa a desencadear uma guerrilha política pela liderança do PS, que ainda não acabou e, ao mesmo tempo, estilhaçou o que ainda restava do BE,  preparando as condições para que os dirigentes voltem a caber num táxi! 

Como seria de prever, os Eurodeputados da "esquerda" moveram as suas influências, para que o MPT não entrasse no grupo dos ecologistas, obrigando Marinho e Pinto a integrar outro grupo no Parlamento Europeu, dando esperança aos seus adversários que ficaria, comodamente instalado, a desfrutar de uma alta  remuneração. Porem, confirmando o que já tinha afirmado antes das eleições, Marinho e Pinto decide dar entrevistas, para criticar a situação escandalosa das mordomias que os parlamentares beneficiam e, fundamentalmente, para afirmar que iria concorrer às próximas eleições para a Assembleia da República e, eventualmente, candidatar-se a Presidente da República. Este acontecimento teve o mérito de desencadear um pequeno "terramoto" político, nos interesses instalados!

Para concretizar o objectivo de preparar as condições para a candidatura ao Parlamento, terá iniciado conversações com o MPT, para saber se seria, novamente, candidato através desse partido, ou se teria que formar um novo. A informação de que as negociações teriam falhado e que Marinho e Pinto iria formar um novo partido, caíram como uma autentica bomba na elite dos partidos, em especial, no PS, BE e PCP. A reacção de alguns dirigentes partidários, dos comentadores oficiais e nas redes sociais,  foi de uma violência tal, que contraria todas as regras democráticas. Paralelamente e como consequência, foi anunciado a recolha de assinaturas, para a criação de dois novos partidos políticos! Porquê as opiniões e acção de Marinho e Pinto, provoca o actual "terramoto" político? Procurarei responder nos capítulos seguintes.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

QUARENTA ANOS APÓS O 25 DE ABRIL, FORAM APRESENTADAS AS MAIS VARIADAS ANÁLISES HISTÓRICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS, MAS NÃO SE ASSUMIRAM RESPONSABILIDADES!

Segunda parte:



Uma das frases mais repetidas nos últimos tempos, em abono da defesa do regime, é que temos a maior e melhor geração formada de sempre. Os dados estatísticos não permitem ter dúvidas quanto à quantidade porém, quanto à qualidade, são vários os autores que colocam reservas àquela afirmação. Admitindo que possa ser verdade, algo parece não bater certo. Como entender então, que nos quarenta anos de democracia, o país já tenha caído em banca rota três vezes? Serão sempre, e só, razões externas?

 Tendo em conta que após o 25 de Abril, todos os partidos "defendiam" o Socialismo, de uma maneira ou outra, o que transformou o Estado "generoso", perante as lutas da classe operária. Admitindo que a crise do petróleo de 1973 teve impacto negativo, mesmo após a revolução. Aceitando que o regresso de mais de meio milhão de portugueses, após a independência das colónias, também constituiu um "fardo financeiro" para o país, apesar da ajuda internacional que se recebeu, até se poderá admitir, como um facto compreensível e justificado, a vinda do FMI em 1977.

Quanto à crise de 1983/85 haverá, como sempre em Portugal, "justificações" para tudo mas, parece ser indiscutível, que já então se repetiu o que os Romanos diziam de nós: nem sabemos governar, nem deixamos que nos governem. Bom...mas ainda não tinham começado a chegar os "comboios de dinheiro" da CEE, para investir no ensino e, por isso, ainda não  tínhamos quadros "bem formados" e como havíamos perdido os mercados garantidos das colónias, fomos à falência...para manter a vida sumptuosa de uma Elite preguiçosa, que se recusa a organizar e odeia tudo o que se relaciona com o trabalho!

Seria plausível, que a conferência entre ex Presidentes da República e os debates entre os mais variados ex governantes, sempre com muita presença da Elite universitária, que no mínimo dessem aos portugueses uma explicação convincente, objectiva, do descalabro de 2011, que iremos continuar a pagar durante mais vinte anos. Nada de concreto foi afirmado. Se um criticava o passado, outro respondia sobre o presente. Quando alguém analisava o presente, respondiam-lhe que apenas interessava o futuro. Todavia, quase todos e sempre chegavam a um acordo: a culpa da crise em que vivemos é da Troika, dos países do Norte e, particularmente, de Merkel.

Primeira questão: Como é possível aceitar como verdadeira a afirmação, de que temos a geração mais bem formada de sempre, se não souberam impedir a crise que nos levou à banca rota? Como compreender que a "geração mais bem formada", não conseguisse reorganizar a indústria, a economia e os serviços e torna-la competitiva, após a adesão ao Euro, apesar de se ter "investido" mais de três mil milhões de Euros na formação profissional e na modernização das empresas? Isto para não referir o escândalo do negócio "mafioso" das universidades privadas, algumas encerradas, outras sem qualquer crédito universitário, tendo contribuído, principalmente, para dar emprego e promoção social, aos ex governantes e políticos, distribuir "canudos" aos amigos e criar um exército de licenciados sem os conhecimentos que o país precisa.

