sexta-feira, 18 de maio de 2012

Muito Ladram os Cães...Quando Acorrentados!



Esta semana, o desemprego atingiu novo recorde. Com a tomada de posse do novo Presidente Francês, toda a gente começou a falar de crescimento económico e emprego, inclusive, o actual Governo. Uma nova sondagem, aumenta a simpatia pelo PS e diminui em relação ao PSD. O Jornal o Público, acusa o Ministro Miguel Relvas, de pressão e chantagem, para não ser publicado novo artigo sobre as Secretas. Duarte Lima, um dos antigos expoentes do poder laranja e próximo de Cavaco, saio da prisão e foi passar férias para casa. Poderia continuar a referir mais factos, que reflectem, como o Povo Português foi enganado nas últimas eleições e como os vários protagonistas, do derrube de Sócrates, são recompensados pelo poder actual.

Perante estes factos, seria natural, que as televisões não generalistas abordassem e discutissem, em horário nobre, todas as consequências políticas, particularmente, com o principal partido da oposição, o PS. Todavia, apenas tinha-mos "os cães a ladrar", para satisfação dos "ladrões". Ainda que reconheça, que os Directores de informação, de cada Televisão, tenham o direito de escolher quem querem nos seus programas, há regras de pluralismo que devem ser respeitadas. Mas...como agora o PCP e os seus funcionários políticos, já não vão protestar a todos os locais onde vai o Primeiro Ministro, como faziam com José Sócrates. Mas...como o Nogueira perdeu a oportunidade de liderar a CGTP e ficou zangado, já não tem vontade de convocar os professores para exigir a mudança de políticas e de Governo, apesar de nunca ter havido tantos professores no desemprego. Agora estão "acorrentados" ao poder que ajudaram a eleger!

Tivemos, assim, debates cordatos, na SIC entre o PCP e o CDS, na RTP entre o PCP e o PSD e na TVI PCP e PSD!!! Tudo em horário nobre! É Verdade...mais tarde...houve "colóquio" entre o PS e o independente do CDS. Do que tive oportunidade de ver, parte final, discutiam futebol. Manuel Alegre, defendia a sua Académica, Bagão Félix, citou parte de uma Encíclica Papal...com a assentimento do interlocutor, ainda que expressando maior simpatia por outra! São tantos os porta vozes do PS, que não sei quem é responsável por acompanhar e "pressionar" os média, para que haja pluralismo e, naturalmente, respeito pela opinião do principal partido da oposição. Atenção...António José Seguro...os adversários também estão dentro do Partido.

Como parece que o nome de Sócrates e "todos os crimes" que cometeu, já não tem audiência, Ricardo Costa...teve que fazer o Expresso da Meia Noite, a falar de Pessoa...Naturalmente, é sempre um tema importante para a História e Cultura Portuguesa. Mas...como os temas de actualidade, contrariam tudo o que ele e os seus "especialistas" de economia e política andaram a dizer...é melhor aguardar para melhor pode mudar de agulha.

Assim vai o nosso Portugal. Depois do maior ataque aos trabalhadores e aos seus direitos, desde os anos sessenta,paradoxalmente ou talvês não, o PCP, é "reconhecido" como interlocutor do Governo. Agora, que os cortes já foram concretizados no mundo do trabalho, quando o Governo oscila e cede perante os interesses instalados, os "nossos queridos comentadores" esquecem a política e passaram a comentadores desportivos. Durante semanas, tudo irão fazer para o Povo esquecer os escândalos, corrupção e o aumento das desigualdades sociais. Entretanto, os condenados não vão para a prisão, os acusados vão saindo, o branqueamento de milhões continua e...não há maneira de voltar a ver "os justiceiros" de Sócrates...a protestar nas televisões!


A culpa de tudo isto é nossa. Ainda não quero acreditar, como muitos escrevem e afirmam, que a situação em que vivemos, nada mais é que a consequência dos negócios e acordos das sociedades secretas, discretas e afins, onde todos se encontram e fazem os seus negócios, na mais discreta solidariedade...


sábado, 12 de maio de 2012

Seguro Ganha Autoridade, Diz Não A Mário Soares!

Foi a luta pela consolidação da Democracia e a defesa da entrada de portugal na CEE, protagonizadas por Mário Soares, que me incentivou a filiar no PS, após profunda reflexão sobre o Marxismo Leninismo. Desde então, apesar de nunca ter conversado com ele, considero-me um Soarista. Não por seguidismo nem por reverência à sua personalidade mas, principalmente, pelas suas ideias e a coragem de as assumir, como foi o caso da sua primeira candidatura a Presidente da República, a qual apoiei desde o início.

Apesar desses factos, não é a primeira vez que tenho opinião contrária à sua. Todavia, face à sua experiência política e conhecimento da História, sempre que discordo ou não compreendo o alcance das suas palavras, sinto-me na obrigação de reflectir, sobre as questões que ele aborda.
 Aconteceu assim, recentemente, quando decidiu apoiar as posições de Vasco Lourenço, de não comemorar o 25 de Abril na Assembleia da República. Depois de procurar um eventual enquadramento válido e de várias discussões políticas, assumi uma posição contrária e critica de Mário Soares.

Esta semana, Mário Soares, primeiro no seu artigo no DN e depois na entrevista ao Jornal i, volta a assumir posições políticas, que me surpreenderam profundamente. Defender que o PS, se deve desvincular do acordo com a Troika, porque houve modificações no Memorando, só pode contribuir para agravar a crise em que o país se encontra.
 Significa, objectivamente, deitar por terra a credibilidade que o país foi  adquirindo, progressivamente, perante o FMI, BCE e UE. Ou Mário Soares tem informações que mais ninguém possui ou, então, está a assumir uma posição política, em contradição, com a responsabilidade como no passado dirigiu o país.

Todos sabemos, quanto é grande o prestígio e, ainda, a influência política que Mário Soares tem no país e, principalmente, nos militantes e muitos dirigentes do Partido. Ao assumir a defesa da rotura com o Memorando, mais não fez do que dar cobertura, a todos quantos discordam de António José Seguro e criticam a sua forma de fazer oposição, ao actual governo.

 Posso admitir, que o seu desígnio era criar espaço ao PS, para poder contabilizar algum do descontentamento e protesto, contra as graves medidas do Governo. Contudo, o que vimos de imediato, foi o apoio de Francisco Assis à sua tese quando, até agora, tinha mantido o apoio às posições de A.J. Seguro e assumindo a manutenção do compromisso com a Troika, que ele tinha defendido, enquanto líder parlamentar. 

Posteriormente, um grupo de deputados vota contra a orientação do líder parlamentar, violando a disciplina de voto e, Vieira da Silva, critica Seguro, por falta de liderança. Se tivermos em atenção, que vários dos deputados, que furaram a disciplina de voto, foram membros do Governo ou tiveram grandes responsabilidades no partido, quando Sócrates negociou e aprovou o Memorando, este facto é, no mínimo, incompreensível. 

Mais incompreensível e, na minha opinião, inadmissível, é o facto de todas aquelas atitudes políticas e as de muitos comentadores, que diariamente nos mentem com total impunidade, só terem aparecido, depois do Governo ter retirado direitos e regalias ao mundo do trabalho, "destruído" o Código do Trabalho,
e pouco ou nada ter feito, para acabar com os interesses instalados, que capturam o Estado! 

 Será, que para estas pessoas, o problema de Portugal, começa e acaba na a dita classe média? E os milhões de trabalhadores, que ganham o salário mínimo ou pouco mais, e que na prática já não lhe reconheciam direitos  sociais e económicos, não contam? Este esquecimento...pode sair caro ao regime democrático! Quando será, que se assume com frontalidade, que o problema de Portugal não são os trabalhadores, mas antes, as Elites que nos governaram e os que dirigem as empresas e o país?

Tenho plena consciência, que o Governo está, progressivamente, a destruir o Estado Social. Sou vítima, como muitos outros portugueses, das medidas de austeridade. Penso, que pouco ou nada contribuí, para a situação em que o país se encontra e "paguei o preço", de lutar contra a corrupção. Todavia, considero meu dever, apoiar as medidas que permitam Portugal sair do "Estado de Excepção" e recuperar a plenitude de um Estado de Direito Democrático e Social. 

Em síntese, dentro do actual contexto, continuarei a apoiar António José Seguro e a sua orientação política, que uma grande maioria dos militantes aprovou no último Congresso. Consequentemente, saúdo e apoio as posições que o Secretário Geral do PS assumiu, quer sobre o 25 de Abril, quer sobre a não rotura do Memorando!


domingo, 6 de maio de 2012

A Vitória De Hollande Em França E A Derrota Dos Socialistas Na Grécia, Tem Algo Em Comum?




A vitória  de Holande em França e a derrota dos Socialistas na Grécia, tem algo em comum? Certamente. Se juntarmos a estas duas eleições, a derrota dos conservadores ingleses à poucos dias, a situação em que se encontra Passos Coelho, passado um ano após ser eleito e, particularmente, o governo de direita de Espanha, eleito à meses, conclui-se que há um denominador comum. 

Todos os governos, de esquerda ou direita, que tem liderado nos últimos anos os seus países, são derrotados nas eleições. Passados meses, após o acto eleitoral, os governos recentemente eleitos, já estão a sofrer uma contestação social generalizada e revelam incapacidade de superar as crises, dos respectivos Estados.

Perante estes factos, como socialista,  considero que foram indiferentes os resultados? Não. Sinto alegria e uma dose contida de esperança, pela vitória de Hollande, para novo Presidente da República Francesa. Como afirmou A. J. Seguro, na sua mensagem de felicitações, a vitória de Hollande traduz "uma lufada de ar fresco",mas apenas isso e sem saber, sequer,o que isso significa.

Enquanto os políticos não quiserem falar verdade, a dívida e a crise económica não começa a ser superada. Os dirigentes políticos, que acreditam no sistema político vigente na Europa, terão que afirmar que os cortes nas regalias e direitos sociais, são indispensáveis e incontornáveis., Os políticos, que dizem não acreditar no sistema mas, simultaneamente, são incapazes de apresentar sistema alternativo, deveriam assumir, que já 
não é mais possível reivindicar benefícios sociais, mas apenas lutar por melhor distribuição da riqueza produzida.