Segunda questão: Como foi possível receber tanto dinheiro da União Europeia, para modernizar o país e não se consiga fazer frente, à primeira crise financeira e de competitividade, para termos caído na banca rota? Por efeito de maus investimentos? Pelo desvio dos fundos para obras faraónicas?Pelo efeito da corrupção? A Elite que participou dos debates nada nos explicou. Todavia, os portugueses vão sabendo dia a dia o volume da corrupção, desde os bancos aos submarinos, passando pelas autarquias, etc. Também muitos cidadão sabem que a construção dos estádios de futebol, do Centro Cultural de Belém, da casa da música e da sede da Caixa Geral de Depósitos, entre outras, foram construções megalómanas, que arrasaram os cofres públicos. 

Dos investimentos...sabe-se que se construiu instalações para distribuição de água e tratamento de efluentes, para uma população de 40 milhões de pessoas. Edificou-se centenas de escolas, tribunais, pavilhões, piscinas, etc e hoje estão abandonados. E...que dizer do excesso de auto estradas hoje quase vazias, do metro do Porto e da margem sul, autênticos  cancros para os cofres da nação? Ninguém é culpado? 

A razão pela qual não discutiram a situação em que nos encontramos, é porque eles sabem que são os principais responsáveis e não o querem assumir. A quantidade de quadros dirigentes que vagueiam em tudo o que é organização do Estado, Forças Armadas e de Segurança, em Institutos Públicos, Observatórios, Fundações, Poder Autárquico Nacional, Regional e Local, Empresas Públicas e Municipais, constitui uma burocracia infernal, criou duplicações de organismos e funções e absorve, despudoradamente, grande parte dos impostos que os portugueses pagam e, ainda, dificultam a reorganização e desenvolvimento do país.

A chamada crise Portas, de Junho passado, representa o corolário da resistência à mudança e reforma do aparelho de Estado, no seu todo. A grande maioria das reformas, previstas no Memorando inicial da Troika, para reduzir substancialmente as despesas do Estado, foram sendo proteladas e substituídas por impostos, com o apoio explícito de todos os sindicatos e corporações e, silenciosamente, pelos poderes fácticos, ocultos. 

Quando muitos dos conferencistas até falaram em "crise de representatividade", sintomas de "degenerescência democrática" e provável "colapso do regime", porque não explicaram aos portugueses, a razão de nunca se ter feito a reforma administrativa e das funções do Estado, após décadas de promessas, criação de comissões e até nomeações de Ministros e Secretários de Estado com esse objectivo? Porque não querem assumir as suas responsabilidades e se consideram uma "casta" acima do comum dos portugueses.

A Democracia Portuguesa é cada vez mais formal. A representatividade dos partidos políticos, não chega a 40% dos eleitores. Os Órgãos do Estado tem credibilidade mínima. A corrupção está generalizada e atinge todos os  limites, parecendo não haver justiça no país. Em suma, o actual regime democrático está à beira do colapso. Porquê? Porque o Estado foi capturado pelo "Quartel Geral " dos interesses instalados: Maçonarias, Opus Dei, serviços e organizações secretas, discretas e afins. Enquanto não houver coragem para discutir os poderes fácticos, ocultos, e o controle que eles tem nos partidos políticos, não voltará a haver vida política partidária, representatividade eleitoral, participação política dos cidadãos e, consequentemente, verdadeiro Estado Democrático, de Direito e Pluralista.

Em Democracia todos os cidadãos tem direito a fundar ou participar em qualquer tipo de organização, desde que não defendam a luta violenta contra o regime. Nesta conformidade, nada teria contra as organização das Maçonarias, da Opus Dei, ou outras similares, desde que a sua actividade fosse pública, como acontece com a generalidade dos países ocidentais. Pelos estudos, reportagens e pela divulgação de listas por "infiltrados"(?) é possível conhecer cerca de três mil nomes pertencentes às  várias Lojas Maçonicas. 

Durante alguns anos era difícil compreender, porque determinados militantes dos partidos, eram sempre os escolhidos para os lugares de responsabilidade no partido, nas autarquias, no parlamento e para o governo. Também não se entendia, facilmente, a "mudança de cadeiras" nas empresas e institutos públicos, nos órgãos de comunicação social e até nas organizações desportivas de massas. Actualmente, tudo é mais fácil de compreender. As pessoas pertencentes às Maçonarias e Opus Dei ,controlam quase toda a sociedade portuguesa!




segunda-feira, 5 de maio de 2014

QUARENTA ANOS APÓS O 25 DE ABRIL, FORAM APRESENTADAS AS MAIS VARIADAS ANÁLISES HISTÓRICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS, MAS NÃO SE ASSUMIRAM RESPONSABILIDADES!

Primeira parte:


Quarenta anos após o 25 de Abril, foram feitas as mais variadas análises históricas, políticas e sociais, mas não se assumiram responsabilidades. Poderei afirmar que li largas dezenas de artigos, centenas de comentários, muitas entrevistas, vi dezenas de programas nas televisões e ouvi várias entrevistas na RDP, sobre a revolução dos cravos, para poder tirar conclusões. Por essa razão, apenas escrevi alguns pequenos comentários, sobre opiniões que me provocaram revolta imediata.