Acredito, que me possam considerar um louco e um idealista. Sei, que fazendo afirmações deste tipo, perante quem não se interessa pela política, que abomina os políticos e que só se move pelos seus interesses, imediatamente me rotulará de fascista ou outros nomes equivalentes. Compreendo e não os condeno por isso. 

Os responsáveis, são aqueles que desbarataram centenas de milhões de contos, que deveriam servir para modernizar e industrializar o país, mas foram gastos, em grande medida, em obras de fachada para enriquecer os construtores civis e os interesses instalados e alimentar  o povo de ilusões, de  que tudo teriam, sem grandes esforços.

 Foram, ainda, todos os que nos governaram depois da redução dos fundos comunitários, que continuaram a fazer obra como se fossemos um país rico e, simultaneamente, a esconder das pessoas que os gastos que o Estado, as empresas e as famílias estavam a fazer, incitadas pelos bancos, era com recurso a crédito, por não produzirmos ou exportarmos, para compensar o que importávamos e gastávamos. 

Quando, pela primeira vez, José Sócrates, fez alguns cortes e desencadeou uma forte reorganização do Estado, caiu-lhe tudo em cima. Os interesses instalados, que não queriam ser prejudicados nas suas benesses e regalias, tentaram tudo para sabotar. O povo, alimentado de promessas e ilusões por todos os oportunistas, não queria abdicar de qualquer subsídio, impunidade no trabalho, ou serviços junto de casa, a qualquer hora.

Contudo, dirão alguns, o que é que estes últimos factos, tem a ver com as eleições em França, Grécia, Inglaterra ou outros? Tudo se relaciona. Os acontecimentos políticos, económicos e financeiros, em que quase todos os países da União Europeia se viram envolvidos, desde o fim do século passado e, particularmente, desde 2008, derivam dos mesmos problemas. 

Admitir, que o novo Presidente da República Francesa, apesar de ser um dos grandes países da Europa e o principal fundador da U E,  pode alterar as regras do Tratado, manter o seu Estado Social e contribuir para ajudar a sair da crise, Portugal ou outros países, ou reflecte ignorância, ou é pura demagogia, de quem se recusa a ver a realidade do Mundo actual.

Sem me alongar em considerandos, é para mim indiscutível, que actualmente há quatro realidades incontornáveis e que tudo condicionam: O capital financeiro, define os seus interesses e decide o destino do mundo, os políticos limitam-se a executa-los; As fábricas, que produzem para  todo o mundo estão na Ásia, particularmente, na China e na Índia e, consequentemente, as centenas de milhões de postos de trabalho foram criados lá; O mundo ocidental, particularmente a Europa, deslocalizou dezenas de milhares das suas fábricas, perdeu dezenas de milhões de postos de trabalho e, naturalmente, diminuiu a riqueza produzida.
A globalização, liderada pelo neoliberalismo conservador, como braço executante dos mercados financeiros, alterou radicalmente a relação de forças entre as potências mundiais, modificou as relações entre o capital e o trabalho dentro de cada país e, teve como consequência, aumentar as desigualdades sociais, apesar de nunca se ter produzido tanta riqueza no mundo.

Perante estas realidades, o que vai Holande poder fazer? Muito pouco. Só uma União Europeia forte pode lutar, no actual contexto internacional,por modificar as relações de força. Todavia, antes tem de reconhecer, que já não pode viver como no passado, quando era o principal produtor e exportados do mundo. Tem que se entender, que sem nova industrialização não haverá trabalho para milhões de desempregados, não haverá riqueza para pagar as dívidas e, particularmente, para manter o Estado Social Europeu.

 Porém, em vez de se esforçarem pela unidade europeia, quase todos os países criticam ou condenam a Alemanha, quando a realidade nos demonstra que a crise não passa por lá, que quando foi necessário reformar e cortar regalias não regatearam, que continuam com a economia e as finanças fortes, o trabalho é dos mais produtivos do mundo e, ainda, é um dos países com menores desigualdades sociais.

Em síntese, haverá mudanças, quando alguma das actuais realidades se alterarem, quando acabar os nacionalismos europeus, os quais, na maioria dos casos, vivem de saudosismo de antigos impérios e, principalmente, na esperança de conseguir manter "estatuto" das pretensas elites, à custa da miséria do povo e dos empréstimos que vão conseguindo...dos Alemães!


sábado, 28 de abril de 2012

Nuvens Carregadas Sobre O 25 De Abril Provocará Tempestade?

A comemoração do 25 de Abril, foi antecedida por algumas nuvens dispersas, cheias de contestação dos promotores e alguns dos tradicionais apoiantes, que se recusaram a participar nas cerimónias da Assembleia da República. Apesar do ambiente nublado, a decisão da Associação 25 de Abril, apoiada por Mário Soares e Manuel Alegre, apenas provocou ligeiro chuvisco o que, manifestamente, não impediu que a festa se realiza-se de acordo com a tradição. 

Também as declarações de Sousa e Castro, outro protagonista do Movimento dos Capitães, no programa prós e contras, adensou o ambiente, com criticas duras e frontais ao governo e a todos que tem responsabilidade na situação a que chegamos, particularmente, pela desigualdade na distribuição dos sacrifícios para superar a dívida de Portugal.

Todavia, para afastar o eventual agravamento das alterações climáticas, a primeira Mulher a presidir à Assembleia da República preparou, antecipadamente, um cenário colorido como há muito não se via, com os cravos a monopolizaram tudo, desde a Tribuna até aos Deputados. Assunção Esteves, até convidou  Paulo de Carvalho para recordar que o fascismo só caiu, Depois do Adeus, e os Compadres Alentejanos, para reafirmar, que em Grândola Vila Morena, o Povo é quem mais ordena.

Indo ao encontro da ideia que se começa a generalizar, que só "depois do adeus" deste governo, a situação poderá deixar de piorar, Os Verdes, ainda que continuando a realçar o vermelho mítico de Abril, já deixou transparecer, que um PEC cor de rosa, é preferível a esta austeridade acastanhada.

 Por seu lado, o BE, em homenagem ao seu lider Miguel Portas, que tinha afirmado que o socialismo e o comunismo não leva a lado nenhum, tratou de criticar duramente o Governo e até o Presidente da República, por ter atacado Sócrates no ano anterior e, agora, não ter feito o mesmo a Passos Coelho. O caminho de Louça é sinuoso mas...a Social Democracia de "esquerda" é, certamente, o seu espaço adequado ainda que, inicialmente,em "coligação" ou numa "frente" mais ampla.

Entretanto, como dia estava cada vez mais instável e as nuvens carregadas ameaçavam, o PCP, descarregou granizo. Apesar da intervenção, ter sido feita por um dos velhos quadros, o conteúdo, não deixa de reflectir já uma linguagem mais actual, mais consentânea com a juventude da maioria dos seus deputados.Excepção feita à demagogia em torno da necessidade do não cumprimento do Memorando, para o qual eles e o BE deram o seu contributo, ao recusar o PEC IV, o discurso contra as medidas do actual Governo, foi dos mais duros, denso e elaborado, apresentado nos últimos tempos na Assembleia.

 É verdade que o PCP também criticou o PS, porém, talvez por efeito do tempo estar com as nuvens escuras, o vermelho das conquistas da revolução, foi ofuscado pela defesa de reformas mínimas do Estado Social, com um tom cor de rosa. Quero acreditar, que perante as actuais convergências do Fídel Castro, com o Papa, eles preferem, antes e já, uma recepção no reino dos aventais, em alternativa, a terem que ir a Fátima com o Fídel, o Papa e companhia, para pedir a nova "reconversão" da URSS e um lugar no reino da utopia!

Quando se pensava que o mau tempo já tinham passado, eis que se assiste a uma mudança do vento, trazendo consigo mais chuva e ameaças de trovoada. Em nome do PS, Zorrinho, com a calma e a pouca convicção que lhe é peculiar, desencadeou uma série de criticas ao Governo, particularmente, contras as medidas de austeridade impostas, que vão para além da Troika. As criticas e as sugestões, para além de justas, tinham o inconveniente de não serem novas. Todavia, saturado de ver recusado as propostas que apresenta, em nome do Grupo Parlamentar, particularmente, a proposta de adenda ao novo tratado, que tem cada vez mais apoio internacional, o PS, decide ameaçar o Governo, com uma "rotura democrática"! Com ou sem razão, muitos começaram a admitir que haveria ameaça de tempestade.

Próximo do fim do dia, o temporal ainda piora. Escudado numa multidão revoltada, com os cortes das reformas, dos subsídios de férias e de natal e um aumento generalizado dos preços e dos impostos, onde a juventude, já em grande número, deu ainda mais colorido e agitação, Vasco Lourenço, leu uma espécie de declaração de guerra contra o governo . Parte da crítica, duríssima,  que fez a este governo, já o tinha feito com o anterior governo de Sócrates, conforme sublinhou. Porém,de seguida, foram tantos os ataques às medidas do governo, aos tribunais e a justiça ou falta dela, que se permitiu afirmar: o actual governo e as coisas como estão, são contra a razão e o espírito do 25 de Abril.

 Referindo-se às Forças Armadas,  Vasco Lourenço alertou, se é que não intimou o governo, a não cortar os seus direitos e regalias, a respeitar a dignidade dos militares e da Instituição que eles constituem. Finalmente, afirma, que no trabalho não há direitos nem respeito pela dignidade de quem trabalha, concluindo: estamos como no tempo do fascismo! E avisa que, os militares, não aceitarão que se destrua o regime implantado com o 25 de Abril, que não foi desencadeado apenas pela liberdade e democracia mas, também, por um novo regime social!

Conclusão: perante este tempo tão instável, com a maioria do povo a contestar,o Capelão das Forças Armadas a condenar, com a mudança de ventos que abanou Ramalho Eanes, chuvadas desencadeadas por  Manuela Ferreira Leite e trovoada e granizo por Pacheco Pereira, revoltado com os elogios que Cavaco fez  às políticas de Sócrates que ele tanto condenou, será que teremos uma tempestade a sério nos próximos tempos?

 Como as nuvens das críticas começam a ser feitas de todos os quadrantes e o ambiente a aquecer descontroladamente, é muito possível que, se o anticiclone da Madeira e as rendas das PPPs  continuarem a aumentarem à velocidade do TGV, transformem o ambiente e tudo possa acontecer! Ou...talvez não...o povo é sereno...?!






quarta-feira, 25 de abril de 2012

O MEU 25 DE ABRIL!