Para evitar qualquer deturpação do meu pensamento reafirmo, que no plano político e social, o 25 de Abril foi o dia mais importante da minha vida. Como consequência da minha actividade política contra o regime fascista, fui obrigado a sair do país, como já descrevi no artigo "Comemorar o 25, de Abril num estado de frustração e revolta" , aqui publicado, em Abril de 2011.
Logo que regressei a Portugal recomecei de imediato a actividade sindical e política partidária, chegando a participar numa lista de candidatos à Assembleia Constituinte, "dando a cara" na Televisão, na defesa do 25 de Abril e da revolução.

Pelas razões expostas e porque tenho dedicado grande parte da minha vida, como cidadão, à actividade política e sindical, considero ter alguma  legitimidade para analisar a situação económica e social a que o país chegou, criticar os principais protagonistas e atribuir-lhe a responsabilidade, por termos comemorado os quarenta anos do 25 de Abril, sob tutela da Troika (e antes apenas do FMI) pela terceira vez!

 Seria expectável, com tanto tempo decorrido, com muitos dos protagonistas responsáveis em idade avançada e outros já desaparecidos, que a Elite, que nos tem governado ao longo de décadas, procura-se explicar porque somos um "povo ingovernável" e assumisse as respectivas responsabilidades. De tudo o que vi e li, apenas a intervenção de Ramalho Eanes, procurou dar uma resposta, ao mesmo tempo que condenou de forma, veemente, a actual realidade social.

Penso não ser exagero afirmar que, com excepção dos membros do Governo, quase todos os políticos, politólogos, comentadores e jornalistas criticam o executivo, contestam as suas medidas, "pintam" o país de negro, lamentam a situação dos pobres, condenam os cortes nas pensões douradas e nos vencimentos da função pública e, para "lavar a consciência", a Elite atribui a principal responsabilidade à Troika e a Merkel.

Durante meses, assistimos a uma poderosa campanha contra os cortes nas pensões douradas e os altos vencimentos na função pública protagonizada, em especial, por Mário Soares, Ferreira Leite, Bagão Félix, a Dirigente da APRE e Boaventura Sousa Santos, com apoio explícito dos partidos da oposição e a total cobertura e conivência das televisões e dos média em geral. Quais foram as sugestões ou propostas desta gente para superar a situação de banca rota? Defenderam a convergência das pensões e reformas, para diminuir as desigualdades gritantes confirmadas nas estatísticas? Não! Sugeriram que as reformas tivessem por base a carreira contributiva? Não! Admitiram que não era justo haver três tipos de pensionistas, tendo em conta a data da aposentação e os futuros pensionistas? Não! Condenaram os cortes, aceitavam mudanças para o futuro e propuseram aumentos de impostos ou a criação de novos, para manter as suas regalias, mentindo continuamente ao afirmarem que eram vítimas todos os pensionistas e reformados.

Paralelamente, os sindicatos tudo fizeram para impedir os cortes nos vencimentos mais altos da função pública, procurando "atrelar" os funcionários não atingidos. Foram feitas manifestações, concentrações, ocupações, abaixo assinados e apresentadas protecções cautelares contra o Governo, a Troika e Merkel. Aceitaram os horários de 40 horas iguais ao sector privado? Não! Propuseram a diminuição de horários e correspondentes vencimentos, para impedir mais desemprego? Não! Reconheceram a necessidade e a justiça de aproximação dos salários do sector privado com os vencimentos da função pública? Sim...para o futuro!

Ainda que a quase totalidade dos protagonistas, da luta contra a Troika, estejam ligados à função pública e ao sector público, não era apenas o corte de pensões ou vencimentos que os preocupava. As reformas previstas no Memorando para a reforma do Estado e a diminuição das rendas excessivas na energia, telecomunicações e derivadas das PPPs e SWOPS, preocupavam profundamente os altos Quadros. Aparentemente, no início até aceitavam reformas...desde que não fossem abrangidos. Porém, as campanhas públicas contra as reformas e as manobras subterrâneas dos interesses instalados, com a conivência do Portas, foram sendo proteladas e praticamente abandonadas após a saída de Victor Gaspar.

Após a crise política Portas, para impedir as reformas, recomeça a campanha com o objectivo de derrubar o governo para impedir o cumprimento do Memorando. Como o Congresso das "alternativas" e a promoção de Carvalho da Silva não gerou o movimento que eles esperavam, entra em cena Mário Soares com as assembleias na Reitoria, contando com a colaboração dos descontentes de PSD e do CDS. Todavia, a influência destes acontecimentos não despertavam a aderência das pessoas, das "massas", como se provou no recorde de abstenção nas eleições autárquicas e na diminuição contínua das participações em manifestações, ou outros eventos políticos.

É neste contexto que surge o manifesto dos 70, contando com os amigos de Louça, no plano internacional. Como o PCP pretende manter o monopólio da luta pela renegociação da dívida, demarcou-se do manifesto sem o condenar. Como consequência, os principais proponentes do Manifesto, como não sabem organizar as "massas" nem gostam muito de trabalhar, viraram-se para a Net e conseguiram cerca de 40000 assinaturas. Porém, passado algumas semanas, raramente as televisões ou as redes sociais abordam o tema porque, entretanto, novas eleições estavam à porta e, para a Elite, havia que monopolizar a reflexão, sobre os 40 anos após o 25 de Abril, para impedir que pessoas descomprometidas  com os interesses instalados, pudessem ter acesso aos média!







quinta-feira, 3 de abril de 2014

PACHECO PEREIRA QUER O RECONHECIMENTO DO SERVIÇO DE "TAMPÃO, ENTRE OS PROLETÁRIOS E OS MILIONÁRIOS"!




Pacheco Pereira com o seu artigo "o país que vivia vida de rico", no Público do dia 29 de Março, reafirma a sua oposição à austeridade e às reformas do Estado; continua a mistificar a realidade portuguesa, confundindo reformados e pensionistas e trabalhadores do sector público e privado, omitindo a percentagem dos que tem sido abrangidos pelos cortes; retoma o idealismo, ao sustentar que o país só sairá da crise, na base do restauro das benesses da classe média e, finalmente, reivindica o "pagamento" do serviço feito pela classe média, ao ter andado a servir de "tampão entre os proletários e os milionários" partindo de um equívoco sobre Bismarck e o seu tempo.

Desde que se tornou público, que a Troika só aprovará a última avaliação se, e quando, o governo definir e decidir os cortes permanentes nos funcionários públicos e pensionistas (que não devia constituir novidade para as pessoas minimamente informadas), que a "tropa de choque" dos interesses instalados não para de atacar o Governo, a Troika, os Alemães e, particularmente, a Chanceler Merkel. Todos os pretextos servem, em especial a publicação de estatísticas ou relatórios internacionais, que aproveitam apenas para salientar o que aparentemente favorece as suas teses.

Apesar de ser o FMI, a principal autoridade responsável na Troika, o relatório que publicou recentemente e onde se afirma que as medidas tomadas pelo governo diminuíram as desigualdades, logo tentaram contrapor um relatório da OCDE, publicado no início de 2012, ou seja, com dados até 2011, quando só depois começou a ser aplicado o Memorando. Porquê estas atitudes? Porque, sendo os sectores que capturam o Estado, os principais abrangidos pelos cortes (o que os revolta), não o querem assumir, explicitamente, para poderem afirmar que as medidas são contra todo o povo, na esperança de o trazerem para seu lado, isto é, procurarem "carne p`ra canhão" para a defesa das classes médias.

É neste contexto, que o papel de Pacheco Pereira tem sido relevante. como um dos principais porta voz dos interesses e poder das classes médias, como referi em anterior artigo "Será a Democracia Actual Compatível Com O Poder Das Classes Médias?", para o qual remeto os eventuais leitores, até pelo facto de ele assumir posições, que lhe atribuí nesse artigo, que tanto quanto julgo saber, nenhum  ex ml assumiu explicitamente.

Partindo de um debate "corporativo" de Victor Bento (é interessante que PP só refira os economistas como corporativos e não os professores de outras áreas do conhecimento), em que aquele afirmou que "o país empobreceu menos do que parece. O país já era pobre, vivia era vida de rico", Pacheco Pereira procura por todos os meios e argumentos, demonstrar que não se viveu acima das possibilidades, o que não vou discutir agora, até porque aceito os estudos de Paulo Morais, que afirma, que 15% da dívida privada é derivada da "vida de rico". O que pretendo analisar, são as afirmações contidas no artigo, onde analisa, o que não pode ser considerado "vida de Rico", que passo a citar:

"Ou seja, fazer parte da primeira geração em Portugal que já não tem memória directa da enorme pobreza rural que seus pais e avós ainda conheceram, que beneficiou do elevador social que foi a educação e o Estado (sim o Estado que, em todos os países democráticos, tem essa função de criar uma classe média...nem que seja para servir de tampão entre os proletários e os milionários. Perguntem ao Bismarck.) e que representa ...a única, débil e, pelos vistos, precária modernização de Portugal." Para que não houvesse dúvidas, sociológicas, acerca desta "primeira geração", Pacheco Pereira afirma tratar-se da "pequena burguesia europeia, a chamada classe média baixa".

A parte que sublinhei, da citação do artigo do Pacheco Pereira, constitui o mais claro reconhecimento de que, ele e outros pequenos burgueses, andaram a servir-se da classe operária e de outros trabalhadores, traindo e sabotando as suas lutas e emancipação, para poderem concretizar os seus desejos de promoção social, auto promovendo-se a uma pretensa elite de esquerda e progressista, para servir da "tampão" entre "os proletários e os milionários". Representa tal afirmação algo de novo na História do movimento operário? Não! O que é relevante, é ter sido feita por um ex dirigente de uma organização comunista e de se ter transformado num dos intelectuais mais respeitados, particularmente, no campo da Historia do movimento operário, do comunismo e de Álvaro Cunhal. Aliás, eu tinha escrito no meu artigo "Será a Democracia Actual..." que as classes médias "ficaram sem programa susceptível de continuar a ser os intermediários, entre o capital e o trabalho".