Trinta e oito anos após o 25 de Abril, depois de muitas e variadas versões e até contradições, acerca os motivos do Golpe Militar e sobre quem foram os principais protagonistas, permita-me que, pela primeira vez, escreva na primeira pessoa, fale sobre a minha participação política, antes e depois, da gloriosa arrancada dos Capitães de Abril.

Antes disso, como cidadão e activista político, há mais de cinquenta anos, quero expressar o mais sincero agradecimento, a todos os militares que realizaram o Golpe de Estado, contra o regime fascista e que, contribuíram, para que o 25 de Abril se transforma-se numa revolução democrática. Na pessoa de Otelo Saraiva de Carvalho, organizador e coordenador das operações, e na do saudoso Melo Antunes, ideólogo do Programa do Movimento das Forças Armadas, deixo um grande abraço de solidariedade, admiração e um muito sentido OBRIGADO, extensível a todos os que com eles colaboraram!

O meu 25 de Abril, começou às 7,30 horas, em Paris. Preparava-me para começar a trabalhar, numa das quatro grandes subestações de electricidade que alimentavam o Metro de Paris, Barbés Rochechouart, quando, inesperadamente, entra nas instalações o meu camarada de trabalho e grande amigo africano, da Guiné Conacry, a gritar: Béxiga! Béxiga! Golpe de Estado em Portugal!

Apesar de meio sonâmbulo, pois tinha passado quase toda a noite em mais uma das intermináveis discussões por causa da cisão do PCP-ml e da necessidade de unir os marxistas leninistas, reagi saltando, gritando e abraçando todos quantos estavam a trabalhar comigo! Ainda incrédulo, saí de imediato para poder confirmar, através da rádio e vários contactos telefónicos, se era ou não verdade e quais eram as motivações dos autores do golpe. Após receber várias informações partidárias e de amigos, regressei ao local de trabalho para afirmar: hoje já não trabalho e, se, como espero e desejo, o golpe tenha derrubado o regime fascista, não trabalharei mais em França e regressarei a Portugal logo que me seja possível!

Perante esta minha tomada de posição, todos os meus camaradas de trabalho apoiaram, pois sabiam ser essa a minha intenção desde sempre e sabiam que eu era um Homem de luta e de palavra. Porém, ao mesmo tempo, o responsável pela coordenação dos trabalhos, chamou-me a atenção, que eu já tinha assumido a responsabilidade de ir coordenar os trabalhos, na subestação da Torre Eiffel. Nada me demoveu, e parti para as portas da Embaixada de Portugal, para participar nas manifestações com outros exilados, jovens desertores do serviço militar e alguns, poucos, trabalhadores imigrados!

 Só regressei ao local de trabalho passado dias, para me despedir dos meus queridos camaradas,depois de ter pedido a demissão e a compreensão, por não poder assumir os compromissos anteriores.Agradeci ao dirigente da Alsthom, Pierre Pichet,meu grande amigo desde que dirigiu a empresa em Portugal e onde eu tinha trabalhado cinco anos, antes de sair para fazer o serviço militar, que me facilitou a resolução de todos os problemas, assim como, anteriormente, já me tinha dado trabalho, logo no primeiro dia em que me consegui legalizar.

Dia de alegria e felicidade indescritível e inesquecível. Tinha chegado o dia em que podia regressar a Portugal em Liberdade! Terminava a luta, "Por um Portugal que não precisemos de imigrar", que entre outras coisas, tinha levado à realização dos jogos Florais, em Paris, em que intervieram quase todos os cantores revolucionários e me obrigou a trabalhar 36 horas seguidas para ultimar a instalação eléctrica. Era o tempo de partir e participar na consolidação da Liberdade, na construção  da Democracia e do Desenvolvimento, em Portugal.

Seguiram-se incontáveis contactos, reuniões e discussões, tendo em conta as responsabilidades de direcção que tinha, a nível partidário sindical e associativo. Ao mesmo tempo preparava a regularização da situação da minha companheira de então e da minha querida filha, assim como da casa onde habitávamos e ainda da despedida de amigos da minha região, que por nunca se terem interessado pela política, não compreendia a minha decisão e insistiam que eu ficasse, tendo em conta a minhas excelentes condição de trabalho e remuneração.

No início de Maio, no comboio dos sonhos,regresso com a família, a Portugal. Deixo para traz o país que adoro, que me acolheu, quando fugi do fascismo para não ser preso, como foram outros camaradas meus, entre os quais o Fernando Rosas. Deixo, agradecido, o Povo que me permitiu a realização e o respeito profissional, que me deu a possibilidade de aprender a viver em Liberdade. Deixo a França amiga e acolhedora de todos os exilados de Portugal, Espanha, Grécia e de outros países europeus, bem como, exilados de todo o Mundo.

Abandono a Cidade das Luzes, das grandes universidades, bibliotecas e livrarias, mas também das grandes fábricas, que alimentavam o intelecto de tantos revolucionários e democratas, que lutavam pelas transformações, ou apenas, reformas dos seus países. A cidade das manifestações contínuas, dos grandes comícios e debates pela Democracia nos países fascistas, pela Liberdade dos Povos colonizados, como foi o caso do comício aquando a declaração de independência da Guiné e Cabo Verde e, principalmente, contra a guerra no Vietname!