Apetece dizer, que Álvaro Cunhal se vingou. PP estudou tanto a obra de Cunhal, que acabou por reconhecer, que a tese sobre " O Radicalismo Pequeno Burguês de Fachada Socialista" era objectiva e se aplicava a si próprio! O facto do proletariado ter perdido o seu "papel histórico", ou o protagonismo que tinha (derivado de ser a classe social mais numerosa e as funções de domínio nas fábricas, lhe dava) e o socialismo ter sido derrotado, não retira relevância às afirmações de Pacheco Pereira. Uma das principais razões porque a desigualdade económica e social, dentro do mundo do trabalho, é tão grande em Portugal, deve-se à sabotagem da criação de sindicatos operários, para o qual contribuíram decisivamente os "dirigentes pequenos burgueses", que controlavam todas as organizações, à "esquerda" do PCP.

Bom, dirão, isto são "hestórias" que já não interessa a ninguém, não é verdade. A luta que as chamadas classes médias,  travam hoje em Portugal, é a continuação da tentativa de servir de tampão, entre o capital e o trabalho. Todavia, Pacheco Pereira está equivocado. Bismarck, ao criar o que se poderá chamar, como alicerces da assistência social, tinha  "razão" para o fazer. Nesse período Histórico, a Social Democracia era muita atractiva para os operários e, por isso, Bismarck para impedir ou desviar a sua adesão, deu algumas garantias sociais. Essa atracção hoje já não existe.Após a vitória da Revolução Bolchevique, o capital organizou e fomentou, todo o tipo de organizações  "revolucionárias" e "comunistas", compostas por estudantes, intelectuais e pequeno burgueses, para se constituírem como alternativa aos partidos comunistas, então existentes, e sabotar a sua luta.

Depois da segunda guerra, até à queda do "Muro de Berlim", vários países europeus encetaram grandes reformas sociais e laborais, que permitiram construir o Estado Social, no qual os partidos sociais democratas tiveram um papel relevante. Em síntese, o capital permitiu, ou fomentou, o florescimento do que hoje se chama as classes médias e a sua participação no poder, para fazerem de "tampão" ao proletariado e a uma eventual revolução. Pois...mas com a derrota do socialismo e o fim do "papão" do comunismo, o capital financeiro ficou livre de investir em qualquer lado sem receio, o neoliberalismo passou a dominar o mundo através da globalização, deixou de precisar de "tampões" entre o capital e o trabalho e tudo tem feito para proletarizar as chamadas classes médias!

Não tenho qualquer dúvida, de que também Pacheco Pereira analisa e interpreta o mundo actual como acabei de expor. Todavia, como se sente atingido nos seus interesses e "estatuto", tem lutado de forma obstinada contra as reformas do Estado, contra os cortes nos vencimentos e pensões. O seu desespero é tanto, que o leva a subscrever um Manifesto com pessoas da extrema "esquerda" à extrema direita, que não tendo conseguido sair do Euro (para fazer pagar "os de baixo" com inflação e desvalorização da moeda), querem renegociar a dívida, protelando o seu pagamento para os nossos netos, na vã esperança que os credores possam perdoar uma parte substancial, ou o BCE aprove a mutualização das dívidas soberanas.

Eu até "compreendo" que as chamadas classes médias queiram continuar a ter o "elevador social da educação e do Estado". O que não aceito, politicamente, é que seja mantido à custa do mundo do trabalho manual e mal remunerado. Apetece dizer, já que tem vivido muito bem a servir de tampão, é tempo de experimentar a proletarização! "Uma classe média que puxe para cima", já nos levou à banca rota, além das desigualdades sociais que criou e, por isso, não pode ser solução!






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O CIRCO POLÍTICO MEDIÁTICO CONTINUA, ENQUANTO OS GRANDES INTERESSES INSTALADOS SE MANTÉM!




Os portugueses tem assistido, nas últimas semanas, a um autêntico circo político mediático, enquanto os grandes interesses instalados se mantém. Da parte do Governo o espectáculo foi constante, através da sobre valorização de alguns dados positivos da sua governação, ao mesmo tempo que omite o não cumprimento das principais reformas do Estado, previstas no Memorando.

 A imagem transmitida, pelo Vice Primeiro Ministro, chega a ser deprimente quando afirma que, tudo foi feito para uma "saída limpa" e a Troika abandonar o país em Maio, sabendo que os condicionalismos terão que continuar, quando Victor Gaspar vem afirmar (confirmar) que os interesses instalados são poderosos, o que recomendaria a negociação de um Plano Cautelar.

 Do lado das oposições, o PS há uma continua desvalorização e até negação dos indícios de recuperação económica e do emprego e, simultâneamente, fazendo um espectáculo de falsas promessas de repor tudo o que o Governo corta ou reforma, tribunais, freguesias e pensões, o que apenas revela irresponsabilidade de quem quer ser governo.

 Quanto ao PCP e BE, continuam a condenar qualquer medida ou reforma e a tentar vender ilusões, ao mesmo tempo que as greves e manifestações diminuíram e a participação nelas ainda mais, restando-lhe o protesto nas deslocações dos membros do governo e da "ocupação" dos organismos públicos, como a Assembleia da República.

Mas o circo mediático, não é apenas entre  Governo e oposição. A nível autárquico ainda é mais deprimente, como analisarei em próximo artigo.


domingo, 29 de dezembro de 2013

DO FATO MACACO "REVOLUCIONÁRIO" DA BURGUESIA RADICAL, AO NEOCORPORATIVISMO DAS "CLASSES MÉDIAS" DE AVENTAL



2ª Parte do artigo:
 "Será a democracia actual, compatível com o poder das classes médias?"



Do fato de macaco "revolucionário" da burguesia radical, ao neocorporativismo das "classes médias" de avental, foi o percurso de muitos homens e mulheres, que conheci, durante a minha actividade política. Há que reconhecer, que muitos deles tiveram e outros continuam a ter, muito êxito. Não só assumiram altas responsabilidades nos governos e nos Órgãos de Estado, como lideraram governos, presidência da república, Comunidade Europeia, entre outros organismos internacionais.
 A longa lista de livros publicados de"auto biografias", entrevistas, artigos nos jornais,revistas e nos blogs,  permite compreender que a generalidade dos "revolucionários" não mudou de política e ideologia para procurar atingir os objectivos que diziam defender, o que seria natural, (como eu fiz )mas antes por interesses individuais, próprios à sua classe social e contrários ao mundo do trabalho.

Estes "revolucionários",  apos terem sido derrotada juntamente com o PCP, no 25 de Novembro de 1975, depois de terem sido "abandonados" pela classe operária e os trabalhadores, regressaram às universidades para concluir as suas licenciaturas e outros já como professores. Porém, com as nacionalizações e partidarização das empresas públicas, face à falta de quadros, ocuparam tudo o que era lugares de gestão, direcção e chefias bem remuneradas, contribuindo para criar uma espécie de pirâmide invertida, para haver lugar para todos os amigos e dos amigos dos partidos, que eles ainda não influenciavam.

Querendo voltar a ganhar protagonismo político no seio dos trabalhadores e porque estavam marginalizados no movimento sindical unitário, (de que sempre discordei), começaram a formar sindicatos de quadros e impulsionaram a criação de comissões de trabalhadores, para tentar contrariar o hegemonismo do PCP. Posteriormente, de uma forma gradual, foram esquecendo a "revolução" e os minúsculos grupos partidários a que tinham pertencido , e começaram a entrar discretamente (com excepção do MES que negociou a entrada) nos partidos democráticos, particularmente no PS, onde se impuseram rapidamente, face à nula formação política e ideológica dos simpatizantes 
deste partido.

Posteriormente, a participação no poder através dos governos, na função pública, nas empresas públicas e nos sindicatos de quadros, rapidamente demonstraram que os interesses do mundo do trabalho, que antes diziam defender, não fazia parte das suas preocupações. Os seus interesses eram e são as benesses e os altos vencimentos que vão acumulando, à custa do aumento das desigualdades,  dos prejuízos das empresas públicas e dos défices do Estado sem, contudo, terem ainda a ousadia de revelar os seus "objectivos revolucionários" , na juventude.

Contudo, com a chegado dos fundos comunitários  aos biliões e a possibilidade de participar na sua "gestão", seguida da queda do "Muro de Berlim" , muitos "revolucionários" perderam os complexos e  começara a escrever sobre o seu passado, para o renegar. Paralelamente, o PCP já transformado pelo poder que detinha, já sem base operária e circunscrito ao sector público e autárquico e sem o apoio da URSS, foi-se integrando no sistema, sem o assumir e em colaboração com o que actualmente" se designa de "classes médias", acentuam a captura do Estado. Como consequência desses interesses comuns, tem lutado para impedir qualquer tipo de reformas do estado nos "interesses instalados" acabando por contribuir, decisivamente,  para entrar-mos em pré banca rota e para a situação de impasse político, em que nos encontramos actualmente.

Aqui chegados, porquê as chamadas classes médias estão desesperadas e tudo fazem para bloquear qualquer reforma? Porque, apesar de influenciarem, de forma oculta, todos os partidos e das forças neoliberais serem minoritárias no PSD e CDS e residuais no PS, já tomaram consciência, ainda que não a queiram assumir, que qualquer futuro governo, terá que cumprir as medidas emanadas da Toika ou de Bruxelas. Porque sabem, mas não querem aceitar, que a austeridade é para continuar e que as reformas terão que ser feitas, particularmente, contra as corporações que capturaram o Estado.

Para cúmulo do seu "azar" e da sua fragilidade política, a esmagadora maioria dos portugueses já não acreditam nas chamadas classes médias, nos seus partidos, e em todas as propostas demagógicas que tem feito para impedir as reformas e manter as desigualdades, revoltantes, que eles criaram. Sentem dificuldade em manter os seus vários lugares, porque o número de Licenciados, Mestrados e Doutoramentos aumentou quase exponencialmente, gerando concorrência atravez de menores vencimentos e, em especial, pela pressão dezenas de milhar de Licenciados desempregados, que não querem, ou não se consideram aptos a emigrar, e não aceitam pacificamente a sua discriminação.



 3ª Parte do artigo:

SATURADA DA "DROGA" DAS ILUSÕES, AS ESQUERDAS RECORREM AO "ÓPIO" DOS MILAGRES!