Terminava assim, dois anos e meio de exílio onde, para além de alguns fins de tarde ou fins de semana em que dedicava à minha querida filha, levando-a a passear nos jardins, dediquei todo o meu tempo ao estudo e leitura, de tudo o que era livros e imprensa comunista e revolucionária, que me tinha deixado deslumbrado quando entrei na Masperó.Paralelamente, desenvolvi intensa actividade política, cultural e associativa, no sentido de mobilizar ,alguns trabalhadores imigrantes,para a actividade política. Em suma, abandonei Paris, sem ter tido tempo para dedicar ao conhecimento da rua riqueza cultural e dos seus extraordinários Monumentos!

Deixei para traz uma carreira profissional consolidada, de operário altamente qualificado, onde trabalhei menos de dois anos porque, desde que cheguei, passei cerca de oito meses em quatro empresas, para tentar legalizar-me. Foram meses muito difíceis em que esteve iminente a minha expulsão, por falta de documentos, que normalmente as pequenas empresas prometiam, mas não davam, para obrigar os clandestinos a todo o tipo de trabalho mal remunerado. Fiz todos os trabalhos que me apareceram, inclusive, andar de mobilex com aspirador às costas, pelas ruas de Paris, para limpar casas particulares e estabelecimentos comerciais!

No 25 DE ABRIL, de 1974, vivi como cidadão, o dia mais feliz da minha vida, na cidade mais bela do Mundo. Decidi abandonar a Cidade das Luzes, para regressar a Portugal, entretanto iluminado pela Liberdade, oferecida pelos Capitães de Abril. Quando cheguei, com cerca de 100 k.
de livros, revistas, jornais e documentos, para me ajudar a reiniciara actividade política e sindical, que tinha deixado em 1971, agora com outros camaradas e com a participação do Povo. Creio não ter tido qualquer descanso durante mais de um ano, todavia, essa aventura maravilhosa...fica para outro dia. VIVA O 25 DE ABRIL E OS SEUS AUTORES!

domingo, 8 de abril de 2012

A Contra Informação Continua Por Marcelo E Companhia!




A contra informação continua. Marcelo Rebelo de Sousa, não reconheceu que errou, não assumiu que mentiu, não pediu desculpas a António José Seguro, retomou a teoria "da trapalhada" sobre a alteração dos Estatutos e, ainda, acusou A. J. Seguro de cometer erro, ao lhe responder, quando apenas deveria debater com o Primeiro ministro. Em suma, continuou a denegrir a imagem do Secretário Geral do PS e, objectivamente,a por em causa a personalidade do Homem, hoje como líder do Partido, no futuro, como candidato a chefe de governo.

Marcelo, não reconheceu que errou, apenas afirmou, que poderia aceitar metade do erro, ao ter informado que as listas seriam fechadas, quando era público, que a Comissão nacional já tinha decidido o contrário. Todavia, para tentar manter a nuvem de fumo, sobre as ideias e propostas do A.J. Seguro, afirma, "mas ele antes tinha defendido listas fechadas". Estas afirmações tem que ser repudiadas. Primeiro, não existem meios erros, o que a Lei estabelece e a Doutrina define, é a graduação do erro, se é voluntário, consciente ou não, etc. Marcelo errou, deveria pedir desculpa ao visado. Segundo, desconheço, se o Secretário Geral do PS tinha, inicialmente, uma opinião diferente da que assumiu na Comissão nacional. No entanto, desvalorizar que a proposta apresentada, foi o resultado de vários meses de discussão, democrática, no seio do Partido, significa que Marcelo, apenas quis dar importância a pretensas ou pretéritas opiniões, e não dar relevância aos factos políticos, procurando argumentos para denegrir o bom nome de A. J. Seguro.

Marcelo, mentiu na primeira intervenção e voltou a mentir na segunda, sobre as futuras eleições, para a Direcção do Partido. Inicialmente, afirmou que "a golpada" era para impedir outras candidaturas, já no início do próximo ano, com os novos Estatutos. Contudo, perante o desmentido público das suas insinuações, através do Secretariado do Partido, ao reafirmar que as futuras eleições serão na data prevista e de acordo com os anteriores estatutos, agora procurou justificar a sua tese de "golpada", na pretensa indefinição da data do Congresso, antes ou depois da eleições autárquicas, para impedir uma eventual candidatura de António Costa. Marcelo Rebelo de Sousa, tinha o dever de pedir desculpa. Como não fez e perante todas as informações públicas disponíveis, só se poderia considerar a sua atitude como, de má fé, no entanto, não tenho dúvida que se trata , além da má fé, de mais uma acção de contra informação e, também, uma espécie de provocação, para trazer António Costa para a polémica, para o "desgastar", como seu eventual concorrente a Belém.

Quanto à forma de alteração dos Estatutos, foi evidente o esforço do Marcelo, invocando a sua condição de Professor Doutor, para impor, aos telespectadores, a sua Tese interpretativa. Ao insistir reler e citar um artigo dos anteriores Estatutos de PS e, simultâneamente, omitir o conteúdo da Moção aprovada no Congresso, que mandatava a Comissão Nacional para alterar os Estatutos, demonstra a dificuldade de conciliar a sua opinião subjectiva, com os factos objectivos.