Todavia, como já referi, as razões profundas do descontentamento das chamadas classes médias reside na sua ideologia, ou falta dela. Está suficientemente documentado que, na Europa e não só, os comunistas, socialistas, sociais democratas, ecologistas, radicais, et,c, quase desapareceram do espectro partidário, ou perderam a capacidade de formar governos. 
Há dois anos, prestavam atenção ao líder da esquerda radical, porque seria capaz de impedir as medidas da Troika, na Grécia. Depois, depositaram a esperança em François Hollande, para travar Angela Merkel. Finalmente, aguardaram pelo SPD Alemão, para mudar a política da União Europeia, particularmente, a política monetária e financeira. Naturalmente, tudo não passou de ilusões, de quem não quer aceitar a realidade, pagar as dívidas, nem discutir a possibilidade de encontrar convergências  políticas futuras, acabando todos por voltar-se para o Papa Francisco...à espera de milagres!

A Globalização, definida e aplicada pelo capital financeiro internacional, que lhes tem permitido lucros fabulosos, não imaginários há um quarto de século, também contribuiu para a emergência de outras potências económicas, particularmente os BRICS. Simultâneamente, deu início à decadência da  supremacia da América e da Europa, deslocando o "centro do mundo" do Atlântico para o Pacífico.
 Decorrente desta estratégia e do facto, historicamente comprovado, de que o capital não tem pátria e, actualmente, sem qualquer receio de investir em qualquer parte do mundo, deslocalizou a produção da União Europeia para a Ásia, provocando dezenas de milhões de desempregados e uma concorrência feroz entre países e regiões,  mas em especial, no mundo do trabalho qualificado e nos trabalhadores  com formação superior, fora da ciência e da técnica.

Acresce aos factos já referidos, que a ideologia dominante, o neoliberalismo, quer privatizar não só as empresas como até o próprio Estado, "proletarizando" as classes médias, habituadas a mandar no Estado e a viver à custa dele, levando-o à falência em Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Como esta gente se recusa a organizar politicamente, não soube GERIR o Estado, desvalorizou até onde pode o mundo do trabalho manual, não ousaram investir na criação de empresas susceptíveis de competir no mundo global, preferindo antes gastar o dinheiro (ganho e não só) em vivendas, carros, férias etc, agora não tem apoio nem confiança do mundo financeiro, nem da esmagadora maioria dos eleitores, como as eleições tem demonstrado.

As "esquerdas" europeias e em em Portugal, em particular,sem o apoio da classe operária e da generalidade dos trabalhadores manuais com baixos salários, não tem capacidade de ganhar eleições.  Apesar de, objectivamente, defenderem interesses convergentes, os partidos continuam fragmentados a lutar pelo mesmo eleitorado, parecendo esquecer que a maioria dos eleitores não acredita neles. Sem uma plataforma política convergente em prole da diminuição das desigualdades sociais, entre as chamadas classes médias e o mundo do trabalho, que passa pelo fim do neocorporativismo, dificilmente as esquerdas poderão ganhar eleições e ter capacidade de constituírem governo
Por outro lado, porque não há "ilhas do socialismo" mas apenas, e só, um sistema capitalista, a eventual plataforma teria que demonstrar nas suas propostas e objectivos, que seria mais favorável ao mundo do trabalho,  do que tem sido os programas e a prática dos liberais pois, pior que um capitalista...só um mau capitalista.

 Eu tinha e tenho algumas dúvidas, se a "terceira via" de Tony  Blair, consistia uma alternativa de gerir o capital,mais favorável para os trabalhadores. Contudo, as reformas de Gerhard Scheroder, apesar de terem sido duríssimas para os operários e trabalhadores Alemães, demonstraram que no mundo globalizado é o único caminho a seguir, para se manter e criar empresas e  postos de trabalho, aumentar a produtividade das empresas e a eventual recuperação de salários, através do contínuo aumento das exportações e, ou, diminuição das importações.

Estarão os partidos da esquerda, as chamadas classes médias  e os trabalhadores, disponíveis para fazer esta abordagem política e ideológica, ou vão manter a discussão de "avental"restrita às suas lojas?  Quererão apenas continuar a falar em unidade de esquerda , enquanto uns partidos se vão desmoronando, outros reduzindo drasticamente, enquanto vão aparecendo mini partidos e movimentos, perante a indiferença do mundo do trabalho? Gostaria que assim acontecesse, mas tenho poucas dúvidas que o actual sistema partidário, só poderá mudar quando, através da austeridade, "tirarem mais umas penas" a uma grande quantidade de "pavões", que passeiam a sua vaidade e arrogância, em nome das esquerdas, pondo em causa a DEMOCRACIA E O ESTADO SOCIAL!




quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SERÁ A DEMOCRACIA ACTUAL COMPATÍVEL COM O PODER DAS CLASSES MÉDIAS?




Será a democracia actual compatível com o poder das chamadas classes médias, sem nos levar à  pré banca rota? Em 25 de Junho de 2013, escrevi o artigo, "PERMITIRÁ A NOMENKLATURA, A REFORMA DO ACTUAL SISTEMA POLÍTICO? DUVIDO!" Durante os últimos três anos, todos assistimos através das televisões, jornais, revistas e redes sociais, à veneração e exaltação do papel "incontornável e indispensável" das chamadas classes médias, para a manutenção da democracia, ainda que ninguém queira explicar o que são verdadeiramente essas classes, onde estão e quem as representa.