Os Juristas, que acompanham, minimamente, os processos da justiça, sabem que para determinados processos, é apenso parecer de juristas, particularmente, de Professores Universitários. Acontece que o acusado, ou arguido, terá sempre um parecer favorável à sua defesa. Da mesma maneira, o autor do processo, também recorre a parecer de outros Juristas ou Professores de Direito, naturalmente, com parecer também favorável. Assim, para cada facto existe, quase sempre, várias interpretações da Lei ou da Constituição. Como normalmente se diz em Direito, cada interpretação vale o que vale. Neste sentido, a interpretação que O Professor Marcelo Rebelo de Sousa faz, sobre a alteração dos Estatutos do PS,vale o que vale.

Para mim, da mesma maneira, que reconheço à Assembleia da República, a plena soberania, para decidir se e quando altera a Constituição, também o Congresso do PS, é soberano, sobre a alteração ou não dos Estatutos e, se delega ou não, a sua aprovação na Comissão nacional.

Em síntese, a alteração dos Estatutos do PS, foi apenas um pretexto para o Marcelo denegrir a imagem de Seguro, desvalorizar o PS como alternativa ao actual governo e, ainda, criar um facto político, susceptível de gerar discussão e confusão em toda a gente. Pretendeu desviar as atenções, para que não se fale, comente e critique o actual governo e as suas medidas, de corte de direitos e regalias sociais, que não estavam previstas no Memorando. Em suma, mais uma acção de contra informação, que deu os seus frutos, reflectida nas manchetes dos jornais, ao escreverem que, Marcelo, manteve as acusações contra Seguro e o PS.

Não sejamos ingénuos, também Pacheco Pereira, no Domingo, no seu programa da SIC, não encontrou melhor forma para realçar o papel da imprensa, na semana, que um extenso artigo do Publico, permitindo-lhe fazer comentários críticos, sobre o Período de Sócrates e, objectivamente, sobre e contra o PS, apesar de nestes últimos tempos ser muito crítico de Passos Coelho, do seu governo e das contínuas trapalhadas.
Ao PS e à sua direcção, liderada por A.J.Seguro, resta não gastar mais tempo com esta manobra de diversão.Deve continuar o excelente trabalho de dinamização e organização do partido. Denunciar todas as medidas de austeridade, do governo, que vão "para além da troika" e todas as políticas liberais e conservadoras. Por fim, aprofundar e clarificar a política económica e social alternativa, na base de propostas concretas!

sábado, 24 de março de 2012

Onde Começa E Acaba A Contra Informação Da Direita ?




Declaração prévia: não defendi nem fui solidário, com a última greve geral. Desde há muito tempo considero que, as greves gerais, são apenas para defender os instalados da classe média, fazem parte da estratégia do PCP, de quanto pior melhor, tem a participação consciente do BE e, ainda, a colaboração de alguns socialistas. Estes, sem formação ideológica e com memória curta, não querem compreender que o país está sob a tutela dos credores, e que o Memorando da Troika, é para cumprir.

Apesar da declaração prévia, respeito e defendo o direito à greve, como está constitucionalmente consagrado. Mesmo admitindo, que as últimas greves, tem o seu impacto principal no sector dos transportes, o que provoca prejuízos a muitos trabalhadores que querem ou são "obrigados" a trabalhar, e que normalmente é aproveitado pela direita para denegrir os direitos sindicais, na última greve, a estratégia foi outra.

Desde que a greve foi aprovada, a data da sua realização, foi praticamente omitida pelos média. Depois, no seu início, as televisões começaram por realçar um ou outro incidente, ao mesmo tempo que desvalorizavam a participação, quer através de imagens dispersas e desfocadas, quer fazendo a comparação com greves anteriores, quer ainda, entrevistando muitas pessoas que não participavam nem apoiavam.

Contudo, a manobra de contra informação, ainda não estava completa. Apesar de vários indícios, que a participação tinha ficado àquem das perspectivas da CGTP, o Governo decidiu não revelar o número de trabalhadores que aderiram à greve, com o objectivo de desvalorizar qualquer eventual polémica nos dias seguintes, sobre a quantidade de grevistas. Finalmente, através de uma outra pretensa manifestação, um grupo de pessoas, gerou pequenos confrontos com membros da CGTP, imediatamente aproveitado pelas televisões em directo.

Mas, como não fosse suficiente, o mesmo grupo continuou a manifestação até ao Camões e, então, sem razões aparentes, começou a violência da polícia contra as pessoas presentes e, estas, contra a polícia, ou seja, uma manobra orquestrada, conscientemente, por alguém! Imediatamente, as rádios e televisões passam a dar emissões e a fazer comentários em directo e, no dia seguinte, todos os jornais faziam manchete, sobre "a violência da polícia e mostravam uma ou outra agressão. Conclusão da manobra de contra informação: nos dias imediatos, não se voltou a falar da greve mas, apenas, das agressões e dos agredidos. A greve foi um não acontecimento, como o Governo pretendia, para o qual teve a colaboração preciosa dos órgãos da comunicação social, controlada pelo Governo e pelos interesses instalados da direita conservadora e simultâneamente liberal .