O último chumbo do Tribunal Constitucional, sobre a convergência das pensões e reformas tem um significado político relevante: os poderes instalados no aparelho de Estado, não aceitam reformas. Toda a oposição saudou a decisão, inclusive o PS (que assinou o Memorando), o qual, se estivesse no Governo teria que tomar medidas idênticas e, como no passado, seria o PSD e o CDS a saudar o chumbo. Todavia, não são apenas algumas das decisões que o TC já tomou, que dificultam as reformas. O Governo tudo tem feito para protelar a extinção de Fundações e Institutos, a reforma e diminuição de organismos públicos, a diminuição das rendas usurárias da banca, da energia, das PPPs e, particularmente, a recuperação dos dinheiros públicos roubados no escândalo do BPN.

Há, certamente, muita tese sobre as razões do impasse político, económico e social e consequentemente constitucional, mas soluções para a crise, continuamos no reino das ilusões. No entanto, a dar crédito aos partidos da oposição, a muitas vozes sonantes no PSD e ao significado das continuas contradições no CDS, o problema não está no sistema, mas no Governo Coelho/Portas. Para estas forças e a generalidade dos comentadores, além da responsabilidade do Governo, culpa principal da situação em que vivemos é da Troika e, principalmente, de Merkel e dos Alemães. Assim sendo, a primeira tese, é a defesa de um governo de salvação nacional, contra a austeridade e pelo crescimento económico, base para reconquistar a independência financeira. Outra tese, muito apadrinhada, é a necessidade de unir a esquerda para formar um governo anti liberal, contra a austeridade. Outra, com cada vez mais seguidores, é sair do Euro e procurar uma convergência política e económica triangular -Portugal, Brasil e Angola.

Subjacente a todas estas teses e outras, difundidas nos média, está sempre a defesa do papel "preponderante e insubstituível" das chamadas classes médias, apesar dos seus principais porta vozes, Pacheco Pereira, Adão e Silva, Daniel de Oliveira, Francisco Louça e Manuela Ferreira Leite, entre outros, face à indiferença do povo aos seus apelos, agora já afirmarem que é o Tribunal Constitucional e a Constituição da República, o último reduto para a defesa do Estado Social, e não o seu poder e força organizativa. O facto de nas últimas eleições autárquicas, apenas terem votado 37% dos eleitores nos actuais partidos, para não descontar os que votaram nos independentes e, particularmente, a saída de mais de 200000 portugueses como emigrantes, não faz reflectir as chamadas classes médias para  mudar de atitude e aceitar fazer as reformas  do sistema, porque o capturaram e porque todos os partidos estão alicerçados e apoiados nessa base social.

Todos nós podemos constatar, que os partidos da oposição e os "contestatários" internos dos partidos que governam, condenam as medidas de austeridade,  porque atingem as classes médias, em particular, o pequeno comércio e serviços, e a "geração mais bem formada de sempre", ainda que alguns procurem passar a ideia que as medidas são iguais para todos os trabalhadores e reformados, com o objectivo de encontrar apoio no mundo do trabalho. Porem, são cada vez mais as vozes a afirmar, que o Estado foi capturado pelo mundo financeiro e as grandes empresas mas, também, aqueles que afirmam, (como Correia de Campos, no Público, do dia 16/12), que a esquerda se deixou capturar pelas corporações dos "médicos, advogados, engenheiros, economistas, professores, farmacêuticos ou funcionários públicos", ou seja, as chamadas classes médias.

Aconteceu que o mundo mudou, profundamente, no último quarto de século. A queda do Muro de Berlim representou, simbolicamente, a derrota do socialismo e a consequente vitória do capitalismo à escala planetária. Como corolário dessa vitória, a Globalização consolidou-se sob a orientação do capital financeiro, com base na ideologia neoliberal. Paralelamente, se os comunistas ficaram sem "farol", os socialistas, sociais democratas e as organizações radicais de esquerda, ficaram sem programa susceptível de continuar a ser os intermediários, entre o capital e o trabalho, porque o socialismo e o comunismo acabou, como ameaça para o capital.

A História tem destes paradoxos. O capital, que tanto apoiou a pequena e média burguesia e seus partidos, para sabotar revoluções e impedir a instauração do socialismo em vários países , agora já não as quer, nem sustenta, a não ser aqueles que aceitem e defendam o liberalismo e a destruição do Estado Social, tal como o conhecemos. As chamadas classes médias  estão desesperadas. ao ver que o seu papel de tampão já não é indispensável. Protestam, ao constatar que empresas públicas e sectores públicos, onde auferiam os seus altos vencimentos, estão a acabar e que, no aparelho do Estado, já não há lugares para todos. Finalmente, revoltam-se perante a concorrência do mercado do trabalho, que aumentou a proletarização que eles tanto desprezam e odeiam,  mas sentem ser a sua única alternativa.

Agora, muitos andam a escrever nas redes sociais, uma citação que, em termos sintéticos, reflecte o seu pânico: "o que temia-mos que os comunistas nos tirassem, tiram agora os liberais!" Quanto ás razões da (in)compatibilidade com a democracia, que são sobretudo ideológicas,  procurarei responder na segunda parte deste artigo.