Como resultado da política do Governo, "ir além da troika", estamos a assistir ao maior ataque ideológico da direita, contra os direitos dos trabalhadores e dos reformados, desde o 25 de Abril. Perante a posição correcta do PS, que é de defender a aplicação do Memorando da Troika, seria de admitir, que Passos Coelho, Miguel Relvas e companhia, apenas concentrassem a luta política nos partidos e organizações, que estão contra o Memorando. Todavia, como entre as promessas que fizeram enquanto oposição e as medidas que tem tomado, há uma contradição total e os escândalos no Governo são contínuos, o objectivo principal da contra informação, é contra o PS.

Como todos sabemos, qualquer problema da actual governação, é sempre atribuído a Sócrates e ao seu governo, apesar de Passos Coelho, ter afirmado, que jamais justificaria os seus eventuais erros, com as políticas do Governo anterior. Contudo, após a privatização da EDP, inicialmente considerado um excelente negócio com os chineses, para dar cobertura ao escândalo das nomeações principescas, de Catroga e companhia, e a revelação dos seus contornos, a contra informação regressou.

Quando se tornou público, que o negócio abrangia a manutenção das rendas excessivas, que o Memorando da Troika impunha que acabassem, para que o preço da electricidade pago pelos consumidores, diminui-se, o Governo foi identificado como defensor dos grandes interesses instalados. Mais uma vez, para iludir a sua responsabilidade e manter o povo na ignorância, os média, particularmente o Público, Correio da Manhã, Expresso e as televisões, com o apoio zeloso de juízes e agentes do Ministério público, recuperaram os eternos processos de acusação contra Sócrates - Friport, Licenciatura entre outras acusações, deles falando todos os dias, escrevendo os mais disparatados artigos e, até, perseguição das suas deambulações por París, com direito a reportes para fazer directos especiais. Consequência da contra informação: as principais notícias do país é sobre Sócrates, como ele ainda fosse primeiro ministro e responsável pela situação actual. Ao mesmo tempo, os escândalos relacionados com a EDP e o Catroga dos "pintelhos obsecado por milhões, passam a segundo ou terceiro plano, para que o Governo não seja responsabilizado.


Nestes últimos dias, os portugueses tem assistido a um tão vasto conjunto de omissões, deturpações e mentiras, por parte dos governantes, sobre a eventual reposição dos subsídios de férias e de Natal, que começa a ser difícil acreditar, no que quer que seja, que algum ministro afirme. Por outro lado, sobre a execução do programa da Troika e do Governo, começa a ficar evidente, para quem acompanha a vida política, que o Gaspar, Relvas e companhia, tem cumprido e ultrapassado, nos cortes e nos aumentos dos impostos, para o mundo do trabalho e dos reformados. Porém, no que concerne às medidas contra as rendas excessivas dos monopólios naturais, à renegociação das PPP, á liberalização do mercado das profissões liberais, entre outras medidas, Passos Coelho, continua... a manter e a defender os interesses instalados. Para não variar e tentar esconder, a aliança da Governo com os interesses instalados, e com a direita conservadora e reacionária, desencadeia nova campanha contra o PS.

Porque, apesar de todos os esforços, a condenação do Sócrates, como responsável por todos os males do país, já não é suficiente para enganar o povo, começou por se inventar uma crise no PS. Identificaram o António José Seguro, com o anterior governo, para também o responsabilizar pelo passado, ao mesmo tempo que lhe foi feito, por Marcelo Rebelo de Sousa, um dos maiores ataques à sua personalidade e honorabilidade. Objectivos desta campanha: denegrir o PS e o seu secretário geral, insinuando que não constituem alternativa política; procurar fazer esquecer as políticas e as medidas reacionárias do Governo, nem que para isso, sejam escondidas as decisões do Governo,como foi agora o caso da suspensão das reformas antecipadas.

Em síntese: Apesar de admitir, que nem todas as medidas dos governos de Sócrates foram correctas, é indispensável fazer a defesa das reformas feitas, em particular, todas as que tinham por objectivo melhorar, racionalizar e aumentar a sustentabilidade do Estado Social, que o actual governo pretende destruir. Todavia, é urgente que se retire a tónica das criticas, aos pretensos erros de governação. É indispensável, cada vez mais, que se denuncie todas as medidas que vão além da troika.

A esquerda, principalmente o PS, deve desencadear uma luta ideológica, sem quartel, contra a maioria de direita que nos governa. Nada no Governo, está a ser decidido por acaso, faz parte da agenda liberal, que Passos Coelho apresentou antes das eleições. e que é sustentado pela esmagadora maioria dos governos europeus e veiculada pelos média, controlados pela direita liberal e, simultâniamente, conservadora e ainda, pelo capital financeiro internacional.

Como a situação que nós vivemos é comum à maioria dos países europeus, é fundamental, que os Socialistas Europeus, no seguimento do que fizeram no último encontro, formulem um programa político, com medidas concretas mas, também, definam um conjunto mínimo de princípios ideológicos, susceptiveis de modernizar e tornar competitiva a economia, base necessária e indispensável, para viabilizar o Estado Social Europeu e o reforço da União Europeia!